Veja como funciona a ecolocalização – o sonar inerente da natureza

Desde baleias-brancas, morcegos e até humanos, diversos animais emitem sons que rebatem em objetos e auxiliam em seu deslocamento e na caça.

Published 10 de fev de 2021 18:00 BRST
Golfinhos-lisos-do-norte nadam na superfície próximo à Colúmbia Britânica, no Canadá. A ecolocalização é uma estratégia lógica ...

Golfinhos-lisos-do-norte nadam na superfície próximo à Colúmbia Britânica, no Canadá. A ecolocalização é uma estratégia lógica no oceano, onde o som se propaga cinco vezes mais rápido do que no ar.

Foto de PAUL NICKLEN, NAT GEO IMAGE COLLECTION

O SISTEMA DE SONAR PRÓPRIO DA NATUREZA é denominado ecolocalização e ocorre quando um animal emite uma onda sonora que rebate em um objeto, produzindo um eco que fornece informações sobre a distância e o tamanho desse objeto.

Mais de mil espécies empregam a ecolocalização, incluindo a maioria dos morcegos, todos os odontocetos e pequenos mamíferos. Muitos são animais noturnos, escavadores e marinhos que dependem da ecolocalização para encontrar alimento em um ambiente com pouca ou nenhuma luz. Os animais possuem diversos métodos de ecolocalização, desde a vibração da garganta até o bater das asas.

Guácharos noturnos e algumas espécies de salanganas, que caçam em cavernas escuras, “produzem curtos estalidos com sua siringe, o órgão vocal das aves”, explica por e-mail Kate Allen, pós-doutoranda do Departamento de Estudos Psicológicos e Cerebrais da Universidade John Hopkins.

Algumas pessoas também podem fazer uso da ecolocalização estalando suas línguas, comportamento compartilhado apenas por alguns outros animais, incluindo o tenrecídeo, um animal parecido com o musaranho de Madagascar, e o Typhlomys chapensis, espécie completamente cega.

Sinais dos morcegos

Os morcegos são os animais de referência quando se trata de ecolocalização, pois usam seu sonar interno para perseguir presas que voam rapidamente à noite.

A maioria dos morcegos, como o minúsculo morcego-de-água, contrai os músculos da laringe para emitir sons acima do alcance da audição humana — é como se fosse o grito dos morcegos, conta Allen.

Os sons dos morcegos variam muito entre as espécies, o que lhes permite distinguir suas vozes de outros morcegos das redondezas. Seus sons também são específicos para um determinado ambiente e tipo de presa: o morcego-negro “sussurra” na presença de mariposas para evitar ser detectado.

Algumas mariposas, no entanto, desenvolveram suas próprias defesas contra morcegos ecolocalizadores. A borboleta-tigre flexiona o órgão do tímpano de cada lado do tórax para produzir estalos que bloqueiam o sonar dos morcegos e os mantém longe.

Como especialistas em ecolocalização, alguns morcegos podem se concentrar em objetos tão pequenos quanto 0,017 centímetro, aproximadamente a espessura de um fio de cabelo humano. Como insetos estão sempre em movimento, os morcegos precisam emitir sons de ecolocalização continuamente, chegando a emitir 190 sons por segundo. Mas mesmo com presas tão difíceis, os predadores ainda podem comer metade de seu peso em insetos por noite.

Morcegos filostomídeos emitem sons de ecolocalização através de seus focinhos grandes e intrincadamente dobrados, o que ajuda a focalizar os sons que rebatem. Algumas espécies também podem alterar rapidamente o formato da orelha para captar com precisão os sinais recebidos.

Recentemente descobriu-se que alguns morcegos frugívoros, como o morcego Eonycteris spelaea, espécie do sul da Ásia, também emitem estalos ao bater as asas.

Ondas sonoras oceânicas

Ecolocalização é uma estratégia lógica no oceano, onde o som se propaga cinco vezes mais rápido do que no ar.

Golfinhos e outras baleias do grupo dos odontocetos, como a baleia-branca, emitem ecolocalização através de um órgão especializado chamado bursa dorsal, localizado na parte superior de suas cabeças, próximo ao espiráculo.

Um depósito de gordura nessa região, chamado melão, diminui a impedância ou a resistência às ondas sonoras, entre o corpo do golfinho e a água, tornando o som mais claro, explica Wu-Jung Lee, oceanógrafa sênior do Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Washington.

Outro depósito de gordura, que se estende do maxilar inferior da baleia até a orelha, elucida o eco que retorna de uma presa, como peixes ou lulas.

A toninha-comum, presa favorita das orcas,  emite sons de ecolocalização extremamente rápidos e de alta frequência que seus predadores são incapazes ouvir, permitindo-lhe permanecer incógnita.

A maioria dos sons de ecolocalização de mamíferos marinhos são muito agudos para os ouvidos humanos, com exceção dos cachalotes, orcas e algumas espécies de golfinhos, acrescenta Lee.

Locomoção pelo som

Além de caça ou autodefesa, alguns animais emitem ecolocalização para se locomover em seus habitats.

Por exemplo, grandes morcegos-marrons, que são comuns por todas as Américas, usam seu sonar para traçar seu caminho em ambientes barulhentos, como em florestas agitadas com sons de outros animais.

Botos-cor-de-rosa também podem utilizar a ecolocalização para desviar de galhos de árvores e outros obstáculos formados por inundações sazonais, conta Lee.

A maioria dos humanos que emite ecolocalização é deficiente visual total ou parcial e utiliza essa habilidade para realizar suas atividades diárias. Alguns produzem sons, seja com a língua ou com um objeto, como uma bengala, e transitam através do eco resultante. Exames cerebrais em humanos para avaliar a ecolocalização mostram que a parte do cérebro que processa a visão é empregada durante esse processo. (Veja como os deficientes visuais fazem uso do sonar).

“Cérebros não gostam de locais subdesenvolvidos”, esclarece Allen, portanto, para pessoas que não precisam da ecolocalização, “mantê-la requer um gasto metabólico muito alto”.

Mesmo assim, os humanos são notavelmente adaptáveis, e pesquisas revelam que, com paciência, poderíamos aprender a ecolocalização.

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeo

Sobre nós

Inscrição

  • Assine a newsletter
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados