Humanos são responsáveis pelo surgimento acelerado de doenças zoonóticas

Surtos anteriores de doenças zoonóticas já deixaram marcas na história. O que aprendemos com eles, por que estão cada vez mais frequentes e o que podemos fazer para evitá-los?

Publicado 31 de out. de 2021 07:00 BRT
Fresco

Afresco siciliano de 1445, de um pintor anônimo, que representa “O Triunfo da Morte”. A peste bubônica assolou a Europa e causou a morte de 34 a 50 milhões de pessoas — números que representam entre um terço e metade da população.

Foto de Werner Forman, Universal Images Group, Getty

Quando navios mercantes do Mar Negro atracaram em Messina, na região da Sicília, em outubro de 1347, trouxeram uma carga fatal que mudaria o curso da história.

A maioria dos marinheiros a bordo estavam mortos. Os poucos sobreviventes estavam cobertos de pequenas feridas pretas que escorriam pus. Embora as autoridades rapidamente tenham ordenado que todas as pessoas permanecessem a bordo dos “navios da morte”, os ratos presentes no navio já haviam desembarcado. Os roedores e suas pulgas estavam infectados pela Yersinia pestis, a bactéria que causa a peste bubônica.

Nos cinco anos seguintes, a peste bubônica assolou a Europa e causou a morte de 34 a 50 milhões de pessoas — o que representa entre um terço e metade da população da época. Estudiosos da Universidade de Paris culparam uma assustadora “conjunção tripla [astrológica] de Saturno, Júpiter e Marte” pela propagação da doença.

Quase sete séculos depois de a peste bubônica ter atingido a Europa, outra pandemia está se alastrando. Desta vez, os cientistas sabem que a pandemia é causada por um vírus. Atualmente temos a moderna teoria dos germes e o sequenciamento genético avançado, que são as ferramentas necessárias para estudar as fraquezas do vírus e conter sua disseminação. No entanto, os registros atuais de mortos por covid-19 ultrapassam 4,8 milhões de pessoas. Segundo especialistas, os números reais são muito mais altos.

Fabian Leendertz manipula um morcego durante uma operação de captura e amostragem. Três espécies de morcegos frugívoros são historicamente consideradas como possíveis hospedeiros reservatórios do vírus ebola.

Foto de Pete Muller, National Goegraphic

Surtos fatais e novas doenças desafiaram a existência humana ao longo da história, impactando profundamente a economia, a cultura e o comércio, levando líderes mundiais à morte e derrubando impérios, observa David Morens, especialista em doenças zoonóticas do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. Grande parte dos vírus e bactérias que causaram esses surtos existiram por milênios sem causar danos generalizados. O que mudou esse paradigma foi o comportamento humano. “Poucas pessoas sabem que o sarampo, a peste e outras doenças datam de milhares de anos e têm origens no período neolítico”, diz ele.

O crescimento da população humana, a crescente globalização e os danos ambientais estão acelerando os processos de zoonoses, explica William Karesh, vice-presidente executivo da EcoHealth Alliance, uma organização sem fins lucrativos com sede em Nova York que estuda zoonoses — doenças transmitidas de animais para humanos. “As leis da biologia não mudaram, mas as condições para a transmissão mudaram drasticamente”, afirma Karesh.

Como resultado, taxas sem precedentes de doenças zoonóticas estão surgindo entre humanos, como vírus de Marburg, gripe aviária, aids, síndrome respiratória aguda grave (SRAG), vírus nipah, gripe suína, ebola, doença de Lyme, chikungunya, vírus zika, dengue, febre de Lassa, febre amarela e, mais recentemente, a covid-19. Todo ano, cerca de 2,5 bilhões de pessoas são infectadas por doenças zoonóticas. Como muitas dessas doenças não têm cura, acarretam a morte de cerca de 2,7 milhões de pessoas por ano, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Ao contrário dos séculos anteriores, em que a transmissão de doenças era mais lenta, hoje é possível que um infectado embarque em um avião e transmita a doença pelo mundo antes mesmo de apresentar sintomas. A covid-19 surgiu na China há apenas 21 meses e, desde então, já foram relatados casos de infecção em 223 países e territórios. Os humanos também permitiram que carrapatos e mosquitos transmissores de doenças expandissem suas áreas de distribuição por meio das mudanças climáticas. Conforme o planeta aquece, esses insetos migram para novos territórios.

