Elas conseguiram fugir do Afeganistão. Mas e as mulheres que ficaram no país?

Após 20 anos de conquistas, mulheres afegãs enfrentam um futuro incerto sob novo regime do Talibã.

Fotos de Kiana Hayeri
Publicado 2 de set. de 2021 07:00 BRT
Bandi Bargh (Electricity Dam)

Em Daykundi, amigas vão a uma barragem local para realizar um piquenique, em 19 de março de 2021, um dia antes do Noruz, um festival celebrado no meio do ano que marca o ano novo do calendário persa. Embora muitas mulheres tenham acesso à educação, oportunidades de carreira e liberdade, suas vidas provavelmente ficarão restritas pela retomada do Talibã.

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No mês passado, Naheed Esar estava se acostumando a uma nova vida como doutoranda na frondosa cidade universitária de Fayetteville, no estado do Arkansas, EUA. À noite, quando sua família está acordando no Afeganistão devido ao fuso horário, ela liga para eles. “Tentamos acalmar uns aos outros”, conta ela. “Mas a conversa sempre começa com: você está vivo? Onde está fulano, onde está sicrano?” E ela não consegue dormir muito.

Por 20 anos, as mulheres no Afeganistão frequentaram a escola, tiveram oportunidades profissionais e lutaram para alcançar uma posição social equiparável à dos homens. Elas se tornaram artistas, ativistas, atrizes. Agora, Esar e milhões de mulheres lutam com a repentina retomada do país pelo Talibã. Milhares de mulheres estão fugindo ou se escondendo sem saber o que esperar do futuro.

Mulheres fazem compras no mercado de Faizabad, capital da província de Badakhshan, em 10 de abril de 2021. Exatos quatro meses depois, a pequena cidade localizada no nordeste do Afeganistão foi controlada pelo Talibã.

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Soraya mexe uma panela de comida em sua casa, no primeiro semestre deste ano, em preparação para o Khatm-i, uma cerimônia do Alcorão em homenagem aos mortos na qual uma família hospeda todos os homens de uma vila ou bairro.

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Nazdana (no centro), seu marido e sua família fugiram dos combates em sua vila no início deste ano. Em 28 de fevereiro de 2021, eles haviam se estabelecido em uma casa lotada nos arredores de Kandahar, a segunda maior cidade do Afeganistão, tomada pelo Talibã em 13 de agosto.

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Nos últimos seis anos, Esar, de 33 anos, serviu ao governo afegão, tendo iniciado como especialista em gênero para o palácio presidencial e, por fim, atuava como vice-ministra de Relações Exteriores. Naquela época, as ameaças eram constantes: Esar viajava com cinco seguranças em um veículo blindado, e cães farejavam sua casa em Cabul em busca de bombas uma vez por semana. Depois do acordo de paz firmado em 2020 entre os Estados Unidos e o Talibã, as perspectivas para ela — e milhões de outras ambiciosas mulheres afegãs — tornaram-se cada vez mais escassas.

Esar começou a se preparar para partir de seu país. “Percebi que se ficasse, não seria capaz de deixar o Afeganistão com vida”, lamenta Esar.

Quando o Talibã controlou o Afeganistão pela última vez, entre 1996 e 2001, a educação das mulheres foi amplamente proibida, apedrejamento e chicotadas eram punições para crimes como adultério, e um homem que trabalhasse como acompanhante era obrigado a sair de casa. Depois que a invasão do exército dos Estados Unidos retirou o Talibã do poder, a educação de mulheres e meninas tornou-se a marca registrada do sucesso da missão. Milhões de meninas vestiram uniformes escolares. Na atualidade, metade das afegãs de 15 a 24 anos sabe ler — o dobro da taxa de alfabetização das mulheres em 2000. E embora o envolvimento das mulheres no mercado de trabalho ainda seja muito inferior ao da maioria dos países, um número crescente de afegãs serviu ao governo, trabalhou na magistratura e na mídia. Mais de um quarto dos cargos parlamentares no país de 39 milhões de habitantes são reservados para mulheres — mais do que nos Estados Unidos.

Quando Cabul foi dominada pelo grupo extremista em meados de agosto, o aeroporto se tornou um local de concentração para aqueles que tentavam escapar do regime Talibã e das represálias. Mais de 80 mil pessoas fugiram de Cabul desde que o país sucumbiu, mas outras 250 mil que têm direito a vistos dos Estados Unidos ainda estão à espera. Outros milhares que acreditam que podem ser alvos do Talibã esperam por ajuda antes da retirada do exército norte-americano, em 31 de agosto. Entre eles estão mulheres jornalistas e parlamentares, artistas, membros da comunidade LGBTQIAP+, tradutoras militares dos Estados Unidos e outras que temem por suas vidas sob o comando do Talibã. Grandes organizações humanitárias e iniciativas privadas receberam muito apoio, mas o êxito logístico foi limitado.

