História da ocupação do Baixo Amazonas prova que humanos e floresta podem conviver

Estudos arqueológicos na região de Monte Alegre, no noroeste do Pará, provam que a relação milenar entre humanos e floresta permitiu o florescimento de grandes populações com alta cultura e desenvolvimento tecnológico.

Por Luís Patriani
Fotos de Mauricio de Paiva
Publicado 8 de jul. de 2021 17:00 BRT, Atualizado 15 de jul. de 2021 17:22 BRT
Pintura rupestre no paredão do sítio arqueológico Serra da Lua, que apresenta 41 painéis, no município ...

Pintura rupestre no paredão do sítio arqueológico Serra da Lua, que apresenta 41 painéis, no município de Monte Alegre, noroeste do Pará. Antes consideradas frutos de um período específico de ocupação humana, as pinturas de Monte Alegre indicam uma ocupação descontínua da região desde 12 mil até 500 anos atrás. Cerâmicas de 6 mil anos atrás foram encontradas próximas dali, no sambaqui Taperinha, no município vizinho de Santarém.

Foto de Mauricio de Paiva

Monte Alegre, Pará. Agosto de 1849. O naturalista inglês Alfred Russel Wallace, coautor da teoria da evolução, ao lado de Charles Darwin, navega pelo Baixo Amazonas, a leste de Santarém, e visita um lugar intrigante à margem esquerda do grande rio.

Um cenário diferente, com campos de cerrado, várzeas e serras recortadas por cavernas e peculiares formações rochosas destacava-se em meio à planície de densa floresta tropical observada pela expedição até então.

Em terra, o viajante estrangeiro é alertado por moradores locais de que algo ainda mais surpreendente poderia ser observado no alto das montanhas. Depois de subir os 220 metros de altitude da serra do Ererê e chegar à Pedra do Pilão, Wallace se depara com um painel pintado com grandes círculos concêntricos e diversas figuras bastante complicadas, medindo 4 pés de altura, segundo suas palavras.

As misteriosas inscrições rupestres, que os nativos presumiam representar o Sol e a Lua, foram descritas por Wallace em seu livro Viagens pelos Rios Amazonas e Negro quatro anos depois, em 1853.

No século seguinte, em 1995, depois de ler o antigo relato do naturalista inglês, a arqueóloga norte-americana Anna Roosevelt faz uma escavação na caverna Pedra Pintada, na serra do Paituna, e obteve a primeira datação homologada por radiocarbono na região.

Pinturas rupestres no sítio arqueológico Painel do Pilão, em Monte Alegre (PA). As primeiras datações por carbono dos sítios da região de Monte Algre foram feitas em 1995 por Anna Roosevelt e revelaram pinturas rupestres entre as mais antigas já encontradas nas Américas, com 11,2 mil anos de idade. Também há vestígios de ocupações sedentárias a partir de 4 mil anos atrás.

Foto de Mauricio de Paiva
À esquerda: No alto:

Pode-se classificar as pinturas rupestres de Monte Alegre em cinco temas: zoomorfos, biomorfos, antropomorfos, grafismos puros e representações de mãos. Os antropomorfos aparecem completos ou sem o contorno cabeça, mas nunca em um cotidiano de ação, como os de caça nas grutas da Serra da Capivara, no Piauí. Olhos, nariz e boca estão sempre representados, com expressões faciais e fisionomias de emotividade.

À direita: Acima:

Pinturas rupestres no sítio arqueológico Serra da Lua, em Monte Alegre. Os desenhos naturalmente sofrem com a ação do tempo – incidência do sol, ventos, incêndios, insetos e infiltrações são algumas das ameaças –, mas também com atos de vandalismo. A figura pintada à esquerda foi alterada entre 1992 e 2002.

Foto de Mauricio de Paiva

O resultado espantou a comunidade cientifica internacional – as inscrições tinham sido feitas há 11,2 mil anos e colocava Monte Alegre e a caverna da Pedra Pintada no mapa das ocupações humanas mais antigas das Américas.

O trabalho de Roosevelt, no entanto, não se preocupou em definir a linha cronológica ao longo do tempo, ignorando variações temáticas e estilísticas das pinturas rupestres, o que gerou a falsa ideia de que todas tivessem a mesma idade e autoria.

A partir de 2012, entra em cena um grupo de arqueólogos brasileiros que ajudaria a mudar o modo de pensar o processo de ocupação humana na Amazônia e a variabilidade comportamental dos primeiros povoadores do continente até a chegada dos colonizadores.

