Perpetual Planet

As “estupas de gelo” que podem irrigar o Himalaia

Geleiras artificiais estão sendo usadas para cultivar safras no deserto extremo. Quarta-feira, 13 Junho

Por Nina Strochlic

No alto do Himalaia, o deserto está ficando verde.

As mudanças climáticas na região indiana de Ladakh diminuiu as geleiras e tornou as chuvas e as temperaturas imprevisíveis. A água é necessária para irrigar os campos de cevada, maçãs e outras culturas na primavera, mas o derretimento glacial não acontece até o verão. Para poupar os agricultores de uma produção estéril, o engenheiro Sonam Wangchuk inventou uma maneira de trazer as geleiras para a população.

Em 2015, com US$125.000 arrecadados em um site de crowfunding, Wangchuk construiu uma “estupa de gelo” com quase 20 metros de altura – uma geleira artificial feita com a canalização de córregos da montanha até um vilarejo em Ladakhi. A água jorra - como num gêiser -de um tubo vertical, congelando em um cone de gelo em forma de um santuário budista. Ele foi projetado para ficar congelado até o sol da primavera aquecer os campos.

Efetivamente, o protótipo de Wangchuk começou a derreter em abril, regando um campo de álamos recém-plantados. Em junho, quando o derretimento glacial regular começou a fluir, a maior parte da estupa de gelo já tinha desaparecido.

Agora Wangchuk está construindo uma tubulação para fazer mais 50 estupas de gelo. Cada uma fornecerá 10 milhões de litros de água por ano e irrigará 10 hectares de terra.

A notícia de seu projeto alcançou os topos das montanhas em todo o mundo. No ano passado, ele construiu a primeira estupa de gelo na Europa, nos Alpes Suíços, e este ano vai trabalhar no recongelamento de um lago glacial na Índia para conter as enchentes.

O inventor – cujos projetos anteriores incluem edifícios movidos a energia solar e fogões eficientes – ganhou o Prêmio Rolex para Empresas em 2016. Ele está usando os ganhos para estabelecer uma universidade de pesquisa Pan-Himalaica, que abordará as preocupações ambientais da região.

“A escassez de água é um grave problema”, disse Tsering Spalzes, um agricultor local em um vídeo para a campanha de crowfunding. “No futuro, nossos filhos vão achar impossível continuar a agricultura”.

Wangchuk espera que, se os habitantes locais se adaptarem agora, seus descendentes não se tornarão refugiados do clima. “Nós, nas montanhas, somos minoria, não apenas étnicas, mas climáticas”, diz ele. “As coisas que funcionam em Nova York ou em Nova Delhi não funcionam nas montanhas. Temos que encontrar nossas próprias soluções para nossos problemas."