Cultura

Estes prédios abandonados eram luxuosos spas soviéticos

Na Geórgia, os cidadãos eram obrigados pelo estado a tirarem férias nestes resorts ao menos duas semanas por ano para manterem a saúde em dia. Quinta-feira, 19 Abril

Por Elaina Zachos
Fotos de Reginald Van de Velde

Em uma pequena cidade no centro-oeste da Georgia, a folhagem verde se infiltra por edifícios decadentes que são relíquias de outra época. Grandes colunas, pilares e arcos pintados em azul claro e turquesa configuram enormes complexos da era soviética, que uma vez serviram de descanso para cidadãos exaustos.

Na década de 1920, Tskaltubo foi uma próspera cidade-spa com uma clientela exclusivamente soviética. Os cidadãos se reuniam aqui como parte de um programa de saúde financiado pelo estado para férias, destinadas a reenergizá-los enquanto contemplavam os ideais socialistas. Se os trabalhadores estivessem saudáveis, como a teoria dizia, a força de trabalho estaria saudável e, portanto, mais produtiva para sustentar o regime.

Embora muitos dos edifícios estejam abandonados e desmoronando, seções do complexo do spa ainda estão em uso como um resort hoje. Essas fotos capturam elementos da decadência da estrutura, mas as cores ainda vibrantes e a integridade estrutural dos edifícios sugerem um grande passado.

"Todas essas coisas são tão grandes e esses pilares atingem níveis tão altos que você sente que foram construído com muito orgulho", diz Reginald Van de Velde, explorador urbano que visitou o local em 2017. “Você consegue sentir o orgulho soviético.”

O programa, financiado pelo estado e chamado de putevki, exigia que os cidadãos tirassem férias obrigatórias no spa por, pelo menos, duas semanas por ano. Os cidadãos pegariam trens para luxuosos complexos de spa e, na chegada, cada um receberia seus próprios quartos. Os médicos prescreviam-lhes uma série de tratamentos rigidamente programados, incluindo coisas como tempo obrigatório para se bronzear.

Apesar de como consideremos os spas hoje, essas instituições da era soviética eram rígidas. Os hóspedes não podiam trazer suas famílias. Beber, dançar e fazer muito barulho também era desencorajado, já que eles poderiam tirar a habilidade dos convidados de refletir sobre o estado socialista.

Embora alguns spas de saúde da era comunista ainda estejam em uso e os complexos visitados por Van de Velde pareçam abandonados, algumas das estruturas em ruínas ainda têm moradores.

"Esses edifícios estão agora ocupados pelos refugiados", diz Van de Velde. Após serem expulsos de suas casas por conflitos, os refugiados abecasianos tomaram os complexos e construíram casas improvisadas e hortas.

Hoje, Tskaltubo ainda é uma cidade-spa popular. Van de Velde diz que o prédio principal da cidade está em uso, embora, quando ele o visitou, não houvesse muitos convidados. O resort tem um hotel, restaurante, adega e ainda oferece serviços tradicionais, incluindo banhos radioativos semi-radônicos e balneoterapia na forma de banhos terapêuticos.

Embora os sentimentos soviéticos tenham desaparecido há muito tempo, o espírito restaurador do spa permanece.

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