O problema é que esquecer as lições passadas de surtos de doenças se tornou recorrente na história humana, afirma Morens. “Quase todos os especialistas que eu conheço acreditam que isso vai continuar acontecendo porque o problema não são os germes: o problema é o comportamento humano, certo?”

A revolução neolítica

Do ponto de vista de um patógeno, o benefício de ter hospedeiros vulneráveis começou há 12 mil anos, durante a Revolução Neolítica. Pequenos bandos de nômades que raramente entram em contato com outras pessoas não podem gerar uma pandemia. Mas, assim que caçadores-coletores mudaram seu meio de subsistência para a agricultura e se reuniram em grandes assentamentos, os micróbios infecciosos evoluíram.

As condições para infecções eram muito favoráveis. Os colonos compartilhavam a terra com espécies de animais selvagens. Eles domesticaram lobos e, posteriormente, passaram a realizar a pecuária de espécies como ovelhas selvagens, cabras e vacas; os depósitos de grãos atraíram roedores infectados por pulgas e carrapatos; e a água parada em poços e sistemas de irrigação propiciaram os mosquitos.

O contato próximo entre esses seres ocasionou a troca de patógenos e parasitas, permitindo que doenças zoonóticas transpusessem a divisão darwiniana entre animais e humanos. Cerca de 60% das doenças que mais matam humanos têm origem animal, como a varíola, a cólera e a gripe. “Algumas delas podem ter tido contato com humanos diversas vezes antes de efetivamente causarem infecção”, diz Timothy Newfield, professor da Universidade de Georgetown que estuda a história das epidemias.

Algumas doenças usam “hospedeiros intermediários” como parte de sua transição entre as espécies. O gado frequentemente papel é um intermediário entre animais selvagens e humanos. Um exemplo é o vírus nipah, que foi transmitido de morcegos frugívoros selvagens para porcos domesticados e posteriormente para humanos na Malásia, em 1998. O gado às vezes se torna reservatório de doenças, como da tuberculose, que é transmitida entre humanos e vacas, dentre os quais alguns indivíduos podem abrigar a bactéria causadora da doença, permitindo que a tuberculose continue sendo transmitida entre as espécies.

Ainda assim, uma série de fatores devem ocorrer quando os patógenos encontram um novo hospedeiro, explica Morens. O nível de contágio, a transmissibilidade da doença e a disponibilidade de hospedeiros apropriados são fatores determinantes para que uma doença se torne ou uma infecção inofensiva, como acontece com a maioria, ou cause um surto alarmante.

Vítimas da gripe espanhola em leitos de um hospital no campus da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade do Estado do Colorado, em Fort Collins, em 1918.

Foto de American Unofficial Collection of World War I Photographs, PhotoQuest, Getty

O aumento dos surtos zoonóticos

Relatos históricos indicam vestígios de pandemias antigas. Tabletes mesopotâmicos cuneiformes, os mais antigos escritos do mundo, descrevem a praga e a peste que assolaram a região em 2000 a.C. Nesses escritos, os causadores das doenças são deuses furiosos ou, às vezes, demônios chamados de “a mão de um fantasma”, explica Troels Pank Arbøll, assiriólogo da Universidade de Oxford. Conjunções astrológicas relacionadas ao planeta Marte, que estava ligado ao deus assírio da morte, poderiam prenunciar uma epidemia.

Os textos cuneiformes descrevem como reverenciados curandeiros diagnosticavam os pacientes. Exorcistas — ou médicos, sempre do sexo masculino — combinavam o exame físico com as observações ambientais, que podiam se manifestar através de qualquer coisa, desde uma porta rangendo na casa até o aparecimento de animais. O modo como esses animais se moviam indicava seu impacto: se viessem da direita, prenunciavam coisas boas; se viessem da esquerda, significava mau agouro, diz Troels.

Depois os curandeiros consultavam “oráculos” escritos para criar e administrar remédios à base de ervas, que eles aplicavam como cataplasmas ou aplicavam no devido orifício do corpo. Eles entoavam encantamentos e orações para apaziguar as divindades e dissipavam ritualmente os sintomas, derretendo uma estatueta do paciente no fogo ou jogando-a no rio.

