Dia Mundial do Coração: 7 hábitos para manter seu coração saudável

Algumas práticas contribuem significativamente para reduzir os riscos cardíacos e manter um coração saudável.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 29 de set. de 2022 12:37 BRT
Vendedor de balões em formato de coração pelas ruas de Cabul, no Afeganistão.

Vendedor de balões em formato de coração pelas ruas de Cabul, no Afeganistão.

Foto de Kiana Hayeri

Apesar de ter o tamanho equivalente ao de um punho fechado, o coração humano possui uma responsabilidade essencial para a vida: bombear oxigênio e nutrientes por todo o corpo.

Mas ele está altamente suscetível a doenças cardiovasculares (DCV). De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), morrem mais pessoas desse tipo de enfermidade, a cada ano, do que de qualquer outra causa. Isso apesar de já se conhecer os benefícios dos hábitos de vida saudável para minimizar os riscos de DCV.

Pensando em combater os perigos que a saúde do coração enfrenta, a Federação Mundial do Coração (FMC) estabeleceu o Dia Mundial do Coração, celebrado todo 29 de setembro. A data promove a prevenção de doenças cardíacas e propõe um estilo de vida que ajude na longevidade do órgão e, consequentemente, da vida. 

Como funciona o coração

“O coração trabalha impulsionando o sangue através de dois movimentos: a sístole e a diástole”, informa João Vicente da Silveira, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em entrevista à National Geographic.

A sístole é um movimento de contração pelo qual o sangue é bombeado para dentro do corpo, e a diástole, o movimento de relaxamento muscular no qual o coração se enche de sangue.

Todo esse fluxo sanguíneo se dá através do sistema circulatório – formado pelo próprio coração e pelos vasos sanguíneos que levam o sangue dentro. "É através dos vasos que o sangue bombeado transporta oxigênio e nutrientes para tecidos e outros órgãos, enquanto também leva resíduos metabólicos como dióxido de carbono (CO2)", explica o WHF.

A função circulatória é essencial para manter vivos os tecidos e garantir suas funções, afirma João Fernando Monteiro Ferreira, cardiologista do Instituto do Coração, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e presidente do Conselho de Administração da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Portanto, se este órgão for alterado de alguma forma, todo o organismo pode ser afetado. 

101 | Coração
Em média, o coração humano bate mais de 3 bilhões de vezes durante sua vida. Saiba mais sobre a anatomia deste órgão vital.

O que são doenças cardiovasculares?

De acordo com Ferreira, as doenças cardiovasculares (DCV) são um grupo de condições que afeta o coração e os vasos sanguíneos, e entre as quais a FMC destaca:

1. A cardiopatia coronariana, também conhecida como doença isquêmica do coração, é o tipo mais comum de DCV. Refere-se a problemas cardíacos causados pelo estreitamento das artérias coronárias que fornecem sangue para o músculo cardíaco.

2. Ataque cardíaco ou infarto do miocárdio, que ocorre quando algo, geralmente um coágulo, corta o fluxo de sangue para o coração. Este evento pode não ser fatal, especialmente se a pessoa receber atenção médica e tratamento imediato, mas ainda pode causar danos duradouros ao coração.

3. AVC ou derrame, que ocorre quando o suprimento de sangue para o cérebro é interrompido, fazendo com que o cérebro perca seu suprimento vital de oxigênio e nutrientes. Um derrame pode ser causado por um coágulo de sangue na artéria cerebral ou quando um vaso sanguíneo no cérebro irrompe e sangra, danificando o tecido cerebral.

A OMS, por sua vez, menciona outras doenças cardíacas como importantes, entre elas a doença coronariana, que afeta os vasos sanguíneos que fornecem o músculo cardíaco; a doença cerebrovascular, que danifica os vasos que fornecem o cérebro; e a doença arterial periférica – uma doença dos vasos sanguíneos que irrigam os braços e pernas.

Há também a doença cardíaca reumática, um dano ao músculo cardíaco e suas válvulas causado por febre reumática infringida por uma bactéria chamada estreptococo.