As ruas de Cabul são revestidas com barreiras de concreto contra explosão, um sinal da situação vulnerável de segurança mesmo antes de o Talibã dominar a cidade.

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Apesar dos obstáculos da burocracia militar no aeroporto, alguns refugiados afegãos conseguiram voos para fora do país: uma dúzia de adolescentes membros de uma equipe de robótica feminina do Afeganistão pousou em Doha em um voo especial organizado pelo governo do Catar. Uma das primeiras prefeitas do país, Zarifa Ghafari, foi levada para um local seguro na Alemanha depois de dizer à imprensa que estava apenas aguardando ser assassinada. Alunas do único internato feminino do país desembarcaram em Ruanda depois que o fundador da escola queimou todos os registros das alunas. (O fundador Shabana Basij-Rasikh foi Explorador Emergente da National Geographic em 2014.)

Naheed Esar deixou o Afeganistão em 17 de dezembro de 2020, rumo ao Paquistão, onde tinha uma entrevista agendada para obtenção de visto para os Estados Unidos que lhe permitiria realizar um doutorado em antropologia na Universidade do Arkansas.

Enquanto ela aguardava a aprovação, o Talibã se apoderava cada vez mais de seu país. Quando obteve o visto em meados de julho, seu pai a aconselhou a ir direto do Paquistão para os Estados Unidos. Ele se questionava se o aeroporto de Cabul entraria em colapso; ela não conseguia imaginar que isso aconteceria, mas concordou em ir. Desembarcou no Arkansas no fim de julho e substituiu seus pertences por roupas e móveis usados doados por professores da universidade.

Estudantes aglomerados em uma sala de aula na Academia Mawoud, em Cabul, em 20 de março de 2021. Mais de dois anos antes, um homem-bomba matou pelo menos 40 alunos durante uma aula de álgebra, a maioria deles pertencia ao grupo de minoria étnica hazara.

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Por considerar Noruz um feriado pagão, o Talibã proibiu o festival de meio de ano, realizado na primavera, durante seu primeiro governo. Em março passado, milhares de pessoas compareceram a uma celebração no vilarejo Nalij, na província de Daikundi.

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Alunos fazem seus exames finais na aula de inglês, em Khandud, no distrito de Wakhan, na província de Badakhshan, em 1o de dezembro de 2020.

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Quando Cabul foi tomada, os alunos que participariam do programa Fulbright afegão de 2021 já tinha seus vistos, relata Esar. As pessoas com quem ela tem contato conseguiram chegar aos Estados Unidos. Ela não os conheceu pessoalmente, mas conversam por WhatsApp e ela os incentiva a deixar de lado as redes sociais, focar nos estudos e aproveitar a oportunidade.

Esar sonhava em um dia abrir uma instituição de pesquisa totalmente afegã. Agora não sabe se retornará. “Deixar seu país sem nem ao menos estar lá — enquanto sua família e entes queridos continuam na terra natal — é basicamente mover uma árvore de um local para outro”, compara ela. “Essa árvore crescerá da mesma forma?”

Esar possui uma ancestralidade de mulheres guerreiras. Sua avó foi combatente durante a invasão soviética e posteriormente dirigiu o conselho de sua vila. Sob o domínio do Talibã, sua mãe administrava uma escola clandestina ilegal para 60 meninas. Esar, que tinha 7 anos na época, orgulhosamente se autointitulava diretora. Porém, no momento, sua família parece ter perdido as esperanças. Sua avó está morta e sua mãe não está interessada em lutar novamente, conta ela. Seus pais consideram ir embora do país, algo que, segundo Esar, nunca haviam cogitado antes. As possibilidades de escapar estão diminuindo a cada dia.

Mina Rezai fazendo aula de direção em Cabul, em 15 de fevereiro de 2021. Embora mulheres com carteira de habilitação ainda sejam minoria nas ruas de Cabul, houve um aumento no número de pessoas do sexo feminino aprovadas no exame de direção nos últimos anos. Fora de Cabul, mulheres que dirigem ainda são um tabu.

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Do lado de fora do Simple Cafe, de propriedade de uma mulher, em Cabul, meninas do ensino médio vendem artesanato, objetos de carpintaria e acessórios, em 13 de fevereiro de 2021. Uma geração inteira de afegãs, principalmente nas regiões urbanas, cresceu com as liberdades básicas que o Talibã proibiu durante a década de 1990.

