Verões no gelo: o cotidiano dos brasileiros que trabalham na Antártida

Escalador, um fotógrafo brasileiro vai ao Polo Sul todos os anos para ajudar na segurança de cientistas.

Por Ronaldo Ribeiro
fotografias de Edson Vandeira
Publicado 26 de mar. de 2019 11:35 BRT, Atualizado 5 de nov. de 2020 03:22 BRT

NO PROGRAMA ANTÁRTICO BRASILEIRO (Proantar), escaladores são contratados pela Marinha do Brasil para dar suporte aos cientistas, ser responsáveis pela segurança em campo e garantir a logística nos acampamentos.“No verão, ficamos de dois a três meses no gelo”, conta o fotógrafo paulista e guia de montanha Edson Vandeira, que se dedica às missões desde 2013.

O clima é sempre o grande vilão na Antártida – mesmo no verão, os ventos podem superar os 150 quilômetros por hora. No final de cada dia, os escaladores se reúnem com os pesquisadores para saber o trabalho que pretendem realizar, o local, o tempo e os equipamentos necessários. Com base nessas informações e na previsão meteorológica, eles montam um plano de ação. “Traçamos o caminho mais seguro e vamos monitorando as condições do tempo, que podem mudar de repente”, explica Vandeira. “E ficamos sempre atentos também às condições físicas e psicológicas da equipe, outro fator importante quando estão tão isolados.”

Voltando do trabalho, pesquisadores passam diante de um enorme iceberg que encalhou em frente à estação brasileira na Baía do Almirantado.
Foto de Edson Vandeira

Depois que um incêndio destruiu a antiga Estação Antártica Comandante Ferraz, na Ilha Rei George, em 2012, uma nova base foi edificada e tem previsão de ser inaugurada no próximo verão – um estímulo extra para todos os envolvidos no programa brasileiro.

A ilha é um dos cenários ao redor da Península Antártica, alguns dos quais foram palco de uma aventura épica: a jornada do explorador Ernest Shackleton a bordo do Endurance no início do século 20. O fotógrafo da expedição britânica, Frank Hurley, é uma referência para Vandeira. O esforço de documentação de Hurley, diz ele, “me inspira a estar mais próximo da ação, seja em meio a uma nevasca, seja caçando fósseis de dinossauro, seja em busca de respostas para as mudanças climáticas”.

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