Dez novas aves descobertas em 'mundo perdido'

Expedição recorde a três ilhas pouco exploradas da Indonésia revela novas espécies e subespécies de aves canoras.

Thursday, January 16, 2020,
Por Tim Vernimmen
O papa-moscas-da-selva de Togian é uma nova subespécie de pássaro encontrada em Batudaka, uma das ilhas ...
O papa-moscas-da-selva de Togian é uma nova subespécie de pássaro encontrada em Batudaka, uma das ilhas do arquipélago de Togian.
Foto de James Eaton, Birdtour Asia

Brilhantemente coloridos, ruidosos e ativos durante o dia, muitos pássaros são fáceis de achar — e identificar. Nas últimas duas décadas, seis novas espécies de aves, em média, foram descritas a cada ano em todo o mundo.

Mas 2020 será diferente, pois cientistas acabam de anunciar dez espécies e subespécies anteriormente não descritas encontradas em três ilhas da Indonésia a leste de Celebes.

Essa incrível variedade aviária foi coletada ao longo de seis semanas em 2013 e 2014 nas ilhas montanhosas de Taliabu, Peleng e Batudaka, locais presumidamente considerados esconderijos de aves desconhecidas, diz Frank Rheindt, líder do estudo e ornitólogo da Universidade Nacional de Cingapura. Um dos motivos é que os exploradores do século 19, como o naturalista britânico Alfred Russel Wallace, não passaram muito tempo nessas ilhas.

“Também estávamos particularmente interessados em visitar ilhas localizadas em alto mar. Por não terem sido ligadas a nenhuma outra massa terrestre durante as eras glaciais, são lugares bastante promissores para descoberta de espécies endêmicas,” diz Rheindt, cujo estudo aparece na revista científica Science.

Muitas aves de florestas tropicais evitam áreas abertas, de modo que “um trecho de oceano ou mesmo uma rodovia pode impedir o movimento deles de uma área florestal para outra”, conta ele. As poucas aves que, acidentalmente, acabam em ilhas isoladas depois de, por exemplo, serem lançadas ao mar por uma tempestade, podem originar novas espécies.

Dois dos animais recém-descobertos são da espécie felosa, pertencendo a um grupo de pequenos pássaros canoros que comem insetos e vivem no Velho Mundo. Outros incluem o Taliabu myzomela, um tipo de ave da família Meliphagidae que se alimenta de uma grande variedade de néctar e frutas, e o Peleng fantail, um pássaro que, fazendo justiça ao nome em inglês, abana as penas da cauda quando está irritado ou alarmado.

O biólogo de campo Mochamad Indrawan, da Universidade da Indonésia, foi o primeiro a coletar e relatar a existência do Peleng fantail, mas não participou do referido estudo.

“Eu apoio bastante a descrição de novas espécies,” afirma Indrawan, que trabalha há quase 30 anos com comunidades locais para proteger as florestas das ilhas. “É muito útil. Mas estamos na era da extinção, na era das mudanças climáticas, então espero que possamos fazer mais do que isso para proteger essas aves.”

Os cientistas estão particularmente preocupados com a felosa-malhada-de-taliabu, cujo habitat pode ter diminuído para apenas alguns quilômetros quadrados devido a incêndios e ao desmatamento.
Foto de James Eaton, Birdtour Asia

Cantando uma melodia diferente

Durante a expedição, Rheindt e seus colegas usaram um método testado e comprovado para rastreamento de aves: o canto. Alguns foram ouvidos dias antes de o animal ser finalmente avistado.

A primeira vez que Rheindt e colegas escalaram as montanhas de Taliabu, foram atingidos por fortes chuvas e pensaram em retroceder. “Então ouvi o som de gorjeio que parecia um inseto, típico de uma espécie de felosa-malhada, que eu nunca tinha ouvido antes,” lembra ele.

Tivemos que subir um pouco mais até finalmente avistarmos o pequeno pássaro marrom agora chamado de felosa-malhada-de-taliabu.

A equipe coletou exemplares dos pássaros e, de volta ao laboratório, descreveu cuidadosamente a aparência e anatomia deles. O DNA e os cantos gravados das aves também foram analisados para confirmar que os animais eram diferentes o suficiente de qualquer outra espécie conhecida para poderem ser denominados uma nova espécie ou subespécie.

Nenhum outro lugar para ir

Como todas essas aves provavelmente não vivem em nenhum outro lugar, são vulneráveis à extinção, principalmente em decorrência do desmatamento, que tem sido desenfreado nessas ilhas, e de incêndios florestais, afirmam os autores.

Rheindt está preocupado principalmente com a felosa-malhada.

“Encontramos o pássaro apenas em um pequeno pedaço de vegetação baixa, no alto das montanhas, em uma área bastante vulnerável a incêndios. À medida que a temperatura e a seca aumentam, o risco de incêndio também cresce, e esse pássaro não tem nenhum outro lugar para ir.”

A coautora do estudo, Dewi Prawiradilaga, bióloga do Instituto de Ciências da Indonésia, acrescenta que “precisamos ser otimistas e acreditar que a publicação de nossa descoberta ajudará a manter as aves e o habitat delas em segurança”.

Ela espera que o governo indonésio considere a concessão de status de proteção às espécies e subespécies recentemente descobertas.

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