Esqueletos queimados são resquícios raros de antiga invasão gótica

Uma criança e dois adultos viviam em cidade antiga na região onde hoje fica a Bulgária, antes de ser conquistada por um exército germânico há 1,7 mil anos.quinta-feira, 7 de junho de 2018

O esqueleto de uma mulher adulta foi encontrado em um antigo piso de 251 d.C. Ele ainda possui uma pulseira de bronze em sua mão.
O esqueleto de uma mulher adulta foi encontrado em um antigo piso de 251 d.C. Ele ainda possui uma pulseira de bronze em sua mão.
Foto de Elena Bozhinova, Plovdiv Museum of Archaeology

A julgar pela aparência dos esqueletos, suas mortes foram horríveis.

Restos mortais de 1,7 mil anos de idade de três pessoas - uma criança e dois adultos - foram desenterrados recentemente por escavadores na Bulgária. A arqueóloga Elena Bozhinova, do Museu de Arqueologia de Plovdiv, encontrou os restos mortais no local de uma antiga cidade chamada Philippopolis, perto da moderna Plovdiv, na Bulgária.

Segundo a equipe, a descoberta assustadora provavelmente está ligada à invasão gótica na região. Embora evidências de ataques góticos tenham sido previamente coletadas, diz Bozhinova, encontrar restos de esqueletos é extremamente raro.

Análises dos esqueletos apontam que suas mortes ocorreram por conta de um incêndio. Os pesquisadores concluíram que um dos esqueletos pertencia a uma mulher que usava duas pulseiras de bronze. Perto dos ossos do outro adulto, os arqueólogos encontraram seis moedas e uma estatueta de bronze representando uma imagem nua da deusa romana Vênus usando um colar de ouro. No esqueleto da criança, os arqueólogos encontraram uma ponta de flecha, sugerindo uma morte particularmente violenta.

“A posição estratigráfica da casa incendiada e dos artefatos sugere que o incêndio aconteceu por volta da metade do século 3, quando a cidade foi conquistada pelos godos”, diz Bozhinova.

Os godos eram um povo germânico que ganhou destaque após a virada do primeiro milênio. Eles são talvez mais conhecidos por atacarem o império romano em declínio no século 3, antes de finalmente saquearem Roma em 410 d.C.

Eles invadiram Philippopolis em 251, queimando grande parte da cidade. A cidade ainda é considerada uma das mais antigas cidades habitadas da Europa e existiu por centenas de anos antes de ficar sob controle romano. Mais tarde, tornou-se parte do Império Otomano. A história do local ainda está sendo documentadas por equipes de arqueólogos.

Por exemplo, a equipe está escavando restos enterrados há muito tempo em prédios de tijolos de pedra construídos entre os séculos 2 e 14. Junto com os esqueletos, eles encontraram os restos de uma rua principal que provavelmente era ladeada por casas e lojas, e um arco que pode ter servido como um monumento. A razão por trás do monumento? “Os arqueólogos não têm certeza”, diz Bozhinova.

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