Europa está queimando controversa fonte de energia renovável: árvores dos EUA

À medida que os líderes mundiais prometem mais ações contra a mudança climática, uma suposta solução – queimar árvores para gerar eletricidade – poderia enfraquecer o progresso.

Publicado 19 de nov. de 2021 10:19 BRT
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Galhos de árvores são levados para uma máquina de serragem, destinados a se tornarem pellets de madeira produzidos por uma fábrica da Enviva, Carolina do Norte, nos EUA.

Foto de Erin Schaff, The New York Times/Redux

O rio Cape Fear, na Carolina do Norte, Estados Unidos, é rodeado por instalações industriais, guindastes, containers de armazenamento, grandes navios e velhas árvores ciprestes com raízes largas ancoradas na água. Perto da desembocadura do rio, duas redomas brancas, cada uma capaz de armazenar 45 mil toneladas métricas de madeira, elevam-se sobre a margem do rio.

É aqui, onde o rio encontra o mar, que pellets de madeira armazenados nas redomas são colocados em um navio e transportados através do Atlântico, para serem queimados em usinas de energia que geram eletricidade.

Milhões de toneladas de pellets de madeira, cada uma do comprimento de uma unha e a largura de um canudo, estão substituindo o carvão na Europa. Taxado como um combustível limpo que ajuda os países a cumprirem seus objetivos de energia renovável, estes supostos biocombustíveis de madeira estão no centro de uma indústria que cresce rapidamente e avaliada em 50 bilhões de dólares globalmente em 2020.

A lógica por trás para considerá-los uma fonte de energia renovável, como a solar e eólica, é simples: desde que as florestas possam crescer novamente depois que as árvores são cortadas e queimadas, o dióxido de carbono liberado pela queima será absorvido pelas árvores que estão crescendo. É uma transição net zero, os defensores dizem – e a União Europeia e outros governos aceitaram o argumento. Madeira é considerada um combustível de emissão zero.

Nas chaminés, a madeira queimada emite mais emissões de gás de efeito estufa do que o carvão. Mas críticos da indústria da biomassa dizem que um complicado sistema global para contagem de emissão criou uma lacuna da lei: Os países não são obrigados a contar as emissões de carbono emitidas por usinas de energia alimentadas por madeira. Isso permite que combustíveis de madeira prosperem como uma solução climática.

No começo deste ano, 500 cientistas mandaram uma carta para os líderes mundiais alertando que cortar árvores para bioenergia enfraqueceria a luta contra a mudança climática. Um estudo de 2018 liderado por um dos signatários da carta, John Sterman do MIT, apoia essa visão; o estudo diz que cortar árvores para queimá-las seria pior para o clima nas próximas décadas.

“É o oposto do que deveríamos fazer”, disse Andy Wood, diretor do Coastal Plain Conservation Group com base na Carolina do Norte. “Esperamos que seja discutido em Glasgow”.

O Reino Unido, que sediou a conferência climática COP26 em Glasgow, Escócia, é o maior consumidor do mundo de pellets de madeira. A usina de energia Drax em Yorkshire, que já foi a maior usina de carvão no Reino Unido, agora funciona principalmente com pellets de madeira – inclusive em 2019, cinco milhões de toneladas importadas dos EUA. A própria Drax se tornou um grande player no mercado internacional de pellets de madeira.

Os ativistas ambientais temem que outros países logo sigam os passos do Reino Unido; de fato, o Japão e a Coreia do Sul agora também estão importando pellets de madeira, inclusive de uma subsidiária da Drax. Cláusulas em dois projetos de lei dos EUA – a lei de infraestrutura recentemente passada e a lei de reconciliação que será votada em breve – promovem o uso de energia de biomassa. Mais de 100 cientistas estão encorajando o presidente Joe Biden a remover essas cláusulas.

“É muito mais fácil converter uma usina de carvão para queimar outro combustível do que fazer algo transformador como criar energia solar e eólica”, disse Sasha Stashwick, uma especialista em política de biomassa no Natural Resources Defense Council.

Peg Putt, uma ativista no Environmental Paper Network, uma organização internacional dedicada em tornar as indústrias de papel e celulose em indústrias mais verdes, disse que a questão de como as emissões de carbono de queima de biomassa deveriam ser contadas geralmente é ignorada. Ela e outros especialistas não esperam muito uma discussão na COP26.

Precisamos parar com a ideia de que contabilidade de biomassa é uma coisa técnica que a maioria das pessoas não consegue entender e que por isso é melhor deixar para os especialistas técnicos,” disse Putt. Em conferências climáticas, ela diz, “Assim que você começa a tentar falar com negociadores de diferentes partes, os olhos deles perdem o brilho.”

