Como a tecnologia está revolucionando as salas de aula na África rural

Tablets inauguram novas oportunidades de aprendizado para mulheres e crianças da tribo Samburu em reserva queniana.Wednesday, January 10, 2018

Por Alexandra E. Petri
Fotos de Ciril Jazbec
Cerca de 50 mulheres Samburu se reúnem todas as semanas para ensinar e aprender na única escola das aldeias. Uma doação de tablets da Kio Kit ajuda a educação a progredir.

A poucas horas de carro ao norte da capital queniana de Nairobi, em uma área remota na Reserva de Samburu, a escola primária de Kiltamany era só um esqueleto: um punhado de longas carteiras de madeira e um pedaço de quadro-negro tentando servir a centenas de estudantes das aldeias vizinhas . Agora, a Escola Primária de Kiltamany tornou-se um exemplo de sucesso de uma sala de aula sem fio e habilitada para tecnologia, graças às mentes emergentes da comunidade tecnológica em expansão do Quênia.

Usando tablets Kio projetados pela empresa de software BRCK, sediada em Nairobi, crianças Samburu – meninos e meninas – estão aprendendo a ler e a desenvolver habilidades matemáticas básicas, entre outros objetivos educacionais, enfatizando a ideia de que o conhecimento é poder e ampliando seu crescimento futuro. Além disso, as mulheres Samburu, cujas tradições e costumes costumam mantê-las em casa, também estão indo à escola, dando um exemplo para seus filhos, fazendo algo que nunca antes conseguiram fazer.

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“Elas querem inspirar seus filhos a levar a educação a sério”, diz o fotógrafo esloveno Ciril Jazbec. Antes da fotografia, Jazbec estudou economia, uma base que lhe serviu em sua busca por contar a história do espírito empreendedor da África – com destaque para as extraordinárias faíscas de criatividade, progresso e planejamento que muitas vezes vão de encontro às ideias estereotipadas a respeito do continente.

Toda viagem começa com um primeiro passo. Para o Quênia e muitos dos países vizinhos, essa jornada começou com a internet de banda larga. Uma década atrás, a África Oriental – e a África em geral – ficava à margem do resto do mundo, desconectadas da internet de alta velocidade que atravessava oceanos, países e continentes para construir uma comunidade global em rede. A região obteve seus primeiros cabos de fibra óptica em 2010, semeando o florescimento das comunidades tecnológicas.

Poucos anos depois, a presença da internet no Quênia cresceu graças à Estratégia Nacional de Banda Larga do governo, uma iniciativa que visa fornecer internet de qualidade a seus cidadãos.

Para as mulheres da tribo Samburu, os avanços tecnológicos permitiram que elas usassem tablets para ampliar suas habilidades e conhecimentos, aumentando o valor da educação nessa tribo tradicionalmente nômade.

As mulheres Samburu esperam em frente a uma sala de aula para começar uma aula de multimídia digital na escola primária de Kiltamany da comunidade de Kalama, na Reserva Nacional de Samburu, no Quênia.

Jazbec diz que seu tempo com os Samburu lhe apresentou contrastes interessantes: uma hora ele fotografava uma sala de aula digital. Na próxima, ele estava de volta à aldeia Samburu, onde eles vivem um estilo de vida tribal tradicional.

“Foi fascinante ver o choque entre cultura, tecnologia e desejo”, diz ele, aludindo à tensão inerente da modernidade e da identidade cultural. Por um lado, as telas estão tomando conta de nossas vidas. Por outro lado, a tecnologia pode ser usada como solução, inspirando e preparando a próxima geração do Quênia a fazer parte da paisagem competitiva global.

Aldeia Samburu à noite.
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