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Fakhria ajuda sua mãe a se alongar na casa onde moram em Cabul, em 16 de fevereiro de 2021. Fakhria e seu marido fundaram um estúdio de ioga em 2016, que se tornou um refúgio seguro para mais de 500 alunos.

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Saindo com vida

Sem clareza ou um plano amplamente divulgado para que pessoas com o intuito de abandonar o país cheguem ao aeroporto de Cabul, o ônus de ajudar os afegãos a fugir recai sobre aqueles com conexões profundas no Afeganistão.

Shannon Galpin não vai para a cama há 11 dias. Às vezes, ela se deita completamente vestida em seu sofá desconfortável em Edimburgo, na Escócia, e tira um leve cochilo, pronta para se levantar caso o telefone toque com notícias sobre as evacuações. Quase uma década atrás, no Afeganistão, Galpin ajudou a fundar a Equipe Afegã de Ciclismo Feminino e o primeiro clube de ciclismo do país. Ela passou os anos seguintes apoiando mulheres afegãs no atletismo.

Em 2020, havia equipes femininas em sete províncias e cinco corridas de bicicleta para mulheres ciclistas, além de competições de BMX e mountain bike. O atletismo, assim como a cultura e a arte, pode ser uma forma de rebelião, afirma a norte-americana Galpin. “Certamente é unânime que a bicicleta esteja relacionada aos direitos das mulheres”, diz ela. “É um veículo que representa liberdade e mobilidade. Isso é o cerne da independência e igualdade.”

A cantora Aryana Saeed cuida do cabelo com seu maquiador pessoal enquanto seu noivo, Hasib Sayed, tira fotos para publicar nas redes sociais antes da gravação de um episódio de “Afghan Star”, um programa de TV em busca de talentos, em 18 de fevereiro de 2021. Ameaças contra o programa forçaram ela e outros participantes a ficar em uma casa segura durante a produção. Saeed e Sayed fugiram do Afeganistão em 17 de agosto.

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A censura obriga que um videoclipe indiano passando na televisão afegã esconda as partes  à mostra dos corpos de artistas, em 1o de março de 2021, no Cafe Delight, em Aino Maina, na província de Kandahar.

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Jovens mulheres assistem a uma gravação do programa de televisão “Afghan Star”, um programa que busca talentos musicais em todo o Afeganistão, em 18 de fevereiro de 2021. Ameaças contra o canal TOLO TV foram graves o suficiente para que jurados e participantes permanecessem em um esconderijo durante as gravações da temporada.

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Em 15 de agosto, enquanto o presidente afegão Ashraf Ghani fugia do país e o Talibã tomava o palácio presidencial, líderes da comunidade global de alpinistas, ciclistas e outros esportes ao ar livre começaram a construir um banco de dados para evacuação. A lista de 400 atletas e treinadores afegãos inclui um time feminino de alpinistas, o clube de esqui Bamiyan, maratonistas, ciclistas de mountain bike, um grupo de parkour e times de basquete e futebol feminino. Galpin e seus colaboradores rapidamente compilaram e compartilharam rotas seguras para o aeroporto, telefones de empresas de segurança privada e contatos de voos fretados.

Em um dia Galpin coordena evacuações por mensagens em 20 conversas diferentes. Sua caixa de entrada está cheia de gravações de choro histérico, relatos de patrulhas do Talibã feitas de porta em porta e, ocasionalmente, críticas que ela sabe serem apenas devido à frustração. “Agora, 11 dias depois, como podemos dizer ‘sinto muito, apenas aguarde’?” ela questiona. “É de partir o coração. O que estamos fazendo em comparação ao medo com o qual essas pessoas estão vivendo? Nada que fizermos será o suficiente.”

Galpin lançou uma campanha de arrecadação de fundos para ajudar a cobrir custos: uma corrida de táxi de US$10 para o aeroporto agora é realizada por uma empresa de segurança privada por quatro mil dólares. Galpin apelou para a comunidade do ciclismo que torceu pelas equipes afegãs ao longo dos anos e arrecadou US$36 mil.

Por questões de segurança, a artista Rada Akbar foi forçada a cancelar sua exposição de arte denominada Abarzanan, ou supermulheres em português, que celebra as mulheres afegãs inovadoras. Em vez disso, ela transmitiu um vídeo homenageando as vítimas de ataques terroristas. “Para mim é um insulto e desrespeito quando as pessoas olham para mulheres afegãs como se nossa existência tivesse começado em 2001”, enfatiza ela. “O mundo precisa conhecer a história das mulheres no Afeganistão.” Depois que Cabul foi dominada pelo grupo extremista, Akbar fugiu para Paris.