Pinheiros novos crescem em 2.428 hectares de floresta na Virgínia. Em um pouco mais de uma década, a indústria de pellets de madeira do sudeste dos EUA cresceu de quase nada para 23 fábricas com capacidade de produzir mais de 10 milhões de toneladas métricas anualmente para exportação.

Foto de Erin Schaff, The New York Times/Redux

O problema com madeira

Na verdade, não é muito complicado entender por que os cientistas e ambientalistas dizem que queimar madeira não é um simples exercício net zero. 

O problema mais fundamental é o tempo. A indústria de biomassa afirma que emissões causadas por cortar e queimar as árvores são contrabalanceadas pelas árvores que crescem em seus lugares – mas as árvores levam tempo para crescer.

“Há uma dívida de carbono que ocorre quando você extrai as árvores, e ainda leva muito tempo para as árvores novas recuperarem o estoque de carbono que foi perdido,” diz Rich Birdsey, um especialista em orçamentos de carbono de florestas no Woodwell Climate Research Center.

“É como se você sacasse todo o seu dinheiro e criasse uma dívida em sua conta,” disse Sami Yassa, uma cientista no Natural Resources Defense Council. “É isso o que acontece na atmosfera. Para poder pagar aquela dívida com recrescimento da floresta, a matemática básica diz que vai levar décadas.”

O estudo de Sterman estimou que o “tempo de reembolso” do carbono para queima de madeira variaria entre 44 e 104 anos, dependendo do tipo de floresta. Enquanto isso, segundo o estudo, usinas de energia que queimam madeira estão adicionando CO2 à atmosfera, como se estivessem queimando carvão.

E enquanto isso, o gelo continua a derreter, os mares continuam a subir, as pessoas continuam a ser desalojadas pelo clima extremo – o consenso científico, repetido diversas vezes na COP26, é que o mundo não pode esperar para uma redução dramática de suas emissões.

E mais, há pelo menos duas razões do porquê cortar árvores hoje para queimá-las em usinas de energia poderia adicionar ainda mais carbono na atmosfera do que a queima de carvão. Primeiro, as árvores param imediatamente de fazer o que árvores vivas fazem – elas param de remover o carbono da atmosfera. Nada disso acontece quando você extrai carvão.

Segundo, a madeira queima com menos eficiência que o carvão ou gás. Por quilowatt por hora (kWH) de eletricidade gerada, ela emite uma vez e meia mais dióxido de carbono e três vezes mais que o gás natural.

Em 2019, de acordo com um relatório recente feito pelo grupo de pesquisa de política Chatham House, no Reino Unido, as usinas de energia que queimam pellets de madeira emitiram 16 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, aproximadamente o mesmo que seis a sete milhões de cano de escape de carros. Se essas emissões tivessem sido contadas, adicionaria 27% às emissões do setor de eletricidade – e até 3,6% às emissões totais de gás de efeito estufa do Reino Unido naquele ano.

Mas como outros governos, o Reino Unido não conta as emissões de CO2 da queima de madeira.

Uma visão aérea de lenhas em uma fábrica de pellets de madeira da Enviva, em Garysburg, Carolina do Norte. 28 de março de 2021.

Foto de Erin Schaff, The New York Times/Redux

Uma lacuna perigosa

Em meados dos anos 90, quando cientistas estavam inventando um esquema para contagem global de emissão sob o UN Framework Convention on Climate Change (UNFCCC), em português Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, – um tratado que deu início aos encontros anuais COP – eles decidiram que as emissões seriam contadas onde elas fossem criadas, na chaminé ou no cano de escape. Então, se a Europa importou petróleo da Arábia Saudita, a Europa seria responsável pelas emissões criadas ao queimá-lo.

Mas árvores são diferentes de petróleo.

Eles voltaram-se para o uso do solo e disseram, ‘Quando você corta uma árvore, é difícil rastrear o que acontece com o carbono,” diz Tim Searchinger, um especialista em política de mudança climática na Universidade de Princeton e um antigo membro do World Resources Institute. “Um pouco [do carbono] é perdido na floresta. Um pouco na fábrica de papel. Outro tanto quando o papel é jogado em um aterro. Então vamos ter uma regra diferente no setor uso do solo que diz que você conta o carbono quando a árvore é cortada.”

Quando os governos nacionais começaram a tentar regular e limitar as emissões de carbono sob o Protocolo de Kyoto em 1997, eles incorporaram o que Searchinger chama de “um erro crítico de contabilidade”: Eles excluíram toda bioenergia dos limites de emissões nas chaminés sem colocar limites nas emissões de uso do solo. Efetivamente, eles decidiram que toda bioenergia era carbono neutra, mesmo se viesse extraída de uma floresta.

