O que sabemos de décadas de investigações governamentais sobre ovnis

Objetos voadores misteriosos, alegações de naves espaciais alienígenas acidentadas. Os EUA passaram décadas investigando o desconhecido. Aqui está o que eles encontraram.

Por Joel Mathis
Publicado 10 de jul. de 2023, 10:11 BRT
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Esta imagem divulgada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostra um encontro em 2004 entre dois caças da marinha norte-americana e um objeto desconhecido perto de San Diego. Mas será que avistamentos de ovnis como esse são um sinal de vida extraterrestre ou espiões de uma nação rival? Ou apenas um fenômeno climático? 

Foto de DEPARTMENT OF DEFENSE The New York Times, Redux

Há algo estranho no céu. Seriam os ovnis? Objetos voadores não identificados têm sido muito noticiados ultimamente após uma denúncia de que os Estados Unidos haviam descoberto os restos de uma espaçonave alienígena que caiu. 

O Pentágono negou a denúncia, mas o Congresso dos EUA continuou interessado no tema. Em junho, o Comitê de Supervisão da Câmara anunciou que realizará uma audiência sobre ovnis, ou como o governo dos EUA os chama: fenômenos aéreos não identificados (UAPs).  "Além das recentes alegações de um denunciante", disse um porta-voz do comitê, "continuam a surgir relatos sobre fenômenos anômalos não identificados".

Esses relatos vêm surgindo há décadas. A era moderna de avistamentos e investigações de ovnis começou após a Segunda Guerra Mundial com um aumento repentino de relatos inexplicáveis.

As autoridades norte-americanas não sonhavam necessariamente em encontrar extraterrestres em suas investigações. Com o início da Guerra Fria com a União Soviética, os líderes americanos temiam que os ovnis representassem uma ameaça de uma nação rival. Os alienígenas nunca invadiram, embora novos avistamentos aconteçam o tempo todo, assim como as investigações sobre esses relatos. 

Como manter o controle de tudo isso? Aqui está uma linha do tempo de nosso fascínio contínuo por ovnis.

1947-1969: Projeto Blue Book

Ao longo de duas décadas, a Força Aérea dos EUA catalogou 12 618 avistamentos de ovnis como parte do que hoje é conhecido como Projeto Blue Book. Isso inclui luzes, objetos e leituras de radar inexplicáveis relatadas por pilotos militares e civis, observadores meteorológicos, astrônomos e outras fontes.

O projeto foi encerrado em 1969, depois que um estudo da Universidade do Colorado concluiu que não havia evidências de que os ovnis viessem de outros mundos e que a maioria dos avistamentos poderia ser explicada por fenômenos naturais ou até mesmo por fraudes. "Nossa conclusão geral é que, nos últimos 21 anos, o estudo dos ovnis não trouxe nada que tenha contribuído para o conhecimento científico", disse o líder do estudo, Edward U. Condon. Segundo ele, "não é possível justificar mais investigações". 

Ainda assim, os rumores e avistamentos persistiram – às vezes para o incômodo dos investigadores originais. A Força Aérea anunciou em um informativo de 1985 que "não há, nem nunca houve, visitantes ou equipamentos extraterrestres na Base da Força Aérea de Wright-Patterson", onde a investigação estava sediada.

1995: Senador dos EUA se interessa por ovnis

O relatório Condon não acabou com o interesse pelos ovnis. Os chamados ufologistas passaram as décadas seguintes fazendo solicitações de registros abertos aos órgãos federais para descobrir o que se sabia sobre os avistamentos.

Em 1995, o empresário Robert Bigelow reuniu um pequeno grupo em Las Vegas para discutir a possibilidade de vida extraterrestre: ele chamou o grupo de National Institute for Discovery Science. Entre os participantes estavam dois ex-astronautas, Ed Mitchell e Harrison Schmitt, e um senador dos EUA: Harry Reid, democrata de Nevada.  

"Muitas pessoas disseram que isso arruinaria minha carreira", disse Reid mais tarde. Isso não aconteceu. Reid acabaria se tornando uma figura importante na condução da investigação do governo dos EUA sobre ovnis.

2004: Um encontro ao largo de San Diego

Em novembro de 2004, dois pilotos da Marinha em uma missão de treinamento receberam ordens para interceptar uma nave misteriosa. Eles viram – e capturaram em vídeo – uma nave incomum de formato oval, com cerca de 12 metros de comprimento, pairando sobre o Oceano Pacífico a cerca de 160 quilômetros de San Diego. 

Ela se afastou rapidamente antes que os pilotos pudessem se aproximar. "Não faço ideia do que vi", disse um dos pilotos, o comandante David Fravor, na época. "Ele não tinha plumas, asas ou rotores, e ultrapassou nossos F-18s." 

2007: Uma nova investigação do Pentágono

Com o apoio de Reid – agora líder da maioria no Senado dos EUA – o Pentágono lançou o Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais para investigar a última rodada de avistamentos.