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A arrecadação de fundos de Galpin é uma entre muitas. O criador de uma conta de memes no Instagram lançou uma campanha pela plataforma GoFundMe para pagar voos privados para evacuação e arrecadou cinco milhões de dólares em 24 horas. Uma semana depois, o valor ultrapassou sete milhões de dólares.

Mas o dinheiro é apenas um meio necessário para enfrentar o caos no aeroporto e o prazo final da saída das tropas norte-americanas do país. Cada passagem de avião custa cerca de US$1,5 mil, mas alguns voos decolaram com menos de um quarto da capacidade depois que problemas logísticos impediram os passageiros de embarcar. No início do domínio do Talibã, o grupo ainda permitia a passagem para o aeroporto, mas, recentemente, a estrada foi fechada e os carros estão sendo parados nos postos de controle.

Atrapalhados pelos regulamentos caóticos e variáveis, os apoiadores estão tirando poucas pessoas por vez. Até agora, Galpin acredita que 50 pessoas de sua lista de 400 foram evacuadas, mas ela não saberá com certeza até que a saída do exército dos Estados Unidos seja concluída. “Isso não termina no dia 31 de agosto”, afirma ela. “Então temos que cuidar das pessoas que ficaram para trás.”

Uma ciclista, parada na vala de esgoto que passa em frente ao portão do aeroporto de Cabul, onde afegãos se reuniram, gritou para os soldados responsáveis pela tripulação que ela estava na lista de embarque de um voo fretado. “Eu disse que era um voo para Uganda, o soldado britânico riu”, ela mandou uma mensagem a Galpin. Depois de horas de telefonemas, a mulher conseguiu embarcar. O avião estava praticamente vazio.

Em Kandahar, em 1o de março de 2021, as mulheres fazem fila para se cadastrar em um escritório do Departamento de Refugiados e Repatriação. A maioria dos migrantes que chegavam era dos distritos de Arghandab e Panjwai, locais onde o Talibã avançava há meses.

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Um futuro incerto

No momento, há apenas pistas do que está por vir sob o controle do Talibã no Afeganistão.

A liderança em Cabul está em uma ofensiva de relações públicas, mas os soldados do grupo extremista já proibiram a entrada de alunas e professoras na universidade em Herat, uma cidade no oeste do Afeganistão, e escolas para meninas em outras províncias foram fechadas desde que o Talibã assumiu o poder. Mulheres que faziam compras sozinhas nos mercados de Mazar-i-Sharif foram orientadas a retornar com um homem, e as âncoras de telejornais foram dispensadas.

Nas últimas duas décadas, o acesso à educação nos redutos do Talibã variou amplamente. Em alguns distritos, as mulheres foram autorizadas a viajar para frequentar universidades públicas. Em outros, nem mesmo existem escolas de ensino fundamental para meninas. Para a maioria delas, a educação é restrita quando atingem a puberdade, ou por volta do sétimo ano.

“O Emirado Islâmico está comprometido com os direitos das mulheres dentro da estrutura da lei Sharia”, salientou Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã, em uma entrevista coletiva realizada em 17 de agosto. “Nossas irmãs e nossos homens têm os mesmos direitos; eles poderão se beneficiar de seus direitos... irão trabalhar lado a lado conosco.”

Para Rada Akbar, essas promessas soam vazias, senão obscuramente irônicas. Akbar, fotógrafa, pintora e ativista baseada em Cabul, tem criticado abertamente o Talibã. No início deste ano, ela viu seu nome em uma lista divulgada de alvos de assassinato. “Mulheres como eu e minhas amigas temos sido alvo do Talibã nos últimos 20 anos”, declara ela. “As pessoas devem ser muito ingênuas para acreditar que o grupo extremista mudou. Vinte anos de matança e destruição e da noite para o dia eles mudam? Não. Eles ainda são os mesmos.”

Estudantes da província de Daikundi caminham até o campus da única universidade pública da região, que fica no topo de uma montanha, fora da cidade de Nili. Os alunos que não podem pagar para realizar o trajeto de minivan ou moto, caminham de uma a duas horas todos os dias para chegar à escola.

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 “A ironia é que, quando o Talibã tomou Cabul, anunciaram anistia e declararam: ‘nós perdoamos todos os afegãos’. O que querem dizer com nos perdoar? Eles nos mataram. Mataram nossos amigos e colegas. Pelo que somos perdoados? Por sermos artistas? Por perdermos nossas vidas?”

