História

Ruínas em Jerusalém podem ser de antiga casa de shows

Em escavações próximas ao Muro das Lamentações, arqueólogos encontraram um espaço público capaz de receber 200 pessoas sentadas.Wednesday, November 8

Por Sarah Gibbens

O que um teatro romano inacabado pode nos contar sobre um período conturbado da antiga Jerusalém? Muito, dizem arqueólogos.

A Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês) vislumbrou o passado distante da região, e anunciou essa semana que as recentes escavações descobriram os restos do que acreditam ser um pequeno teatro ou espaço público antigo. A descoberta foi feita durante escavações em partes do Muro das Lamentações, uma das estruturas mais importantes para os judeus.

O antigo muro é o que restou das paredes que circundavam o que o povo judeu se refere como Monte do Templo e o que muçulmanos chamam de Haram esh-Sharif. Hoje, o local religioso é importante para cristãos, judeus e muçulmanos.

Arqueólogos começaram escavações na esperança de datar o Arco de Wilson, uma antiga ponte de pedra que levava ao Monte do Templo. Pequenas peças e relíquias, como cerâmica e moedas, já tinham sido encontradas sob o arco, mas os arqueólogos ficaram surpresos quando as escavações revelaram um teatro romano inteiro. É a primeira estrutura romana pública desse tipo encontrada na cidade.

"Nós não imaginávamos que teríamos uma janela aberta para o mistério do teatro perdido de Jerusalém”, afirmou a IAA em comunicado. “Não há dúvida de que a descoberta do trecho do Muro das Lamentações e dos componentes do Arco de Wilson são emocionantes e contribuem para a nossa compreensão de Jerusalém. Mas a estrutura do teatro é a cereja do bolo”.

"É um espaço completamente fechado, um teatro muito pequeno, mas bem-acabado", disse Jodi Magness, arqueóloga e professora da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. Ela visitava a cidade com um grupo de turismo e, coincidentemente, conseguiu visualizar a estrutura pouco depois do anúncio.

Os restos foram encontrados sob mais de 26 metros de escombros, incluindo pedras que não viam a luz do dia há quase 2 mil anos. A datação preliminar das pedras romanas sugere que o local foi construído no século 2. Os arqueólogos concluíram que a estrutura poderia acomodar cerca de 200 pessoas, um número pequeno. Em comparação, o coliseu de Roma recebia cerca de 50 mil pessoas.

Devido ao tamanho reduzido, arqueólogos acreditam que a estrutura foi usada como um Odeon –pequena sala de concertos – ou um bouleuterion – local de assembleia usado políticos.

A descoberta fornece evidências físicas do que está escrito em antigos registros sobre a vida em Jerusalém sob o Império Romano. A era marcou um momento político fundamental para Jerusalém. Em 70 d.C, a cidade foi cercada e demolida pelo Império Romano e depois reconstruída como a colônia romana Aelia Capitolina.

Magness disse que o teatro está associado ao período em que Jerusalém esteve rigidamente controlada pelos romanos. Nessa época, era uma cidade pagã que venerava o deus romano Júpiter.

"Nós encontramos alguns fóruns que o [imperador romano] Adriano construiu na cidade. Porém, até agora, não tínhamos encontrado teatros", disse ela.

PROJETO ABANDONADO

Embora os arqueólogos tenham alguma ideia sobre o propósito pretendido pela estrutura, eles também acreditam que ela foi abandonado antes de ser inaugurada. Afinal, algumas pedras revelam marcas que os trabalhadores fizeram em pontos de corte que nuca foram cortados, assim como algumas escadas nunca finalizadas.

Magness observou que o imperador romano Adriano proibiu o povo judeu de morar em Aelia Capitolina. A IAA acredita que o teatro ficou inacabado porque recursos foram desviados para reprimir a Revolta de Bar Kokhba, quando judeus se rebelaram contra o Império.

A IAA planeja continuar a escavação do local a fim de encontrar provas físicas da história judia na região – movimento que já provocou controvérsia com grupos palestinos, que também reivindicam esses locais sagrados.

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