Coordenados por Edithe Pereira, pesquisadora do Museu Emílio Goeldi, no Pará, a equipe se debruçou na investigação minuciosa e contextualização dos vestígios rupestres para tentar enxergar evidências que mostrassem o processo de construção cultural e o possível diálogo e interconexão entre diferentes sociedades.

O grupo de cientistas passou a comparar os desenhos das rochas da caverna Pedra Pintada com cerâmicas atribuídas a povos ceramistas que viveram na região por volta de 1.000 a.C. Ao longo do processo, ficou evidente que os motivos, principalmente os antropomorfos, eram muito semelhantes.

À esquerda: No alto:

Crianças brincam em comunidade às margens no rio Tapajós, próxima a Santarém. A região teve diversas fases de ocupação humana – o passado indígena, a época colonial e o fluxo migratório de nordestinos atraídos pelo ciclo da borracha no fim do século 19 –, mas os caboclos ribeirinhos seguem ocupando as beiras de rios e lagos, locais onde costumam estar os sítios arqueológicos amazônicos. Entre 1 mil e 350 anos atrás, desenvolveu-se na região de Santarém uma das maiores sociedades regionais da Amazônia, descrita nas crônicas coloniais como Tapajó. 

À direita: Acima:

Floresta Amazônica em Alter do Chão, distrito de Santarém. Hoje um destino turístico, a região é considerada por arqueólogos um ‘lugar persistente’, ou seja, lugares com recursos naturais ou culturais que permitiram a ocupação humana por diferentes povos em longos períodos de tempo.

 

Foto de Mauricio de Paiva

A localização estratégica atualiza a importância econômica e cotidiana de Santarém, que remete ao intercâmbio cultural e material do passado pré- cabralino. Pequenas ou médias embarcações regionais – que zarpam para a Amazônia Ocidental, foz do Amazonas ou sobem o rio Tapajós, incluindo próximo a Monte Alegre – dividem o porto com cargueiros, ao fundo, carregados de grãos de soja plantada no Centro-Oeste.

Foto de Mauricio de Paiva

A descoberta revelou, pela primeira vez, que a arte indígena não era uma prática realizada apenas pelos habitantes mais antigos. Há uma longa sequência de ocupação quase contínua desde os primeiros assentamentos até cerca de 500 anos atrás, período em que ocorreram as primeiras entradas de europeus na Amazônia.

A presença de humanos em Monte Alegre, por sua vez, era ainda mais antiga do que a revelada por Anna Roosevelt. Em 2014, a equipe de Edithe Pereira escavou um lado diferente da caverna Pedra Pintada e encontrou materiais relacionados à produção das pinturas – pigmentos, corantes e objetos com tinta – que indicavam que a atividade gráfica rupestre pode ter começado por volta de 12 mil anos atrás.

“Desde 2012, quando se iniciou o projeto, nosso objetivo é tentar entender esse processo de ocupação, não só as mais antigas, mas também as mais recentes, de grupos ceramistas sedentários”, disse Pereira, que estuda a região desde a década de 1980, em entrevista à reportagem. “A arte rupestre precisa de uma contextualização para ser datada e por isso começamos a relacionar as inscrições das rochas com a cerâmica. Esses sítios podem representar ocupações de momentos muito diferentes ao longo dos 12 mil anos. Não podemos ver tais vestígios como um só momento histórico ou produtos de um mesmo grupo.”

LUGARES PERSISTENTES

Por ter durado tanto tempo, Monte Alegre ocupa um lugar singular na história do continente americano, da América do Sul e da região amazônica. Tais condições fazem de lá um ‘lugar persistente’, termo utilizado na arqueologia para definir locais com características físicas ou simbólicas que perduraram através do tempo.

À esquerda: No alto:

Estatueta em cerâmica de figura feminina adornada com pintura corporal e modelada da fase Tapajônica. No século 16, os tapajó estavam em franco crescimento, e a região da foz do rio Tapajós era um centro regional de importação de matérias-primas para a indústrias lítica, que produzia objetos de valor simbólico e itens para comércio – como muiraquitãs, vasos de beber, ídolos de pedra, cerâmicas e, provavelmente, cestarias, redes, mantas de algodão e piracuí.

Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo 

À direita: Acima:

O arqueólogo Marcio Amaral segura estatueta do período do povo indígena tapajônico, cultura que habitou a região de Santarém, no Pará, entre 400 e 1500 d.C. A peça, que tem base semilunar e representa uma mulher, está salvaguardada no Laboratório de Arqueologia Curt Nimuendajú

Foto de Mauricio de Paiva

A arqueóloga Cristiana Barreto, do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, estuda os universos estéticos da Amazônia pré-colonial e a relação entre estilos das cerâmicas e identidades culturais e destaca como a região desperta o imaginário de quem passa por ali desde o passado.

“Tem uma ramo da arqueologia que chama arqueologia da paisagem. Ele estuda paisagens que vão sendo construídas na cabeça das pessoas e, às vezes, até modificadas, como a arte rupestre, que é uma modificação a agregar significados”, explica Barreto. “Outro conceito que a gente usa se refere a lugares significativos, ou seja, um lugar que é bem importante para os povos que ali habitam e habitaram. Monte Alegre preenche todos esses quesitos. É um lugar persistente, significativo e, acima de tudo, simbólico”.

Convidada para o projeto de Edithe Pereira em Monte Alegre por sua especialidade em cerâmica arqueológica, Barreto passou a analisar objetos encontrados em inúmeras aldeias arqueológicas localizadas atrás do Domo de Monte Alegre, um arranjo circular de montanhas, com cerca de 20 km de diâmetro, formado pelas serras do Ererê, Maxirá, Paituna, Itauajurí.

O objetivo era entender quem eram esses povos e se estavam subordinados ou não aos vizinhos de Santarém, um cacicado poderoso e influente, considerado centro político e cultural de uma grande extensão de terra no Baixo Amazonas.

“Fiz uma descoberta absolutamente casual e importante. Estava olhando uns fragmentos de cerâmica com bordas arredondadas e recortadas encontradas nesses sítios [de Monte Alegre] e achei estranho. Nunca tinha visto aquilo”, conta Barreto. “Depois de um tempo, no laboratório do Museu Emilio Goeldi [em Belém, no Pará], abri uma gaveta e encontrei lindos vasos com bordas em forma de flor que estavam sendo restaurados, exatamente com as mesmas bordas que tinha visto nos fragmentos [de Monte Alegre]. Descobri que os vasos vinham de Almerim, que fica na confluência do rio Jari, na calha norte, perto do Amapá, e que aquela era uma cerâmica Koriabo, encontrada em uma enorme área, que dispersa desde o Caribe, passando pelas Guianas, o litoral [Atlântico] e desce até os rios Xingu e Trombetas.”

À esquerda: No alto:

Vasilha da cultura tapajônica, ou de Santarém, com apliques e bordas com figuras trabalhadas da coleção do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Em Santarém, havia um cacicado poderoso, que subjugava aldeias vizinhas. Diferente de Monte Alegre, onde a sociedade parecia se organizar de forma horizontal, não hieráquica.

Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo

À direita: Acima:

Vasilha com base em pedestal da cultura arqueológica Santarém, do tipo por vezes denominado ‘fruteira’.

Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo

Foto de Mauricio de Paiva
À esquerda: No alto:

Cerâmica Koriabo escavada no sítio arqueológico Laranjal do Jari, no Amapá. Quando estudava cerâmicas como estas, encontradas ao longo do rio Jari, a arqueóloga Cristina Barreto percebeu semelhanças acom algumas peças da região de Monte Alegre. A descoberta mudou o entendimento da ocupação da Amazônia e mostrou que os povos de Monte Alegre provavelmente mantinham uma relação de independência da poderosa Santarém, com conexões com povos muito mais distantes.

Núcleo de Pesquisa Arqueológica/Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá 

À direita: Acima:

Vasilha do tipo ouriçoforme, devido à semelhança com o ouriço da castanha-do-pará, com raspagens rasas do estilo Koriabo.

Núcleo de Pesquisa Arqueológica/Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá 

Foto de Mauricio de Paiva

O achado de Barreto mudou a visão em torno dos caminhos de dispersão no período pré-colonial. Até então, imaginava-se que a ocupação se deu ao longo da calha do rio Amazonas, no sentido leste-oeste. A descoberta também revelou que Monte Alegre deveria manter uma relação de independência com Santarém, apesar de sofrer influências, e se interconectava com um universo mais amplo, com povoados distantes, localizados ao norte.

“Os estudos etnológicos nos mostram que esses longos deslocamentos eram feitos não somente para a troca de mercadorias. Eles revelavam redes de relacionamento criadas para estabelecer laços sociais e compromissos, um intercâmbio de rituais e festas”, complementa Barreto. “É um sistema social em que o regime é horizontal, não hierárquico, ao contrário do cacicado de Santarém, com um grande poder, um grande cacique, ao qual as aldeias estão subjugadas. São modos de organização que não conhecemos na sociedade ocidental e nos ensinam muitas coisas.”

