Novo dinossauro é encontrado na Argentina: fóssil tem pescoço longo e bico similar ao de um pato

A nova espécie vivia na Patagônia argentina e podia pesar até 15 toneladas. O fóssil revela mais informações sobre os herbívoros que viviam nesta parte da América do Sul.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 5 de jan. de 2024, 12:23 BRT
Reconstrução de como seria o Sidersaura marae em seu habitat natural.

Reconstrução de como seria o Sidersaura marae em seu habitat natural. 

Foto de GABRIEL DIAZ YANTÉN CONICET

O ano de 2024 começa com a descoberta de uma nova espécie de dinossauro herbívoro para o mundo. Trata-se do Sidersaura marae, um animal herbívoro cujo fóssil foi encontrado por uma equipe de paleontólogos do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) da Argentina. A descoberta foi publicada no último dia 3 de janeiro na revista Historical Biology, especializada no assunto.

Como é a aparência da nova espécie de dinossauro encontrada na Argentina

De acordo com a declaração oficial publicada pelo Conicet, o animal era um rebaquisaurídeo (Rebbachisauridae – dinossauros da superfamília Diplodocoidea do Cretáceo Inferior da América do Sul, África e Europa). Essa espécie é caracterizada por seus focinhos largos como os de um pato, o que lhes permitia se alimentar de vegetação rasteira, e por ter os ossos da coluna vertebral cheios de espaços de ar (como nas aves), que lhes conferia um menor peso.

"Os rebaquisaurídeos foram dinossauros muito importantes nos ecossistemas do Cretáceo e desapareceram no meio desse período em um evento de extinção em massa que ocorreu há 90 milhões de anos", descreveu na declaração oficial Sebastián Apesteguía, pesquisador do Conicet, diretor da Área de Paleontologia da Fundação de História Natural Félix de Azara (que funciona na Universidade Maimônides) e um dos autores do estudo.

Além disso, teria sido um dinossauro herbívoro, quadrúpede, com pescoço e cauda longos. Quanto ao seu tamanho, estima-se que o Sidersaura marae era a maior espécie da família: pesava até 15 toneladas, com um comprimento entre 18 e 20 metros.

Uma característica marcante é a forma estrelada de seus arcos hemais (ossos da cauda), que permite distinguir o Sidersaura de outros dinossauros. "Essa particularidade é o que dá nome à espécie, já que sider significa 'estrela' em latim", explicou Lucas Lerzo, principal autor do estudo e bolsista de doutorado do Conicet no Centro de Ciências Naturais, Ambientais e Antropológicas da Universidade Maimônides.

Os ossos do crânio também dizem muito sobre o animal: eles são robustos, menos delicados do que os de outros parentes próximos e têm um forame frontoparietal (ou seja, um orifício na parte superior do crânio).

Qual é a importância dessa descoberta? Como qualquer outra de seu tipo, ela representa um avanço na compreensão científica do passado no planeta Terra. O artigo publicado na Historical Biology diz que "a presença de um evento de extinção durante o Cretáceo, tão próximo da extinção do grupo, implica que a história evolutiva dos rebaquisaurídeos foi mais complexa do que se pensava anteriormente".

Onde foram encontrados os ossos da nova espécie de dinossauro?

Os restos fósseis do dinossauro, que correspondem a quatro exemplares desse animal, foram encontrados em Cañadón de Las Campanas, uma localidade situada a 20 quilômetros de Villa El Chocón – a pouco mais de uma hora da capital da província de Neuquén, no sul da Argentina, uma das áreas mais renomadas da América do Sul por seu valor paleontológico.

A região está situada na Formação Huincul, uma área geológica que corresponde ao início do período Cretáceo Superior e tem idade estimada entre 96 e 93 milhões de anos, informa o órgão científico.

De acordo com a explicação do Conicet, os primeiros restos de Sidersaura foram descobertos em 2012. No entanto, sua extração levou cinco campanhas anuais de duas a quatro semanas para serem resgatados.

Desde então – e graças a estudos geológicos – os especialistas conseguiram determinar as características do espécime. 

De acordo com o que foi relatado, esses dinossauros morreram em uma área lamacenta próxima a um rio, onde seus restos mortais também se decompuseram e que, com o passar do tempo, foram levados pelas enchentes fluviais locais e extraídos por alguns carniceiros.

Os pesquisadores encontraram, precisamente, vértebras da área sacral e da cauda em articulação parcial, ossos dos membros posteriores, partes do crânio e vértebras soltas da cauda. Além disso, entre os restos ósseos recuperados estava o calcâneo, um dos dois ossos que compõem o tornozelo dos vertebrados terrestres e que, até agora, não havia sido encontrado em rebaquisaurídeos conhecidos.

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