Três meses atrás, a família de Akbar se reuniu durante o jantar e discutiu sobre deixar o país. Sua mãe recusou categoricamente: a família fugiu para o Paquistão quando o Talibã assumiu o poder em 1996. Ela não voltaria a ser uma refugiada. Ainda preocupada, Akbar começou a enviar suas pinturas e discos rígidos com amigos que viajavam para o exterior.

Na província de Bamiyan, alunas escoteiras dos 10o e 11o anos se preparam para uma cerimônia de toque de sinos. Todos os anos, no primeiro dia de aula, sinos são tocados simultaneamente em 35 províncias do Afeganistão.

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Fatima, de 25 anos, e Zeinab, de 21 anos, (à direita) participam da inauguração de uma nova loja em março de 2021. Zeinab é vendedora e Fátima é apresentadora de TV e influenciadora digital. As irmãs têm crenças religiosas diferentes, mas também trabalham juntas: no ano passado, abriram um café.

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Mulheres e meninas se reúnem nos arredores da vila de Kohna Deh no distrito de Nili para lavar roupas, cobertores e tecidos na véspera do Noruz, em uma tradição conhecida como Khana Tekaani ou vibração da casa.

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Em 15 de agosto, Akbar recebeu um telefonema histérico de uma amiga fotógrafa que mora em Cabul. “Rada, eles estão vindo, estão vindo!”, ela gritou. Akbar deixou para trás um almoço pela metade e boa parte de uma década de trabalho e dirigiu até a embaixada da França. Depois de alguns dias, ela foi transferida para o aeroporto em um comboio de 15 micro-ônibus e veículos blindados. Ela desejou que tivessem feito isso à noite para que não tivesse que ver sua cidade invadida por soldados do Talibã. Agora, ela está em quarentena em um hotel em Paris com centenas de outros afegãos esperando para saber aonde irão. Sua família está espalhada pela Alemanha, Estados Unidos, França e Turquia.

Em breve, haverá milhares de refugiados afegãos em todo o mundo e muitos mais serão deixados para trás, sem meios de escapar. “Quando os Estados Unidos derrubaram o Talibã, houve um esforço para realmente tentar ajudar essas mulheres a seguir em frente. E depois dos últimos 20 anos, houve muitas conquistas na educação e na vida profissional de mulheres”, comenta Melanne Verveer, que dirige o Instituto Georgetown para Mulheres, Paz e Segurança. “Eu acredito que as pessoas estão realmente pensando que tudo isso será apagado. Meu Deus, o que acontecerá com as mulheres agora?”

No entanto, de acordo com dados do instituto, o Afeganistão ainda é classificado como o segundo pior país para ser mulher devido à instabilidade e à violência de gênero.

Membros do estúdio de ioga Momtaz fazem um piquenique e praticam ioga no Palácio Chihilsottun, em Cabul. O fundador do estúdio começou com um escritório de TI e se tornou um centro para mais de 500 alunos.

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As mulheres conquistaram um poder político significativo durante os últimos quase 20 anos, mas agora o futuro é incerto. Algumas líderes políticas argumentaram que um retorno ao regime Talibã seria inaceitável, mas outras expressaram esperança de que haveria um lugar para as vozes femininas e os valores islâmicos.

“Ainda não sabemos realmente o que o Talibã nos fará perder e sacrificar”, declarou Shinkai Karokhail, parlamentar e ativista pelos direitos das mulheres, em uma matéria para a National Geographic realizada em 2020. “Não somos contra a paz, nem contra o retorno do Talibã à política do Afeganistão para finalmente encerrar esta longa guerra.”

No governo Barack Obama, Verveer serviu como a primeira embaixadora dos Estados Unidos para questões globais da mulher. Durante uma viagem ao Afeganistão, ela se encontrou com um grupo de jornalistas mulheres. Uma delas lhe entregou um pequeno buquê de flores de plástico e proferiu um ditado: “uma flor não trará a primavera, mas muitas irão”; ela apontou para as jornalistas na sala para mostrar que a primavera havia chegado.

Essa memória assombra Verveer, que agora lidera uma campanha chamada Proteja as Mulheres Afegãs, que está ajudando a evacuar juízas, jornalistas e ativistas de direitos humanos. “Fico pensando que agora a primavera se transformou em um inverno terrível”, lamenta ela.

Milhares de pessoas que comemoram o festival Noruz no meio do ano viajam por horas ou dias até um remoto vilarejo afegão chamado Nalij. O vilarejo já sediou celebrações provavelmente por mais de cem anos. Sob o governo do Talibã, o feriado foi proibido devido às tradições pagãs.

Foto de Kiana Hayerti
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