Por que uma temporada de furacões tranquila não é necessariamente uma coisa boa

O aquecimento do Ártico pode fazer com que as tempestades sigam mais para o oeste, aumentando as chances de chegarem à terra.Monday, August 6

Por Willie Drye
Um satélite da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica capturou esta imagem do furacão Maria em 18 de setembro de 2017.

Meteorologistas da Colorado State University, nos Estados Unidos, dizem que o pico que se aproxima da temporada de furacões de 2018 será relativamente calmo na Bacia do Atlântico. Mas um relatório divulgado na última quarta-feira pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional apontou uma tendência preocupante que pode ter implicações para futuras previsões de furacões: o aquecimento do Ártico poderia levar futuros furacões do Atlântico para o oeste e aumentar a probabilidade de chegada aos EUA.

Os meteorologistas da CSU, liderados pelo meteorologista Phil Klotzbach, acreditam que as águas mais frias e o ar mais seco da Bacia do Atlântico - que inclui o Oceano Atlântico, o Golfo do México e o Mar do Caribe - combinados com a presença de ventos fortes conhecidos como wind shear dificultará a formação de tempestades.

Os furacões extraem seu poder das águas quentes do oceano e o ar quente e úmido ajuda a sustentá-los. As tempestades que geram furacões são menos propensas a se intensificar quando são privadas de combustível e enfrentam condições atmosféricas hostis, sugerindo que a temporada 2018 deverá ser relativamente calma.

Quatro tempestades formaram-se desde o início da temporada de furacões, em 1º de junho. A temporada termina em 30 de novembro.

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Os meteorologistas da CSU preveem que mais nove tempestades tropicais com ventos de mais de 62 quilômetros por hora se formarão na Bacia do Atlântico. Três dessas tempestades provavelmente se tornarão furacões com ventos de pelo menos 119 quilômetros por hora. E uma dessas tempestades provavelmente se tornará um grande furacão com ventos superiores a 177 quilômetros por hora.

A previsão é uma ótima notícia para os residentes costeiros dos EUA, que enfrentaram três furacões devastadores durante o auge da temporada de furacões do último verão. O furacão Harvey, que inundou Houston e a Costa do Golfo em 25 de agosto de 2017. O furacão Irma, que atingiu o Caribe e desferiu um golpe devastador na região de Florida Keys, atingindo a região de Nápoles, Flórida, em 10 de setembro. Dez dias depois, o furacão Maria atingiu Porto Rico, causando um dos piores desastres naturais da história da ilha.

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A informação sobre a possível influência das correntes de vento sobre os furacões foi incluída no relatório anual 28 da NOAA sobre o estado do clima. O relatório observou que o aquecimento no Ártico está provavelmente afetando a corrente de ventos - uma corrente de ar estreita e sinuosa, vários quilômetros acima da superfície da Terra, que flui do oeste para o leste e frequentemente influencia os padrões climáticos em todo o mundo.

 

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O percurso da corrente de ventos pode variar, de uma linha reta a uma linha ondulada, dependendo do aquecimento no Ártico. A formação do fluxo pode ser um fator importante para determinar se um furacão irá se intensificar ou diminuir. Isso também pode ser um fator preponderante para se determinar se uma tempestade irá em direção à terra ou não.

(Descubra: "Tufão, furacão, ciclone: qual é a diferença?")

Quando a corrente de ventos se torna ondulada, eventos climáticos incomuns se tornam mais prováveis. Muitos cientistas acreditam que a estranha rota do furacão Sandy até a costa de Nova Jersey, em outubro de 2012, foi causada por um fluxo de ventos ondulados que ocorria naquela época.

As ondulações podem, às vezes, levar os furacões do Atlântico mais para o oeste, de acordo com o oceanógrafo da NOAA, James Overland, e isso pode aumentar as chances de que as tempestades possam chegar ao continente em vez de se seguirem seu curso para o mar.

“Isso faz com que a terra seja o destino mais provável”, disse ele. Mas a teoria de uma corrente de ventos sinuosa capaz de afetar os percursos de furacões é controversa entre os cientistas. A mudança para uma configuração ondulada prolongada poderia ocorrer quando há menos gelo do que o habitual no Alasca.

O relatório climático da NOAA, compilado por centenas de cientistas em todo o mundo, é “um exame anual para verificar as condições da nossa Terra", segundo Jeff Rosenfeld, editor-chefe do Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia. Rosenfeld disse que o relatório anual estabelece linhas de base - como temperaturas, condições atmosféricas, chuvas e outras medidas - que permitem aos cientistas detectar mudanças nos padrões climáticos.

O relatório observa que o Ártico continua uma tendência de aquecimento em um ritmo muito mais rápido do que no resto do planeta. E o aquecimento se manifestou em algumas tendências preocupantes, incluindo uma perda mais dramática de gelo marinho do que jamais fora observado em 1.450 anos, o estranho congelamento tardio do gelo no Pacífico Ártico, e uma das menores áreas de gelo marinho no inverno. Overland alega que é cedo demais para afirmar que as condições do Ártico terão alguma influência sobre a temporada de furacões deste ano.

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