A única advertência contra doenças zoonóticas apresentada nos tabletes é sobre tomar cuidado com cães raivosos. Mas existem outras evidências antigas. A varíola é descrita nos primeiros escritos indianos, chineses e egípcios. Quando os arqueólogos descobriram a múmia do antigo faraó egípcio Ramsés V, em 1898, encontraram sua pele cheia de cicatrizes. A múmia de Ramsés V e outras duas múmias revelaram que a varíola existe há pelo menos três mil anos. Os pesquisadores observam que a doença que acometeu o faraó pode ter sido transmitida do vírus da varíola presente em roedores; os quais também são reservatórios para a varíola bovina e a varíola do camelo.

Uma das primeiras pragas documentadas da história — a virulenta peste de Atenas — devastou a Grécia antiga de 430 a 425 a.C. Com o crescimento de assentamentos e cidades, infecções se tornaram mais comuns e as pessoas passaram a desenvolver resistência às doenças locais. Depois disso, começaram a viajar, transmitindo os germes involuntariamente pelo mundo antigo em um processo que Morens chama de “poluição de patógenos”.

Acredita-se que a peste de Atenas tenha chegado pelo transporte marítimo, assolando uma cidade propícia para o contágio. Na época, Atenas estava envolvida em uma guerra com a vizinha Esparta e a cidade estava repleta de refugiados.

O historiador Tucídides viveu em Atenas durante a peste e detalhou vividamente os sintomas: febre, boca sangrando, olhos vermelhos, tosse, vômito, disenteria e sede insaciável. As peles ficavam avermelhadas e possuíam erupções e úlceras. A maioria das pessoas morreu em uma semana. O sofrimento causado pela doença “parecia quase além da capacidade da natureza humana de suportar”, escreveu Tucídides em História da Guerra do Peloponeso.

Até mesmo os animais necrófagos evitavam os cadáveres. Envolta em um espectro de morte, a cidade mergulhou em uma “anarquia sem precedentes... a catástrofe foi tão avassaladora que as pessoas, sem saber o que aconteceria a seguir, tornaram-se indiferentes a todas as leis ou normas religiosas”, escreveu Tucídides.

Essa misteriosa peste ainda não foi identificada, embora os especialistas sugiram que pode se tratar de antraz, varíola, tifo ou qualquer uma de tantas doenças infecciosas. Seja lá qual tenha sido a doença, a peste de Atenas aniquilou milhares de pessoas, e uma Atenas enfraquecida foi derrotada por Esparta em 404 a.C.

Alterando a história com surtos de doença

Nos séculos seguintes, ondas devastadoras de peste bubônica, sarampo e varíola aniquilaram um grande número de pessoas em três continentes.

“Isso mostra como o mundo estava interligado há dois mil anos”, diz Lucie Laumonier, historiadora da Universidade Concordia de Montreal. A Rota da Seda e os navios mercantes ligavam a Europa ao norte da África e à Ásia, criando grandes oportunidades para micróbios, alterando a história humana à sua própria maneira a cada surto.

Uma pandemia pode ter acelerado a queda do Império Han em 160 d.C. Apenas cinco anos depois, os exércitos romanos, retornando da Ásia Ocidental para Roma, trouxeram consigo uma doença desconhecida que causou a peste antonina. Essa peste provocou a morte do imperador Marco Aurélio e de outros cinco milhões de romanos, devastando o império, impactando tanto os militares quanto a agricultura e esvaziando os cofres do estado.

A praga de Justiniano atingiu Constantinopla, atual Istambul, durante o século 6. Essa foi a primeira de três pandemias de peste bubônica e pneumônica. Essas pandemias estão entre os eventos biológicos mais fatais da humanidade, afirma Timothy Newfield, da Universidade de Georgetown.

O historiador Procópio, que narrou cuidadosamente o reinado do imperador Justiniano, escreveu que “houve uma peste, pela qual toda a raça humana quase foi aniquilada”. O historiador conta que essa peste veio do Egito, através do transporte de trigo para Constantinopla. Esse cenário era possível: as remessas de grãos naquela época poderiam transportar roedores e pulgas portadores de pragas.