“Uma regra projetada para evitar a duplicidade da contagem de carbono de árvores cortadas e de árvores queimadas se tornou uma regra que nunca contou esse carbono”, disse Searchinger.

Elaboradores de políticas internacionais não só falharam em limitar a queima de biomassa, Searchinger e outros oponentes dizem - eles incentivaram isso.

Em 2005, quando a Europa criou seu Regime de Comércio de Licenças de Emissão, limitando emissões de usinas de energia e fábricas e forçando-as a comprar licenças de emissões, isso não incluiu a bioenergia. Uma usina de energia que queima carvão poderia começar a queimar pellets de madeira, e no papel, as suas emissões – e deste modo, seu custo sob o esquema da UE – pareceria que foi reduzido.

“Toda a indústria de pellets de madeira é basicamente motivada por isso,” diz Searchinger.

Em 2009, Searchinger e seus colegas publicaram um estudo relatando esse erro. Em resposta, ele diz, “todos ignoraram”.

No mesmo ano, a UE estava entregando mais de um bilhão de dólares de subsídios a empresas de biomassa que poderiam ajudar os países a cumprirem seus objetivos de energia limpa, diz Yassa do NRDC. Logo não havia madeira suficiente para cumprir a demanda.

“Iniciou-se uma grande produção desenfreada do outro lado do Atlântico,” diz Yassa, quando o mercado europeu de repente criou incentivos lucrativos para cortar árvores nos EUA.

A U.S EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) relata emissões resultantes da perda de floresta para o UNFCCC em seu inventário anual de gás de efeito estufa. Mas como não há imposto ou outro limite nessas emissões, isso não tem importância. Globalmente, poucos países tentaram colocar limites em emissões de uso do solo.

“O mero fato de que os EUA relatam mais emissões, não para a Europa de encorajar [a indústria de biomassa], afirmando redução de emissões mesmo quando o efeito real é aumentá-las,” diz Searchinger.

Pellets de madeira, aproximadamente do tamanho de um filtro de cigarro, são exportados dos EUA e queimados para gerar eletricidade ao redor do mundo.

Foto de Erin Schaff, The New York Times/Redux

Impacto tanto local quanto global

De perto, Scot Quaranda, do grupo ativista ambiental Dogwood Alliance, viu ameaças imediatas nas florestas da Carolina do Norte assim que a demanda europeia por pellets de madeira começou a disparar.

“Sinceramente, foi bem devastador,” diz Quaranda.

A Enviva com base em Maryland, o maior produtor de biomassa do mundo, envia pellets de madeira do sudeste dos EUA para o Reino Unido. A empresa diz que promove florestas saudáveis ao extrair seletivamente certas árvores para dar mais espaço para as outras crescerem e que usam madeira que tem pouco ou nenhum valor.

Mas os ambientalistas dizem que a descrição não conta a história toda. O NRDC, Dogwood Alliance e o Southern Poverty Law Center publicaram um relatório em 2019 que expôs as práticas destrutivas de extração de madeira da Enviva, acusando a empresa de derrubar florestas pantanosas por todo o sudeste dos EUA – florestas que são essenciais para a biodiversidade.

Em uma declaração por e-mail, Enviva chamou o relatório de “incorreto e enganoso,” apontando que a biomassa coletada para a produção de pellets de madeira da Enviva e outros produtores representa apenas 3% de produtos de madeira extraídos das florestas do sudeste todos os anos.

Enquanto cerca de um terço da madeira da Enviva é obtida de resíduos ou árvores desgastadas de florestas, a empresa diz que 69% dela vem de extração de madeira de baixo valor.

“Quando feita de forma adequada, e de acordo com as Best Management Practices (Melhores Práticas de Gestão) da silvicultura para proteger a qualidade do solo e água, o corte raso cria boas condições para replantar, o que motiva os proprietários de terra a continuar mantendo a cobertura florestal nas suas terras,” diz o porta-voz da Enviva.

Há evidência de proprietários no sudeste sendo encorajados pela demanda de pellets de madeira a plantar árvores. De acordo com Brent Sohgen, um especialista em economia ambiental na Universidade do Estado de Ohio, que aponta para um modo que a queima de madeira poderia ainda ter um benefício climático – pelo menos em um mundo ideal.

Em 2017, Sohngen e seus colegas publicaram um estudo mostrando que um crescente preço do carbono poderia levar aos proprietários de terra a expandirem suas áreas florestais substancialmente, se eles fossem compensados pelo carbono retirado da atmosfera e armazenado em suas árvores. Dentro de algumas décadas, a queima de madeira para eletricidade poderia começar, sem causar danos ao clima – porque a dívida de carbono teria sido paga de forma adiantada pela expansão de floresta.

