Comércio de cães maia data de 2,4 mil anos atrás

Um estudo sobre ossos e dentes mostra que os animais eram transportados de diferentes regiões e tinham um papel importante em sacrifícios cerimoniais.

Published 20 de mar de 2018 11:31 BRT, Updated 5 de nov de 2020 04:22 BRST
A cidade maia de Ceibal, na Guatemala, tem evidências das atividades cerimoniais mais antigas da região. ...
A cidade maia de Ceibal, na Guatemala, tem evidências das atividades cerimoniais mais antigas da região.
Foto de Stuart Bay, Alamy

Bones and teeth from a 3,000-year-old Maya site in Guatemala now offer some of the earliest evidence in the Americas for the trad

Ossos e dentes de uma região maia de 3 mil anos na Guatemala agora oferece uma das primeiras evidências de comércio e gerenciamento de animais nas Américas. A descoberta revela que cerimônias envolvendo sacrifícios de animais cativos podem ter tido um importante papel no desenvolvimento da sociedade Maia.

Onde cientistas olharam:

Em muitas partes do mundo, a domesticação de animais teve um importante papel na alimentação de cidades e sociedades em desenvolvimento. Por exemplo, culturas europeias e asiáticas começaram a criar animais como porcos para abate há mais de 9 mil anos.

Pesquisadores analisaram os restos de 46 animais de Ceiba, incluindo cachorros, veados e um gato-maracajá (na foto).
Foto de Joel Sartore, National Geographic Photo Ark

Não era assim na Mesoamérica, no entanto, onde evidências mostram que grupos como os maias cultivavam lavouras, mas criavam poucos animais, principalmente cachorros e perus. Sem a atividade econômica e política que acompanha o manejo animal, como a sociedade maia se desenvolveu?

O que eles descobriram:

Em trabalho apresentado ontem na publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, pesquisadores examinaram ossos e dentes extraídos no sítio arqueológico Ceibal, na Guatemala. O local oferece algumas das primeiras evidências das atividades cerimonialistas maia. Foram encontrados ossos e dentes de cães e gatos em áreas ao redor da praça central de Ceibal, datados do período pré-clássico (700-350 a.C.), séculos anteriores às evidências anteriores de manejo de animais pela civilização maia.

O que o estudo revelou:

Pesquisadores testaram resíduos para determinar a faixa de vários isótopos presentes. Isótopos com nível elevado de carbono indicariam que o animal consumiu muito milho domesticado (ou animais alimentados com milho) durante sua vida, enquanto baixos níveis indicariam que o animal consumiu mais plantas selvagens.

A análise mostrou que todos os resíduos dos cães tinham altos níveis de isótopos de carbono, sugerindo que foram alimentados com uma dieta a base de milho. Os restos de um grande felino, possivelmente uma onça, também tinha uma dieta similar. (Outros felinos encontrados em escavações de períodos mais recentes em Ceibal mostram evidências de que eles teriam se alimentado de animais da selva local).

A assinatura isotópica também revelou que 44 dos 46 grupos de restos de animais vieram de criaturas que nasceram na região, enquanto dois dos cães vieram de uma área mais seca e montanhosa, longe das terras do sul de Ceibal. Um dos cães estrangeiros e o grande felino foram colocados em fossas sob um prédio no centro cerimonial de Ceibal em torno de 400 a.C.

Por que é importante:

Os resultados sugerem que os animais eram usados para atividades cerimonialistas que aconteciam enquanto Ceibal se tornava um centro regional de poder político, acreditam os cientistas. Portanto, apesar dos Maias não usarem animais como parte principal de suas práticas agrícolas, o comércio e a criação ativa de animais para cerimônias teriam promovido crescimento econômico tanto quanto o desenvolvimento político e da mesma forma podem ter tido um papel importante no desenvolvimento da civilização maia, suspeitam os pesquisadores.

“Na Ásia, África e Europa, o manejo de animais aconteceu lado-a-lado com o desenvolvimento das cidades,” disse a coautora do estudo Ashley Sharpe, arqueóloga do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian. “Mas, nas Américas, os povos podem ter criados animais com propósitos cerimonialistas. O crescimento das cidades não parece estar diretamente ligado à pecuária animal.”

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