Os exércitos mongóis podem ter sido responsáveis pela pandemia de peste bubônica que se seguiu, levando ratos infestados de pulgas da Ásia Central para a Ucrânia em 1346, durante o cerco de Kaffa. Alguns historiadores acreditam que os mongóis utilizaram uma estratégia de guerra biológica e catapultaram cadáveres infectados sobre as muralhas da cidade para infectar os que estavam do outro lado. No entanto, as evidências são limitadas e críticos questionam essa ideia.

De qualquer forma, os sobreviventes fugiram, navegando do Mar Negro para Gênova e Messina trazendo a peste bubônica com eles. Em três anos, a doença já havia chegado à Inglaterra, Alemanha e Rússia.

Em 1348, o poeta italiano Giovanni Boccaccio descreveu a peste bubônica como uma doença que “se precipitaria sobre suas vítimas com a velocidade de um fogo que percorre regiões secas ou substâncias inflamáveis... Abcessos, tanto na virilha quanto sob as axilas... chegavam ao tamanho de uma maçã, outros do tamanho de um ovo.” Esses bubões ficavam pretos e roxos e expeliam sangue e pus. As vítimas tremiam de febre, sofriam com dores e problemas digestivos.

Para tentar curá-los, os médicos praticavam sangria e vômito induzido. A maioria dos infectados sucumbiu rapidamente. “A escala de mortalidade era diferente de tudo que possamos imaginar”, diz Newfield.

A superstição prevalecia. Algumas pessoas acreditavam que movimentos planetários, ar poluído ou água envenenada poderiam ser a causa dessa pestilência fatal. Muitos acreditavam que se tratava de um castigo de Deus. Outras pessoas culpavam grupos minoritários, diversos deles foram expulsos, torturados ou mortos. “O impulso para encontrar bodes expiatórios é muito, muito antigo”, comenta Newfield.

Enquanto isso, ratos e pulgas prosperavam em cidades sem coleta regular de lixo. Eles ficavam debaixo de tapetes feitos de junco e mordiscavam as sobras que eram jogadas para cães e gatos de estimação. O papel dos ratos na pandemia passou despercebido, assim como os piolhos, que também podem ter sido portadores de doenças.

De volta à Ásia, a praga matou cerca de 16 milhões de pessoas. Como as pandemias limitam as viagens e o comércio, essa praga fez com que os mongóis perdessem o controle da Pérsia e da China, o que acabou por dissipar o Império Mongol.

Antigas raízes da prevenção

O medo do contágio durante o segundo surto de peste gerou medidas de prevenção que ainda são praticadas atualmente.

Em 1377, no porto veneziano de Ragusa (atual Dubrovnik, na Croácia), as autoridades abriram um local fora da cidade para tratar os residentes doentes. Eles também isolaram todos os navios e caravanas terrestres por 30 dias antes de permitir a entrada de viajantes na cidade. Posteriormente, o isolamento se estendeu para 40 dias, dando origem a “quarentena”. Essas medidas se tornaram os fundamentos do distanciamento social preventivo medieval.

Ainda assim, a praga se atenuou e se intensificou durante os 400 anos seguintes. Um surto agressivo que ocorreu em 1664, em Londres, ficou famoso pelas “carroças de mortos”, que passavam pelas ruas de paralelepípedos com os carroceiros gritando “tragam seus mortos”, retratado na série televisiva Monty Python. A última das três pandemias de peste bubônica começou na província chinesa de Yunan, por volta de 1855, e durou até 1960.

Foi durante esse período, no ano de 1894, que o cientista suíço Alexandre Yersin descobriu a causa bacteriana da doença. Quatro anos depois, Jean-Paul Simond rastreou a transmissão da doença de roedores para pulgas e por conseguinte humanos. Quando a peste bubônica cruzou o Pacífico e chegou a São Francisco, em 1900, as autoridades ignoraram o que a ciência já havia revelado, colocando os imigrantes asiáticos em quarentena.

Em 1897, os cientistas desenvolveram um protótipo de vacina; uma versão mais eficaz surgiu em 1931, e o tratamento com antibióticos se mostrou eficaz em 1947. Com essas ferramentas em mãos, a peste em humanos pode ser controlada e grandes surtos são muito menos prováveis. No entanto, essas bactérias ainda estão circulando na natureza. A peste voltou às manchetes em agosto deste ano, depois de ser detectada em esquilos no Lago Tahoe, no estado da Califórnia, forçando o fechamento de alguns destinos turísticos.