O mercado para pellets de madeira, combinado com o preço do carbono, poderia levar a uma maior expansão de florestas.

“Por fim, há mais carbono nas florestas,”, diz Sohngen. Nesse cenário, a queima de madeira seria sim uma melhor alternativa do que a queima de carvão.

Reconhecendo esse debate, Sohngen publicou uma pesquisa adicional em 2020 argumentando que a crescente demanda por biomassa de florestas levaria a um grande fornecimento de árvores, e – se essas florestas foram adequadamente gerenciadas – aumentariam a retirada de carbono.

Uma indústria emergente invade o sul 

Nenhuma das árvores obtidas pela Enviva vem de terras que pertencem à empresa. Em vez disso, ela conta com pequenos proprietários de terra como Charlie King, dono da Fazenda Stone Mountain 24 hectares ao norte de Fayetteville, Carolina do Norte.

Em 2014, um lote de árvores na propriedade de King foi infestado por besouros de casca, que criam um buraco nos pinheiros e os matam. Em 2019, ele percebeu que suas árvores não poderiam ser salvas. Sem nenhum mercado para árvores infestadas, ele chamou a Enviva.

“O serviço que eles oferecem não se encontra em lugar nenhum,” diz King. Com o dinheiro da venda da madeira, ele plantou novas árvores que nascerão no lugar das antigas.

Esta relação mostra a Enviva de forma favorável e King apareceu no relatório de sustentabilidade de 2020 da empresa como um exemplo de como a Enviva ajuda as comunidades locais.

Ajudar proprietários a manter posse de suas florestas é um modo da empresa dizer que promove sustentabilidade. Melhor manter essas pequenas propriedades privadas como produtoras de madeira do que transformá-las em subdivisões do bairro e estacionamentos, dizem os defensores.

Mas para alguns, a crescente presença da indústria de pellets de madeira tornou a vida pior.

Sherri White-Williamson é diretora da política de justiça ambiental no North Caroline Conservation Network. Ela diz que a cidade excessivamente industrializada de Clinton, onde ela mora, foi atingida com força pela fábrica de produção de pellets de madeira da Enviva. Há um odor desagradável, ela diz, e os residentes relatam o barulho de serraria o tempo todo e poeira cobrindo as casas e ruas.

Um estudo publicado em 2018 mostrou que as fábricas de pellets tinham 50% de probabilidade a mais de se estabelecerem em comunidades onde os níveis de pobreza são altos e pelo menos um quarto dos residentes não são brancos.

“Você tem fábricas cortando árvores o dia todo, todos os dias, chegando ao ponto dos residentes terem que limpar os telhados e carros. Você vê um aumento na asma,” diz Quaranda do Dogwood Alliance.

“Se há uma preocupação específica ou reclamação, sempre a levamos muito a sério. Investigamos a reclamação e tomamos decisões de mitigação,” diz Yana Kravtsova, vice-presidente executiva de comunicações da Enviva. “Vivemos e trabalhamos na mesma comunidade. Se há algo de errado, vamos ouvir.”

Uma indústria preparada para o crescimento

Em um comentário de 2018 na Nature Communications, Searchinger e seus colegas calcularam que para gerar apenas 2% a mais de eletricidade usando a queima de madeira, o mundo precisaria coletar o dobro de madeira. Ativistas ambientais temem que a indústria de pellets de madeira continue crescendo se as regras de emissão não mudarem.

Na “Fit for 55” da União Europeia para redução de emissões em 55% até 2030, a energia de biomassa ainda está rotulada como carbono neutra. Mas em um relatório publicado em 2018, o Committee on Climate Change do Reino Unido disse que a energia de biomassa deveria ser limitada. O país tem contratos ampliando subsídios até 2027, mas quando eles acabarem, o comitê desencorajou a continuidade do uso.

Essas descobertas não pararam a indústria de apostar no crescimento.

No começo da semana, o chefe de política climática da União Europeia, Frans Timmermans, disse aos jornalistas que a Europa precisava contar com a biomassa para cumprir os objetivos de energia limpa. E antes da conferência climática começar, o governador de Louisiana, John Bel Edwards, visitou a usina de energia Drax, dizendo que ele esperava continuar a trabalhar com o consumidor de biomassa.

No sudeste dos EUA, do sul da Virgínia até a Costa do Golfo do Texas, há agora 23 instalações processando árvores em pellets de madeira que são então exportados para a Europa. Um adicional de oito instalações foi proposto ao longo da mesma região.

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