O que acontece agora que a rainha Elizabeth faleceu?

Cerimônias e rituais complexos, antigos e modernos, são realizados pela primeira vez em 70 anos.

Por Erin Blakemore
Publicado 14 de set. de 2022 11:30 BRT
Em Londres, multidões se aglomeram ao longo da rota da procissão que levava o caixão do ...

Em Londres, multidões se aglomeram ao longo da rota da procissão que levava o caixão do rei George 6º, que reinou de 1936 até sua morte, em fevereiro de 1952. O funeral da rainha Elizabeth 2ª será o primeiro enterro de um monarca britânico em mais de 70 anos.

Foto de Photograph via Hulton-Deutsch Collection Corbis, Getty

A morte da rainha Elizabeth 2ª em 8 de setembro de 2022 iniciou uma onda global de despedidas, bem como todo tipo de luto público com pompa e circunstância – rituais não realizados na Grã-Bretanha desde a morte do pai de Elizabeth, George 6º, em fevereiro de 1952.

Em termos técnicos, a morte de Elizabeth constituiu uma Sucessão da Coroa, termo jurídico para o fim do reinado de um soberano britânico. Os passos seguintes foram criteriosamente planejados, analisados e ensaiados por décadas. Edward Young, secretário particular de Elizabeth, transmitiu a notícia à primeira-ministra britânica Liz Truss utilizando uma frase em código, que supostamente seria “a ponte de Londres caiu”.

Bandeira nacional do Reino Unido a meio mastro enquanto pessoas se reúnem fora do Palácio de Buckingham, em Londres, após a morte da rainha Elizabeth 2ª, em 8 de setembro de 2022. Após um reinado de 70 anos, a monarca será enterrada na Capela Memorial do Rei George 6º, no Castelo de Windsor.

Foto de Samir Hussein WireImage, Getty

Monarquia inglesa: qual é a importância de um nome?

Após a notícia vir a público, o Parlamento se reuniu o mais breve possível para jurar lealdade ao filho de Elizabeth, Charles, que se tornou o rei Charles 3º no instante em que sua mãe morreu. O novo rei escolheu seu nome de batismo, Charles, como seu nome de reinado, apesar da reputação duvidosa de outros monarcas com o mesmo nome. 

Charles 1º era autoritário, incitou uma guerra civil e acabou executado; Charles 2º foi um sedutor encantador conhecido como o alegre monarca. Quando indagada qual seria seu nome de reinado ao assumir o trono em 1953, a falecida rainha teria dito: “meu próprio nome, é claro – qual mais seria?”

Camilla, nova rainha consorte; rei Charles 3º; príncipe George da Cornualha e Cambridge; William, príncipe de Gales, Catherine, princesa de Gales; e a falecida rainha na varanda do Palácio de Buckingham durante o Trooping the Color, cerimônia militar em comemoração ao aniversário da Rainha Elizabeth, em junho de 2015.

Foto de Max Mumby Indigo, Getty

A esposa do rei, Camilla, tecnicamente será a rainha consorte, de acordo com o costume britânico de conferir à esposa de um soberano o título equivalente ao de seu marido. Contudo, curiosamente, Camilla indicou, ao se casar com Charles em 2005, que usaria o título de princesa consorte de Sua Alteza Real – uma ruptura da tradição em respeito à primeira esposa de Charles, Diana, falecida em 1997.

A Constituição Britânica não confere direitos sucessórios aos cônjuges de monarcas, embora recebam títulos simbólicos quando seu cônjuge assume o trono. O príncipe Philip, marido de rainha Elizabeth 2ª por 73 anos, foi o consorte real mais longevo da história britânica. No entanto, sua morte em 9 de abril de 2021, aos 99 anos, não afetou a linha de sucessão, pois não era o próximo na linha ao trono. Agora, o filho do novo rei, William, passou a ser o primeiro na linha sucessória.

Novo rei, velhos rituais

Dentro de 24 horas da morte da rainha, é convocado um Conselho de Ascensão formado por seus conselheiros mais próximos e outros oficiais de Estado importantes. O conselho confirma o nome do herdeiro em uma proclamação oficial.

Príncipe Charles ajoelhado diante da rainha durante sua posse como príncipe de Gales em Gwynedd, País de Gales, em 1969. Cinquenta e três anos depois, ele se tornou rei.

Foto de Adam Woolfitt Nat Geo Image Collection

O novo monarca, então, se reúne com o novo Conselho Privado e faz um juramento de “manter e preservar” a Igreja da Escócia, que, ao contrário da Igreja Anglicana, não é chefiada pelo monarca da Inglaterra (o monarca governa a Igreja Anglicana, mas a Igreja da Escócia reconhece somente Deus como seu governador supremo e, apesar de seu nome, não é controlada pelo Estado). Em seguida, a proclamação de ascensão é lida em diversos locais públicos em todo o Reino Unido, por vezes acompanhada por salvas de tiros.

Reação da imprensa inglesa bem ensaiada

Após o ocorrido, os meios de comunicação do Reino Unido atuaram na ampla cobertura da morte de Elizabeth, planejada há décadas. As estações de rádio britânicas têm criteriosos “procedimentos de óbito”, que ditam que tipo de música deve ser tocada em um momento de tragédia nacional, e os editores da BBC supostamente temem as inevitáveis reclamações decorrentes de uma eventual falta de tato em sua cobertura.

Em 2002, o apresentador-chefe da BBC, Peter Sissons, foi repreendido severamente por tabloides por usar uma gravata vermelha escura ao anunciar a morte da rainha-mãe. Posteriormente, ele revelou que ele e outros eram obrigados a ensaiar para a morte dela – bem como a da monarca ainda mais célebre – a cada seis meses.

Qual o próximo passo?

Um funeral de estado na Abadia de Westminster e o enterro na Capela Memorial do Rei George 6º no Castelo de Windsor serão os próximos eventos. Contudo, embora o Reino Unido tenha um novo rei, não devemos esperar uma coroação tão cedo. 

A cerimônia tradicional que perdura quase mil anos é uma ocasião alegre que não se mistura com o luto, por isso é provável que seja realizada meses ou talvez mais de um ano após a morte da rainha.

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