DETERMINISMO AGRÍCOLA

Líder na importante escavação realizada na caverna da Pedra Pintada em 2014, Claide Moraes, professor do programa de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará, criou o termo ‘determinismo agrícola’ para explicar parte do atraso e os estudos erráticos feitos por acadêmicos estrangeiros na Amazônia.

Segundo Claide, por conta de uma visão racista e colonizadora, as conclusões sobre como humanos se estabeleceram na floresta partiam de comparações com sociedades que desenvolveram técnicas de cultivo agrícola para produzir alimentos para grandes populações. Estima-se que viviam cerca de dez milhões de pessoas na Amazônia em torno do ano 1.000 d.C.

À esquerda: No alto:

Muiraquitãs como este, enquanto artefatos arqueológicos, podem ser encontrados em quase toda porção norte e noroeste da Amazônia: desde o Baixo Amazonas, noroeste do Pará, às Índias Ocidentais, na costa da Venezuela, e Andes venezuelanos.

Acervo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo

À direita: Acima:

Pintura de sapo no sítio da Pedra Pintada, em Monte Alegre, remete aos muiraquitãs. A região do Baixo Amazonas era um provável centro de produção desses amuletos, evidências das intensas trocas entre os povos amazônicos pré-cabralinos.

Foto de Mauricio de Paiva(À esquerda)(No alto)
Foto de Edith Pereira(À direita)(Acima)

“No início do século 20, era muito forte a ideia dos pesquisadores, principalmente dos Estados Unidos, de que o ambiente de floresta tropical limitaria as possibilidades para as sociedades pré-coloniais se desenvolverem na Amazônia. Era um olhar enviesado que chamamos de determinismo ambiental”, explica Moraes. “Para tentar explicar a ocupação bem sucedida e a produção de alimentos em um lugar que eles consideravam tão hostil, criaram outro argumento equivocado e determinista, usando referências de outras regiões do planeta que desenvolveram grandes monoculturas e são consideradas berço da agricultura no mundo. Daí surgiu o termo determinismo agrícola.”

A saída para esse contrassenso teórico foi buscar a razão do sucesso das antigas populações na Amazônia em uma série de estudos do manejo e do consumo de plantas, e do uso de recursos naturais, nos sítios em diferentes ecossistemas.

Vestígios arqueológicos de uma variedade de plantas – como palmeiras, castanhas e mandioca – além do grande número de descarte de ossos de fauna aquática – peixes, quelônios – eram sinais de que a base da dieta amazônica era ampla. O segredo do sucesso dos indígenas é, portanto, a diversidade, não a monocultura.

“Monte Alegre é importante para entender essa diversidade amazônica, que pode ser percebida até hoje. Desde as ocupações mais antigas, os assentamentos começaram a se aproximar de plantas que atualmente são consideradas economicamente importantes”, diz Moraes. “Encontramos, por exemplo, vestígios de castanhas com mais de 10 mil anos na caverna Pedra Pintada. Esse manejo, feito por milênios, faz a gente pensar por que a castanha é um negócio tão produtivo na Amazônia de hoje. O grande legado das populações amazônicas é mostrar que não é incompatível [pensar que] humanos e a floresta permaneçam juntos.”

Moradora do rio Tapajós cultiva e limpa seu quintal próximo à roça e ao lado da casa de farinha, onde trata sementes amazônicas. Trata-se de uma prática herdada de povos indígenas que ajudaram a construir a agrobiodiversidade da Amazônia. Há evidências de consumo há pelo menos 11 mil anos de algumas plantas até hoje utilizadas no Brasil, dentre as quais castanha-do-brasil, goiaba, ariá, mandioca e palmeiras como o açaí, o tucumã, a bacaba, o murumuru e o buriti. Há pelo menos 6 mil anos tem-se também uma intensificação no cultivo de plantas como a mandioca e milho.

Foto de Mauricio de Paiva

Moradora do rio Tapajós, próximo a Monte Alegre, a senhora traz para casa um robusto cacho do fruto da bacaba, uma palmeira, para o preparo do vinho. Vestígios arqueológicos de uma variedade de plantas – como palmeiras, castanhas e mandioca – além do grande número de descarte de ossos de fauna aquática – peixes, quelônios – são sinais de que a base da dieta amazônica era ampla, e fruto de um manejo milenar da floresta.

Foto de Mauricio de Paiva
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