Conheça o Diwali, importante celebração indiana que representa o triunfo do bem sobre o mal

O festival de luzes de 5 dias, comemorado por mais de um bilhão de pessoas de várias religiões do país, traz orações, festas, fogos de artifício e, para alguns, um novo ano.

Por Amy McKeever
Publicado 22 de out. de 2022 10:00 BRT
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Na cidade de Raiganj, em Bengala Ocidental, Índia, as pessoas se reúnem para soltar lâmpadas em balões durante as comemorações ao Diwali – o festival de luzes de cinco dias. Celebrado em diversas religiões, o Diwali se tornou a maior festividade da Índia, rivalizando com o Dia de Ação de Graças e o Natal nos Estados Unidos.

Foto de Rupak De Chowdhuri Reuters

Diwali é o festival mais importante do ano na Índia – um momento para celebrar o triunfo da luz sobre as trevas, o conhecimento sobre a ignorância e o bem sobre o mal. Amplamente comemorado entre mais de um bilhão de pessoas de diferentes religiões em toda a Índia e sua diáspora, os cinco dias de Diwali são marcados por orações, festas, fogos de artifício, reuniões familiares e doações de caridade. Para alguns, o Diwali também representa o início de um novo ano.

Mas o Diwali talvez seja mais conhecido como um festival de luzes. Derivado do sânscrito dipavali, que significa “fileira de luzes”, Diwali é famoso pelas lâmpadas de barro que os celebrantes colocam como enfeite na frente de suas casas. 

(Veja imagens deslumbrantes do Diwali, o festival indiano das luzes.)

As datas deste festival são baseadas no calendário lunar Hindu, que marca cada mês pelo tempo que a Lua demora em orbitar a Terra. Diwali começa pouco antes da chegada de uma Lua nova entre os meses hindus de Asvina e Kartika – que normalmente coincide com os meses de outubro ou novembro do calendário gregoriano. Em 2022, os cinco dias de Diwali começam em 22 de outubro, sendo o dia mais importante do festival o dia 24 de outubro.

O significado de Diwali – e suas lendas

O Diwali é um importante festival religioso para os hindus, e também é comemorado entre os jainistas, siquistas e budistas. É celebrado tão amplamente que não existe uma única história sobre sua origem. Cada religião tem sua própria narrativa histórica por trás do feriado, mas mesmo assim, todas elas representam a vitória do bem sobre o mal.

Somente no hinduísmo – que é considerada a religião viva mais antiga do mundo e data do segundo milênio a.C. – existem várias versões da história do Diwali que variam entre as comunidades geográficas. Todas elas, no entanto, são contos épicos de vitória conquistada por homens considerados encarnações do deus hindu Vishnu, o restaurador do universo, responsável por equilibrar as forças do bem e do mal em tempos de dificuldade.

No norte da Índia, Diwali comemora o retorno triunfante do príncipe Rama à cidade de Aiódia após 14 anos de exílio devido à conspiração de sua madrasta malvada – e depois de resgatar heroicamente sua esposa Sita, uma encarnação da deusa Lakshmi, que havia sido sequestrada pelo rei rival Ravana.

Enquanto isso, no sul da Índia, Diwali homenageia a vitória de Krishna sobre o rei demônio Narakasura, que aprisionou 16 000 mulheres em seu palácio e infligia duras punições a qualquer um de seus súditos que se levantasse contra ele. E no oeste da Índia, o festival celebra o banimento do rei Bali – cujo imenso poder se tornou uma ameaça para os deuses – para o submundo por parte de Vishnu.

Siquismo, jainismo e budismo são três religiões minoritárias na Índia com suas próprias histórias de Diwali. Para o siquismo, que surgiu no final do século 15 como um movimento dentro do hinduísmo que é particularmente dedicado a Vishnu, o Diwali comemora a libertação do guru do século 17 Hargobind após 12 anos de prisão pelo imperador mogol Jahangir.

O jainismo, que existe desde meados do primeiro século a.C. e também compartilha muitas das crenças do hinduísmo, comemora o Diwali como o dia em que Mahavira, o último dos grandes mestres jainistas, atingiu o nirvana.

E para os budistas, cuja religião surgiu no final do século 6 a.C. no que alguns descrevem como uma reação ao hinduísmo, este feriado representa o dia da conversão ao budismo do imperador hindu Açoca, que governou no século 3 a.C.

Além dessas histórias, Diwali também é uma celebração de Lakshmi, a deusa hindu da riqueza e da prosperidade. Na antiga sociedade agrária da Índia, o Diwali coincidia com a última colheita antes do inverno – uma época para pedir a Lakshmi boa sorte. Hoje, as empresas indianas ainda consideram o Diwali o primeiro dia do novo ano financeiro.

Como é celebrado o Diwali

Assim como as lendas do Diwali diferem de região para região, os rituais do feriado também variam. O que a maioria tem em comum, porém, é a abundância de doces, reuniões familiares e a iluminação com lâmpadas de barro que simbolizam a luz interior que protege cada família da escuridão espiritual.

À esquerda: No alto:

Um oleiro organiza as lâmpadas de barro, que são usadas para decorar casas e templos durante o Diwali, em uma oficina em Ahmedabad, Índia, em 9 de novembro de 2020.

Foto de Amit Dave Reuters
À direita: Acima:

Durante o Diwali, muitas pessoas enfeitam o chão com rangoli ou desenhos intrincados e coloridos feitos de pó, arroz, pétalas de flores ou areia.

Foto de Jodi Cobb Nat Geo Image Collection

Mas, geralmente, cada um dos cinco dias de Diwali tem seu próprio significado. No primeiro dia, as pessoas rezam para a deusa Lakshmi, assam doces e limpam suas casas – que decoram no dia seguinte com lâmpadas e rangolis, desenhos feitos no chão com areia colorida, pó, arroz ou pétalas de flores.

O terceiro dia de Diwali é o mais importante: neste dia, as pessoas podem ir ao templo para homenagear Lakshmi ou se reunir com amigos e familiares para festas e fogos de artifício. Os devotos também acendem as lâmpadas exibidas no dia anterior.

Para muitos celebrantes, o quarto dia de Diwali marca o ano novo e um momento para trocar presentes e votos de felicidades. Finalmente, o quinto dia é tipicamente um dia para homenagear os irmãos.

Ao longo dos anos, o Diwali se tornou a maior temporada de festas da Índia – rivalizando com o Dia de Ação de Graças ou o Natal nos Estados Unidos. Comerciantes aproveitam as vendas e as comunidades em toda a Índia e em toda a sua diáspora organizam pequenas feiras. 

Os fogos de artifício também são uma parte importante das comemorações, principalmente em Nova Délhi, onde são frequentemente criticados por causar picos de poluição na cidade, que já é altamente poluída. (A cidade proibiu o uso de fogos de artifício nos últimos anos para mitigar esses efeitos nocivos.)

Seja como for celebrado, o espírito do Diwali é universal e baseado na crença de que, eventualmente, a luz triunfará sobre as trevas.

Esta história foi publicada originalmente em 12 de novembro de 2020. Foi atualizada.

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