Pessoa visita o ‘In America: Remember’, instalação de arte pública perto do Monumento a Washington, no National Mall, na segunda-feira, 20 de setembro de 2021, em Washington.

Foto de Kent Nishimura, Los Angeles Times via Getty

Surtos virais modernos

Vários outros vírus também assolam a humanidade; a varíola está entre os mais fatais. Desde os tempos do Antigo Egito, “o monstro salpicado” infectou o Velho Mundo, muitas vezes deixando os sobreviventes com cicatrizes horríveis ou cegos. A doença dizimou de 25% a 40% das vítimas, incluindo faraós, nobres e realeza: O Imperador Shunzi da China (1661), a Rainha Maria II da Inglaterra (1694), o Imperador dos Habsburgos Joseph I (1711), Czar Pedro II da Rússia (1730) e Luís XV da França (1774), entre outros. Acredita-se que o imperador Komei, do Japão, tenha sucumbido à varíola em 1867. A Rainha Elizabeth I da Inglaterra e o presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, quase não sobreviveram à infecção.

Em contrapartida, o Novo Mundo se encontrava menos afetado por doenças pandêmicas, possivelmente porque os povos indígenas da América domesticaram menos espécies de animais, o que diminuía as chances de os germes se aproximarem dos humanos. Mas isso acabou quando os conquistadores chegaram com os germes eurasianos pelo Atlântico. O hueyzahautal — ou “grande erupção” — de varíola surgiu no México em 1520 e se espalhou pela América do Sul, causando a morte de cerca de 3,5 milhões de pessoas, incluindo o imperador asteca Cuitláhuac e o imperador inca Huayna Capac. A doença ocasionou o colapso para ambos os impérios e facilitou as conquistas espanholas.

“A era da exploração pode ser mais apropriadamente chamada de era da devastação microbiana global”, diz Morens.

De fato, um aumento exponencial da população humana, que também começou por volta de 1500, trouxe consigo um aumento acentuado de epidemias e pandemias perigosas.

Em 1793, o governo do presidente George Washington enfrentou a “peste americana” — a febre amarela. O país inteiro foi infectado pela doença durante os seis anos seguintes. Em 1832, uma pandemia de cólera espalhou-se da Índia para a Europa, matando mais de 18 mil pessoas. A devastadora pandemia de gripe, que surgiu em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial, causou a morte de pelo menos 50 milhões de pessoas em todo o mundo. De 1900 até hoje, o mundo conheceu assassinos microbianos que vão desde HIV, gripe suína H1N1, vírus zika e coronavírus infecciosos que ainda estão causando problemas.

Ainda assim, não existe uma estratégia global de prevenção de pandemias. Morens observa que, desde o surgimento da covid-19, no fim de 2019, há muitas discussões sobre a necessidade de maior vigilância, comunicação internacional e desenvolvimento de vacinas. Mas ainda há poucos debates relacionados à redução das atividades humanas que aumentam o risco de doenças perigosas, afirma Morens. Essas atividades são, por exemplo, desmatamento, invasão de ecossistemas e consumo de animais selvagens. Atividades como essas colocam a vida selvagem, o gado e os humanos em contato próximo.

A cooperação global em um esforço conjunto em prol da saúde de todos é necessária para prevenir a próxima pandemia, diz Steve Osofsky, diretor do Centro Cornell de Saúde de Vida Selvagem em Ithaca, Nova York. É uma perspectiva que “reconhece as relações entre nossa própria saúde, a saúde dos animais domésticos e selvagens e como tudo isso é sustentado pela gestão ambiental”, salienta ele. Osofsky acrescenta que essa estrutura protegerá tanto os humanos quanto a natureza, mas exige a colaboração de um amplo espectro de especialistas, desde médicos, veterinários, epidemiologistas, zoólogos, líderes empresariais, povos indígenas até profissionais da agricultura, saúde pública e meio ambiente. “A maneira como tratamos a natureza tem influência direta em nosso futuro”, conclui Osofsky.

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