Um vaga-lume macho é preso na teia de uma aranha tecelã, Araneus ventricosus. Os pesquisadores acreditam ...

Aranhas podem usar vaga-lumes machos como isca viva, imitando um “chamado de acasalamento” mortal

Um novo estudo sugere que as aranhas tecelãs podem manipular os flashes dos vaga-lumes machos presos em suas teias para imitar o chamado de acasalamento de uma fêmea – uma versão aracnídea do "canto da sereia”, que atrai marinheiros para a morte.

Um vaga-lume macho é preso na teia de uma aranha tecelã, Araneus ventricosus. Os pesquisadores acreditam que essas aranhas podem manipular os sinais bioluminescentes que os vaga-lumes usam para encontrar parceiros.

Foto de Xinhua Fu
Por Gennaro Tomma
Publicado 16 de mar. de 2026, 11:18 BRT

As aranhas desenvolveram uma impressionante variedade de técnicas de caça — desde prender suas presas com saliva até construir teias fortes o suficiente para capturar cobras. Agora, pesquisadores descobriram uma tática particularmente maliciosa que algumas aranhas tecelãs podem usar para atrair vaga-lumes para suas teias.

Um novo estudo publicado na revista científica “Current Biology” descobriu que algumas aranhas parecem manipular os sinais luminosos dos vaga-lumes machos que capturaram em suas teias para imitar os sinais das fêmeas. Esse brilhante chamado de amor”, por assim dizer, atrai outros vaga-lumes machos para a teia da aranha, assim como o canto das sereias atrai os marinheiros para a morte.

A ideia de que as aranhas adiam uma refeição para usar suas presas como isca é, por si só, intrigante, diz Dinesh Rao, pesquisador da Universidade Veracruzana que revisou o artigo, mas não participou do estudo. “As aranhas estão sempre com fome, certo? Então, dizer ‘Ok, não vou comer este vaga-lume agora e vou esperar pelo próximo’ é [...] muito interessante.”

Mas, embora Rao e outros especialistas concordem que algo está mudando os padrões de flash dos machos em cativeiro, eles afirmam que são necessárias mais pesquisas para determinar se as aranhas estão realmente por trás disso — e como elas conseguiriam fazê-lo.

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Pesquisadores estão estudando o comportamento bastante peculiar da aranha da espécie Araneus ventricosus: eles acreditam que ...

Pesquisadores estão estudando o comportamento bastante peculiar da aranha da espécie Araneus ventricosus: eles acreditam que ela injeta algum tipo de veneno nos vaga-lumes macho capaz de fazer com que eles pisquem de modo a simular uma vaga-lume fêmea. Desta forma, os insetos capturados por estas aranhas atraíram outros machos para a sua teia.

Foto de Domínio Público/iNaturalist

Quando as aranhas emitem “um chamado de amor mortal”

Enquanto observava teias de aranha em campo em 2004 durante sua pesquisa de doutorado, Xinhua Fu, pesquisador de vaga-lumes da Universidade Agrícola de Huazhong, na China, e principal autor do estudo, notou algo peculiar: apenas vaga-lumes machos eram capturados nas armadilhas mortais das aranhas. Ainda mais estranho, alguns machos presos emitiam sinais luminosos semelhantes aos das fêmeas.

As aranhas tinham algo a ver com esse fenômeno?

Para investigar, Fu e sua equipe partiram para uma vila perto de Wuhan, na China, em uma área de terras agrícolas pontilhada por arrozais e lagoas. Lá, eles decidiram estudar a Araneus ventricosus, uma espécie comum de aranha tecelã que tece uma nova teia todas as noites, quando os vaga-lumes também se tornam ativos.

A equipe capturou vaga-lumes machos com redes e os colocou nas teias de aranha usando pinças finas. Usando câmeras de vídeo, os pesquisadores observaram o que acontecia nas teias em diferentes cenários.

Quando um vaga-lume macho era preso na teia, a aranha primeiro o envolvia e depois o mordia no tórax, injetando uma pequena quantidade de veneno, explicou Fu à National Geographic em um e-mail. Depois disso, a aranha deixava o vaga-lume macho no meio da teiase escondia na margem.

Logo, o vaga-lume preso começou a produzir sinais luminosos semelhantes aos das fêmeas — que consistem em flashes de pulso único — atraindo outros vaga-lumes machos em busca de uma parceira para a teia. Quando o vaga-lume parou de piscar, a aranha repetiu a operação. Fu diz que todo o processo geralmente durava duas horasapós as quais a aranha começava a se banquetear com sua presa.

Fu diz que a equipe ficou surpresa com o comportamento, já que as aranhas são conhecidas por terem uma visão deficiente. Apesar disso, ele diz, parece que elas “ainda conseguem detectar diferentes padrões e intensidades de flash”.

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    “As aranhas são conhecidas por usar mimetismo e sinais enganosos para capturar presas.”

    Pesquisadores buscam mais evidências para explicar o comportamento das aranhas 

    Mas o que realmente causou a mudança nos sinais luminosos dos vaga-lumes? Fu e sua equipe de pesquisadores levantaram a hipótese de que as aranhas estavam manipulando os sinais luminosos dos vaga-lumes de alguma forma — talvez, especulam eles, por meio de seu veneno.

    Mas são necessárias mais evidências para apoiar essa hipótese.

    “No geral, o artigo é muito interessante”, diz Rao. “A única coisa que não me convence totalmente é se a aranha está realmente fazendo algo para alterar o piscar dos vaga-lumes machos.” Ele observa que seria necessário um estudo neurobiológico para entender “o que exatamente está causando a mudança”.

    Kathryn M. Nagel, candidata a doutorado especializada em comportamento de aranhas na Universidade da Califórnia, em Berkeley, concorda. “Parece que algo está alterando os sinais, mas as evidências fornecidas neste estudo não são suficientes para identificar o que especificamente está causando as mudanças”, escreve ela em um e-mail, acrescentando que “são necessárias mais pesquisas para determinar se as ações da aranha [...] estão manipulando diretamente o comportamento de sinalização”.

    Como próximo passo, Fu diz que ele e sua equipe gostariam de estudarcomo o veneno da aranha afeta o controle do piscar dos vaga-lumes”.

    As aranhas são conhecidas por usar mimetismo e sinais enganosos para capturar presas. Algumas espécies de aranhas que caçam outras aranhas, por exemplo, manipulam “sinais da teia para imitar presas capturadas, a fim de atrair a aranha presa para elas”, diz Nagel.

    “Muitas vezes, os artrópodes são considerados organismos ‘simples’, sem comportamentos sofisticados, mas isso não é verdade”, afirma Nagel. “Este estudo, assim como outros semelhantes, destaca como organismos anteriormente menosprezados são capazes de comportamentos complexos e como ainda temos muito a aprender sobre o comportamento das aranhas.”

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