Meio Ambiente

O que precisamos saber sobre o barulhento vulcão de Bali

Rios de lava, escombros e lama podem ser alguns dos efeitos fatais de uma erupção do Monte Agung, de BaliMonday, December 4, 2017

Por Sarah Gibbens
Uma visão do monte Agung em erupção em Bali, na Indonésia, no fim de novembro deste ano. As autoridades da Indonésia levantaram o alerta para o vulcão ruim ao mais alto nível e fecharam o aeroporto internacional da ilha turista.

Moradores da ilha indonésia de Bali estão prendendo a respiração enquanto esperam pela erupção iminente do Monte Agung, um vulcão ativo que ameaça cobrir parte da ilha de cinzas, lava e fluxos de lama. Abalos sísmicos foram detectados no final de setembro, e indicavam que o barulhento vulcão está prestes a despertar, mas cientistas não estavam certos de quando esses estrondos se concretizariam.

Agora, dois meses depois, parece que o vulcão cumprirá sua promessa. Pequenas erupções iniciaram-se na terça-feira, 21 de novembro, e no sábado, 25, elas começaram a acelerar. Vulcanologistas dizem que uma grande erupção pode ser iminente.

Leia a seguir cinco coisas que você precisa saber sobre esse perigo em evolução.

1. As pessoas correm perigo?

Na noite de domingo, o governo indonésio emitiu uma ordem de evacuação para 100 000 pessoas que vivem no nordeste de Bali. Este número soma-se aos quase 40 000 habitantes que já haviam sido deslocados no país desde setembro.

Milhares de turistas também fugiram da popular ilha da nação.

A última vez que o Monte Agung entrou em erupção foi em 1963, e quase duas mil pessoas morreram.

Ainda não se sabe exatamente quando a erupção do Agung pode acontecer – erupções vulcânicas são notoriamente imprevisíveis –, mas a atividade recente sugere que mais “fogos de artifício” são possíveis.

2. Aliás, o que é o Monte Agung?

Para entender o que torna o Monte Agung tão poderoso, é importante saber um pouco sobre seu histórico geológico.

Nas 13 mil pequenas e grandes ilhas que compreendem a Indonésia, existem 78 vulcões ativos. De acordo com o Programa Global de Vulcanismo, da Instituição Smithsonian (em inglês), apenas o Japão ultrapassa a Indonésia em números de erupções. Mas, de longe, a Indonésia tem visto o maior número de mortes causadas por vulcões, porque as pessoas vivem bem próximas das regiões vulcanicamente ativas. Um estudo de 1600 a 1982 estima que 160 000 mortes foram causadas por um vulcão indonésio em erupção.

3. Bali está no Anel de Fogo do Pacífico?

A Indonésia situa-se ao longo de uma região em formato de U invertido, chamada Anel de Fogo. Essa área, que forma um arco do leste da Austrália, ao norte no Alasca e até a costa oeste da América do Sul, é a mais sismicamente ativa do mundo. E onde há atividades sísmicas existem vulcões. Na verdade, cerca de 90% dos vulcões ativos situam-se no Anel de Fogo.

O Agung, por sua vez, fica em uma região do Anel de Fogo chamada Arco de Sonda, que se curva pela metade inferior da placa tectônica de Sonda. Ao sul, a placa indo-australiana está aos poucos sendo forçada para baixo. Essa zona de subducção convive com um atrito considerável entre as duas placas, e, com o tempo, a pressão estala e gera terremotos. Parte da placa subduzida derrete no calor interno da Terra, e isso pode criar o magma. Menos denso do que as pedras ao redor, esse magma sobe para a superfície e, consequentemente, resulta em erupções.

4. Como a erupção tem progredido? 

Em uma entrevista ao veículo de notícias RTE News at One, Mark Tingay, vulcanologista da Universidade de Adelaide, disse que o magma nessa parte do mundo é altamente viscoso. Isso pode fazer com que mais bolhas de gás fiquem presas nele, o que cria condições mais explosivas.

Tingay também observou que, desde sábado, 25 de novembro, o vulcão tem evoluído de uma erupção freática – explosões caracterizadas por vapor, água e cinzas – para uma fase magmática na qual o magma quente explode por baixo.

5. O que esperar a seguir? 

O centro de monitoramento vulcânico MAGMA Indonesia (em inglês) tem atualizado localmente os residentes sobre a atividade do vulcão ao longo dos últimos meses. Eles observaram que, baseado na erupção de 1963, há quatro perigos em potencial em relação ao Monte Agung: fluxos piroclástico e de lava, lançamento de cinzas e deslizamentos de terra.

De acordo com o Observatório Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), fluxos piroclásticos são caracterizados por um fluxo quente de cinzas, gás, blocos de lava aquecidas e pedras-pomes que correm em alta velocidade pelo declive do vulcão. Esses fluxos normalmente possuem fragmentos grossos que fluem ao longo de sua metade inferior e gás cinzento aquecido flutuando na superfície. Além de carregar fragmentos quentes, fluxos piroclásticos são velozes. Alguns podem chegar a 80,5 quilômetros por hora e são conhecidos por destruir tudo que encontrarem pelo caminho.

Por outro lado, fluxos de lava viscosa movem-se muito mais devagar e têm o potencial de prender bolhas de gás que explodem.

Janine Kippner, vulcanologista da Universidade de Pittsburg, apontou no Twitter que o lançamento de cinzas espessas, de 1,6 metros, podem cobrir tudo a um raio de 14,5 quilômetros do pico do Monte Agung. Mover-se através dessa nuvem de cinzas sem máscaras protetoras pode implicar às pessoas complicações respiratórias.

Quando combinado com chuvas, observou Kippner, a queda de cinzas pode criar uma avalanche de lama chamada lahar. Como apontou Tingay em sua entrevista, lahars às vezes são mais perigosos do que a erupção inicial. O USGS informa que lahars geralmente iniciam-se pequenos, mas crescem em volume e velocidade conforme movem-se ladeira abaixo. Como inundações feitas de concreto em movimento, lahars são extremamente destrutivos e impossíveis de escapar.

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