História

Descoberta nova espécie “bagunceira” de ave da era dos dinossauros

O estranho animal, chamado Jinguofortis perplexus, exibe um mosaico incomum de características de pássaro e dinossauro.Wednesday, October 3, 2018

Por John Pickrell
Uma reconstrução do Jinguofortis perplexus, um pássaro da era dos dinossauros que viveu onde hoje é a China, cerca de 127 milhões de anos atrás.

“No entanto”, diz Wang, “esse novo fóssil de pássaro mostra que a evolução do voo foi muito mais bagunçada”.

Ossos fundidos

Jinguofortis é “um dos fósseis de pássaro mais importantes encontrados nos anos recentes”, de acordo com Steve Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edinburgh, no Reino Unido, que foi um dos editores revisores do artigo.

Isso porque é um dos membros mais antigos e mais primitivos do grupo mais moderno de pássaros com caudas curtas, ou Pigóstilos, então, isso nos ajuda a “entender como antigos pássaros mudaram suas caudas de longas, retas e estreitas, como as de seus ancestrais dinossauros, para as caudas pequenas, fundidas e largas que eles têm hoje”, Brusatte diz.

Mas talvez o aspecto mais interessante do fóssil seja a cintura escapular, diz o especialista, que lembra a de dinossauros não aviários, ao invés de pássaros. Pássaros modernos normalmente têm dois ossos, a escápula e o coracoide, que permitem flexibilidade para bater as asas. Mas os ombros do Jinguofortis são fundidos em um único osso, o escapulocoracoide.

Essa seria uma “característica muito incomum” em um pássaro que voa, diz Gerald Mayr, ornitólogo e especialista em evolução de pássaros no Instituto de Pesquisa Senckenberg em Frankfurt, Alemanha. Os dois ossos normalmente formam uma junta móvel que é importante para o movimento dos músculos e das asas durante o voo.

“Se essa condição for confirmada em estudos futuros, pode inspirar novas ideias de como esses antigos pássaros usavam suas asas”, diz Mayr, já que essa característica provavelmente teria impedido o bater das asas. No entanto, adiciona Mayr, as penas de voo do Jinguofortis parecem muito estreitas para um pássaro que voa, e ombros fundidos são comuns em espécies que não voam, como avestruzes e rheas.

“Então, você pode perguntar se esse pássaro é mesmo capaz de voar, ou se ele seria um exemplo de pássaro Mesozóico que não voa”, diz ele.

A cintura escapular fundida levou a equipe a considerar essa possibilidade, diz Wang, mas ele argumenta que as asas e muitas outras características dos fósseis são ainda assim “indicativos de capacidade refinada de voo”.

Ele acredita que essa estranha mistura de características seja evidência de que a evolução dos pássaros é mais complicada do que se pensava, com espécies antigas demonstrando uma variedade de formas de crescimento de seus esqueletos e de uso de seus aparatos de voo.

“O que isso nos mostra é que pássaros não evoluíram todas as características que precisavam para voar de uma forma agradável, clara e direta”, diz Brusatte. “Houve vários experimentos de estilos de voo entre os pássaros antigos”.

O fóssil do pássaro do Cretáceo Jinguofortis perplexus.

“No entanto”, diz Wang, “esse novo fóssil de pássaro mostra que a evolução do voo foi muito mais bagunçada”.

Ossos fundidos

Jinguofortis é “um dos fósseis de pássaro mais importantes encontrados nos anos recentes”, de acordo com Steve Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edinburgh, no Reino Unido, que foi um dos editores revisores do artigo.

Isso porque é um dos membros mais antigos e mais primitivos do grupo mais moderno de pássaros com caudas curtas, ou Pigóstilos, então, isso nos ajuda a “entender como antigos pássaros mudaram suas caudas de longas, retas e estreitas, como as de seus ancestrais dinossauros, para as caudas pequenas, fundidas e largas que eles têm hoje”, Brusatte diz.

Mas talvez o aspecto mais interessante do fóssil seja a cintura escapular, diz o especialista, que lembra a de dinossauros não aviários, ao invés de pássaros. Pássaros modernos normalmente têm dois ossos, a escápula e o coracoide, que permitem flexibilidade para bater as asas. Mas os ombros do Jinguofortis são fundidos em um único osso, o escapulocoracoide.

Essa seria uma “característica muito incomum” em um pássaro que voa, diz Gerald Mayr, ornitólogo e especialista em evolução de pássaros no Instituto de Pesquisa Senckenberg em Frankfurt, Alemanha. Os dois ossos normalmente formam uma junta móvel que é importante para o movimento dos músculos e das asas durante o voo.

“Se essa condição for confirmada em estudos futuros, pode inspirar novas ideias de como esses antigos pássaros usavam suas asas”, diz Mayr, já que essa característica provavelmente teria impedido o bater das asas. No entanto, adiciona Mayr, as penas de voo do Jinguofortis parecem muito estreitas para um pássaro que voa, e ombros fundidos são comuns em espécies que não voam, como avestruzes e rheas.

“Então, você pode perguntar se esse pássaro é mesmo capaz de voar, ou se ele seria um exemplo de pássaro Mesozóico que não voa”, diz ele.

A cintura escapular fundida levou a equipe a considerar essa possibilidade, diz Wang, mas ele argumenta que as asas e muitas outras características dos fósseis são ainda assim “indicativos de capacidade refinada de voo”.

Ele acredita que essa estranha mistura de características seja evidência de que a evolução dos pássaros é mais complicada do que se pensava, com espécies antigas demonstrando uma variedade de formas de crescimento de seus esqueletos e de uso de seus aparatos de voo.

“O que isso nos mostra é que pássaros não evoluíram todas as características que precisavam para voar de uma forma agradável, clara e direta”, diz Brusatte. “Houve vários experimentos de estilos de voo entre os pássaros antigos”.

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