Outras enfermidades que merecem cuidado e atenção, de acordo com a FMC são a doença cardíaca congênita, as malformações da estrutura do coração desde o nascimento – e que afetam seu desenvolvimento e funções normais –, a trombose venosa profunda, a embolia pulmonar e os coágulos de sangue nas veias das pernas, que podem se romper e se mover para o coração e os pulmões.

Quais são os principais fatores de risco que afetam o coração?

Há uma série de patologias e fatores de risco que podem afetar a saúde do coração. Entre as primeiras, o cardiologista João Vicente da Silveira lista a hipertensão, o diabetes, a obesidade e o colesterol como os principais. 

Por outro lado, a ingestão abusiva de sal, açúcar e farinha branca causa inflamação do endotélio (o revestimento das artérias através das quais o sangue circula) e, ao longo dos anos, contribui para a formação de placas de colesterol que levam ao infarto agudo do miocárdio.

O especialista menciona ainda certos fatores de risco que prejudicam o coração, como fumar, ter um estilo de vida sedentário, possuir história familiar de doenças cardíacas, passar por estresse emocional crônico, ter sentimentos de raiva, angústia e depressão, além do consumo diário de álcool e outras drogas. 

7 dicas para prevenir doenças coronarianas

Embora alguns fatores de risco, como o histórico familiar, não possam ser modificados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que a maioria das doenças cardiovasculares podem ser prevenidas ao se seguir certos hábitos e comportamentos.

Entre os mais importantes, destacam os especialistas: 

1. Manter uma dieta saudável e equilibrada

Silveira aconselha comer alimentos saudáveis, como legumes e cereais. Ele sugere evitar sal e comidas picantes que contribuem para a alta pressão arterial, e enfatiza a importância de beber de dois a três litros de água todos os dias.

2. Fazer exercícios regulares 

De acordo com a Opas, as pessoas que não realizam atividade física suficiente "têm entre 20% e 30% mais probabilidade de morrer prematuramente do que aquelas que praticam". O cardiologista Silveira não recomenda uma prática específica, mas sugere a escolha de uma atividade que a pessoa considere agradável de ser feita.

3. Não fumar

Estima-se que a exposição ao tabaco seja responsável por 10% de todas as mortes por DCV. Ao deixar de fumar, o risco de doença coronariana se reduz pela metade dentro de um ano, explica o FMC. A agência também recomenda que se evite a exposição à fumaça do cigarro.

4. Evitar o álcool 

Não existe um nível seguro para beber álcool, e seus efeitos nocivos superam de longe qualquer benefício protetor possível. Embora beber menos possa reduzir o risco de DCV, as evidências mostram que a situação ideal de saúde é não beber de forma alguma. 

5. Fazer check-ups médicos regulares 

O hábito ajuda a determinar e controlar o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Entre as medidas mais importantes de se verificar em exames de saúde estão a pressão arterial e os níveis de colesterol e açúcar no sangue.

6. Controle do estresse 

De acordo com a FMC, o estresse pode causar constrição das artérias – o que aumenta o risco de doenças cardíacas, especialmente nas mulheres. Para combater isso, sugere-se: exercícios, respiração profunda, relaxamento muscular e atividades que gerem maior prazer.

7. Consultar um profissional de saúde e tomar medicamentos prescritos

Os pacientes com risco aumentado de desenvolver doença cardíaca ou acidente vascular cerebral talvez precisem tomar medicamentos para reduzir o risco de desenvolver estes problemas. Portanto, a FMC recomenda consultar um especialista e tomar o medicamento prescrito de forma correta.

A entidade informa ainda que abordar apenas um fator, como fazer mais exercícios, vai ajudar no processo de prevenção, mas para reduzir significativamente o risco de DCV é importante considerar uma mudança de estilo de vida como um todo.

Além disso, se a pessoa já foi diagnosticada com doença cerebrovascular, permanecer saudável e ativo pode ajudá-la a viver mais tempo e reduzir as chances de agravamento da condição cardíaca.

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