"O que era considerado ficção científica agora é fato científico", disse a agência em documentos informativos. O programa foi dirigido por um funcionário da inteligência militar, Luis Elizondo, e trabalhou em conjunto com uma empresa de pesquisa aeroespacial dirigida por Bigelow. 

2014: Uma quase colisão na Costa Leste

Em uma série de incidentes ocorridos durante esse período, os pilotos da Marinha relataram – e fizeram gravações em vídeo – uma série de encontros com naves não identificadas perto da Flórida e da Virgínia que podiam atingir grandes altitudes e velocidades hipersônicas. Um piloto relatou uma quase colisão em 2014.

Outro piloto disse mais tarde ao programa 60 Minutes que as naves eram difíceis de explicar. "Você tem rotação, você tem grandes altitudes. Você tem propulsão, certo? Eu não sei. Não sei o que é, francamente." 

Uma possibilidade? Uma nave espiã de outro país. 

2017: Ovnis tornam-se tema público

Esses incidentes e investigações, em sua maioria, não foram divulgados para o público em geral, até dezembro de 2017, quando o New York Times relatou a existência do Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais do Pentágono. Embora as autoridades do Pentágono tenham dito que o programa havia terminado em 2012, Elizondo disse ao jornal que continuou seu trabalho informalmente com a cooperação da Marinha e da CIA até sua demissão no outono de 2017. 

Isso provocou uma nova onda de interesse em ovnis entre o público, a mídia e até mesmo entre os cientistas. 

2020: Olhar científico para os ovnis

Em julho de 2020, Ravi Kopparapu e Jacob Haqq-Misra – um cientista da Nasa e um astrobiólogo, respectivamente – escreveram na Scientific American que era hora de rever as conclusões do relatório Condon. "Talvez alguns, ou até mesmo a maioria, dos eventos UAP sejam simplesmente aeronaves militares classificadas, formações meteorológicas estranhas ou outros fenômenos mundanos mal identificados", escreveram eles. "No entanto, ainda há uma série de casos realmente intrigantes que talvez valha a pena investigar." 

Em agosto de 2020, o Pentágono anunciou a Força-Tarefa de Fenômenos Aéreos Não Identificados para "melhorar sua compreensão e obter insights sobre a natureza e as origens" dos objetos não identificados.

2021: Relatório do DNI

Em abril de 2021, a marinha norte-americana confirmou o vídeo de objetos não identificados perseguindo navios de guerra dos EUA perto da Califórnia. O incidente seria adicionado à lista de avistamentos sob investigação.

Em junho, o gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (DNI, na sigla em inglês) divulgou sua "avaliação preliminar" dos avistamentos de ovnis de 2004 a 2021. O relatório sugeriu que os ovnis, agora conhecidos como UAPs, poderiam se enquadrar em cinco categorias prováveis: fenômenos atmosféricos naturais, programas de desenvolvimento aeroespacial público e privado, sistemas adversários estrangeiros e “OUTROS”. O relatório afirma que é necessário mais financiamento e relatórios. 

2022: Nasa entra em ação para investigar

Em abril de 2022, o Pentágono anunciou a formação do Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios para investigar objetos "que possam representar uma ameaça à segurança nacional". 

Em junho do ano seguinte, a Nasa anunciou que estava criando um programa de estudo independente para cobrir a questão de uma perspectiva científica. "Identificaremos quais dados – de civis, governo, organizações sem fins lucrativos, empresas – existem, o que mais devemos tentar coletar e como melhor analisá-los", disse David Spergel, líder da equipe de estudo. 

E 2022 também trouxe outra mudança de acrônimo: "fenômenos aéreos não identificados" agora são oficialmente chamados de "fenômenos anômalos não identificados". 

2023: A verdade ainda está lá fora

O que quer que esteja acontecendo no céu, ainda não foi totalmente explicado. O DNI divulgou um relatório de acompanhamento em junho de 2023, identificando mais 510 avistamentos – dos quais 171 permaneceram sem explicação. Nesses casos, as naves não identificadas muitas vezes "parecem ter demonstrado características de voo ou capacidades de desempenho incomuns", segundo o relatório.

De forma mais explosiva, um ex-funcionário da inteligência chamado David Grusch apresentou em junho um relatório de denúncia alegando que o governo dos EUA estava de posse de "veículos intactos e parcialmente intactos" encontrados em locais de queda de ovnis. As naves, segundo ele, eram de origem "não humana". Mas ele também disse que nunca havia visto pessoalmente os objetos, o que gerou ceticismo por parte de especialistas externos. 

"Na longa história de alegações de visitantes extraterrestres, é esse nível de especificidade que sempre parece estar faltando", disse Joshua Semeter – da Universidade de Boston, professor de engenharia elétrica e de computação, além de membro da equipe da Nasa que examina esses relatos – ao BU Today. As evidências podem estar faltando, mas as perguntas, os avistamentos e as investigações continuam. 

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