Os muriquis (na foto, um muriqui-do-sul) desempenham um papel fundamental nas florestas. No entanto, estão ameaçados ...

Qual é o maior primata das Américas? Este macaco está ameaçado de extinção

Endêmicos da Mata Atlântica brasileira, esse primata da família dos “macacos do Novo Mundo” costuma ter 1,50 metros de altura e é considerado o maior do continente americano.

Os muriquis (na foto, um muriqui-do-sul) desempenham um papel fundamental nas florestas. No entanto, estão ameaçados de extinção devido ao desmatamento da Mata Atlântica e a caça ilegal.

Foto de Norton Santos CREATIVE COMMONS (CC BY-NC 4.0)
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 19 de jun. de 2024, 12:00 BRT

Os primatas são animais que atraem a curiosidade das pessoas seja na natureza, em livros ou em filmes. Só que há grandes diferenças na classificação de primatas e nem todos são “macacos”, como muita gente generaliza. Há os grandes primatas como os gorilas (os maiores primatas do mundo), os prossímios (como os lêmures) e também os macacos, que se dividem entre os do Velho Mundo e do Novo Mundo. 

Pois é justamente um macaco do Novo Mundo, ou seja das Américas, proveniente da família dos Atelidae, que é considerado  o maior primata do continente americano. Trata-se do muriqui (Brachyteles), que só existe na Mata Atlântica, bioma litorâneo do Brasil (são endêmicos da região) e possuem duas espécies diferentes – com algumas diferenças físicas entre elas, como explica o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) – órgão subordinado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança  do Clima do Brasil.

Descubra, a seguir, as principais características dos muriquis e porque eles estão ameaçados de extinção

(Gosta de animais? Veja também: Quantas espécies de tartarugas marinhas existem e como elas se alimentam?)

1. Existem duas espécies de muriquis 

Os muriquis são primatas do gênero Brachyteles que só ocorrem na Mata Atlântica brasileira. Eles também conhecidos como monos-carvoeiros, já foram chamados de “kupó” pelos índios nativos da região, como conta o ICMBio. Só que há duas espécies de muriquis que se dividem ao longo da vasta Mata Atlântica – um grande bioma que se estende por 17 estados do Brasil: o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus)o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides).

muriqui-do-norte é um dos mais raros primatas e é encontrado em florestas do bioma nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Já o muriqui-do-sul é mais comum no Rio de JaneiroSão Paulo e Paraná, como explica o ICMBio.

2. Apesar de parecidos, o muriqui-do-norte e o muriquis-do-sul têm diferenças físicas

Esses macacos são bem similares, mas possuem diferenças claras de aparência. Segundo o ICMBio, os muriquis-do-norte geralmente têm, quando adultos, a face e a genitália manchadas de rosa e branco, devido a uma progressiva despigmentação ao longo da vida, e possuem o vestígio de um pequeno polegar. Eles são um pouco menores que seus “irmãos” do sul, podendo ter cerca de 1,3 metros de altura e pesar 9 kg

O muriqui-do-norte e o muriqui-do-sul (como o da foto acima) têm diferenças claras na aparência, sendo a coloração do rosto a diferença principal. Devido ao seu grande tamanho (podem chegar a ter 1,5 m), eles são considerados os maiores primatas (não humanos) das Américas.

Foto de Tanja CREATIVE COMMONS (CC BY-NC 4.0)

Já os muriquis-do-sul não sofrem essa despigmentação, mantendo a coloração facial e genital inteiramente preta, além de não possuírem qualquer vestígio do polegar. De acordo com o Animal Diversity Web (ADW) – enciclopédia online mantida pelo Museu de Zoologia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos – os muriquis-do-sul podem chegar a medir 1,5 metrospesar até 15 kg (machos) e 12 kg (as fêmeas). 

Por conta de seu tamanho, os muriquis são considerados os maiores primatas (não humanos) das Américas, já que os outros grandes, como gorilasorangotangosnão são nativos do continente.

3. O comportamento dos muriquis 

Os muriquis são quase totalmente arbóreos e diurnos, como explica a enciclopédia de conhecimentos animais. Além disso, eles são dóceisraramente exibem comportamento agressivo, como relatou a jornalista Paulina Chamorro para uma reportagem exclusiva da National Geographic Brasil sobre o muriqui-do-norte de 2020 intitulada “Como esta cientista trabalha para reabilitar o maior e mais raro macaco das Américas”. O site ADW confirma esse comportamento em todos da espécie Brachyteles, definindo esse macaco como não competitivo na hora de conquistar a fêmea; é um animal que, inclusive, divide a parceira com outros machos. 

Uma curiosidade interessante é que, ao contrário de muitas outras espécies de primatasas fêmeas de muriqui exercem um grande controle nas interações sociais. Como machos e fêmeas têm praticamente o mesmo tamanho, eles não podem intimidar as fêmeas para que se submetam. O ADW ainda explica que os muriquis machos permanecem com seu grupo de origemas fêmeas são as que saem para se juntar a outros bandos. 

4. Os muriquis estão ameaçados de extinção

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    Esses animais têm uma função fundamental nas florestas, pois são conhecidos por auxiliarem na restauração da mata, já que espalham sementes de várias espécies de plantas, como afirma um artigo publicado no “Jornal da USP” (publicação da Universidade de São Paulo). 

    Mesmo sendo tão importantes para a natureza, os muriquis estão ameaçados de extinção segundo a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (Iucn). Com o desmatamento histórico da Mata Atlântica, a espécie foi ao longo do tempo perdendo seu habitat natural – além de sofrer com a caça ilegal da espécie. 

    O ICMBio possui planos de conservação da espécie, que atualmente conta somente com cerca de somente mil indivíduos dos muriquis-do-norte e 1,3  mil dos muriquis-do-sul.

     “É um animal importante biologicamente, pois ele é um dispersor de sementes de grandes espécies de árvores. A extinção dos muriquis, vai a longo prazo empobrecer o número de espécies arbóreas da Mata Atlântica”, afirmou o veterinário Maurício Talebi, professor do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) ao jornal da USP.

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