Conheça a corrida para salvar os leões da África Ocidental em perigo de extinção

É crucial aprender o máximo sobre esses felinos raros para salvá-los da extinção local, dizem os conservacionistas.

Por John Wendle
Publicado 11 de jul. de 2022 13:32 BRT
Até agora, não se conhecia que os leões da África Ocidental em perigo de extinção formassem ...

Até agora, não se conhecia que os leões da África Ocidental em perigo de extinção formassem bandos. Mas aqui no Parque Nacional Niokolo-Koba, no Senegal, Florence, uma fêmea com rádio-colar está ao lado de um membro do rebanho feminino.

Foto de John Wendle

Parque Nacional Niokolo-Koba, Senegal | Os alaridos de um javali explodem nos alto-falantes e ecoam pelas árvores enquanto Kris Everatt tenta atrair um leão e lançar dardos para logo colocar-lhe o rádio-colar. Ele pausa os gritos gravados e a equipe volta a esperar sigilosa no furgão.

Aparentemente do nada, ouvimos patas esmagando folhas secas por perto. Estivemos aqui a noite toda, vigiando a isca, e de repente estamos bem acordados.

Logo, silêncio. Everatt, um biólogo canadense da organização de conservação de felinos selvagens Panthera, que trabalha na África há mais de uma década, faz a expressão de alguém que tenta ver com os ouvidos.

Para minha surpresa, ele começa a imitar o ronrom de um leão. O truque funciona, e o animal invisível começa a se deleitar com a isca, um pedaço de carne e tripas amarrado a uma árvore a trinta metros de distância. Na escuridão, ouvimos tendões rasgando e ossos se estilhaçando.

À esquerda: No alto:

Guardas florestais investigam um acampamento de caçadores ilegais na parte norte do Parque Nacional Niokolo-Koba, onde a caça de presas de leões, como antílopes, ameaça a sobrevivência do felino.

À direita: Acima:

Mouhamadou Ndiaye, um técnico de campo senegalês da organização de conservação Panthera, mostra o chifre de uma Palanca-Vermelha morta no parque, na área de caça dos leões. Os antílopes, que podem atingir mais de 280 quilos, são a presa favorita dos leões – e um alvo para os caçadores furtivos.

fotografias de John Wendle

Estamos no extremo sudeste do Senegal, no pouco conhecido Parque Nacional Niokolo-Koba, uma reserva de 9 mil quilômetros quadrados, Patrimônio Mundial da Unesco desde 1981. O serviço nacional de parques e o Panthera estão em uma corrida aqui para salvar cerca de 30 leões da África em perigo de extinção local.

Os leões da África Ocidental só foram reconhecidos recentemente como mais intimamente relacionados aos leões asiáticos na Índia do que aos das savanas do sul da África. De fato, em comparação com seus parentes, os felinos da África Ocidental são mais altos e mais musculosos, e não possuem aquelas jubas majestosas.

Os últimos leões em Niokolo-Koba são ameaçados pela caça ilegal das suas presas, como antílopes e búfalos. Os conservacionistas temem que os próprios leões também estejam em perigo: peles, dentes, garras e carne de leão alcançam preços altos, principalmente na África e na Ásia, onde o osso de leão é um substituto para o osso de tigre selvagem, cada vez mais raro na medicina tradicional.

O rio Gâmbia é a principal atração de leões e outros animais selvagens no Parque Nacional Niokolo-Koba.

 

Foto de John Wendle

É difícil dizer quantos leões da África Ocidental foram perdidos pela caça ilegal. Somente se sabe que a abrangência deles diminuiu 99%, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, que define o status de conservação das espécies.

Em Niokolo-Koba, a caça ilegal, a expansão da agricultura e a crescente incidência de incêndios florestais levaram a Unesco, em 2007, a adicionar o parque à sua lista de Patrimônio Mundial em Perigo. Enquanto isso, a mineração artesanal de ouro nas proximidades intensificou as pressões.

“Há problemas por resolver”, alerta Jacques Gomis, chefe do parque. “Queremos tirar o parque da lista vermelha. A meta é 2024.”

Em toda a África Ocidental, existem apenas entre 121 e 374 leões adultos, de acordo com Philipp Henschel, diretor do Panthera para a região e chefe do projeto em Niokolo-Koba, que começou a pesquisar leões no parque em 2011. Além dos leões do Senegal, alguns vivem na reserva transfronteiriça W-Arly-Pendjari, onde se encontram Níger, Benin e Burkina Faso; outros sobrevivem em dois parques muito pequenos na Nigéria. Quando Henschel começou a estudar os leões de Niokolo-Koba (até o momento, ele realizou duas pesquisas), o pesquisador estimou que encontraria apenas uma dúzia, mas nenhum dos guardas do parque jamais tinha visto um leão, diz ele.

“Corremos o risco de ver desaparecer uma pequena população após a outra”, destaca Henschel sobre os leões da África Ocidental. “Em seguida, só ficarão alguns poucos no sul da África”. Durante as últimas duas décadas, a população geral de leões do continente diminuiu à metade. É difícil definir os números exatos, mas provavelmente hoje existem entre 20 mil e 25 mil leões selvagens.

Por isso é tão importante estudar os leões de Niokolo-Koba agora, diz Henschel. “Temos que ser mais rápidos que os caçadores ilegais.”

Ele e Everatt acham que o parque pode abrigar entre 180 e 240 leões. O Panthera e o serviço do parque têm esse número como alvo, já que a recuperação desse superpredador ajudará a reviver todo o seu ecossistema.

“Nós não selecionamos os leões só porque eles são muito legais, e nós amamos a espécie – o que definitivamente é verdade – mas também porque eles desempenham um papel fundamental em um ecossistema em funcionamento”, esclarece Everatt. “Eles também servem como uma espécie guarda-chuva”, diz ele, porque para proteger um superpredador, você precisa proteger tudo abaixo dele na cadeia alimentar.

Ponto cego

Os rios Gâmbia e Niokolo nutrem uma paisagem diversificada de florestas, planaltos e vales. O parque não só abriga as populações de leões, chimpanzés e elefantes mais setentrionais e ocidentais do mundo, mas também elandes-gigantes, cães selvagens, leopardos, hienas, babuínos, kobas (o antílope que dá nome ao parque), aproximadamente outras 60 espécies de mamíferos, e mais de 300 tipos de aves.

No entanto, Niokolo-Koba – e seus poucos leões – permanece uma terra incógnita. “De uma perspectiva científica, ainda é um ponto cego”, diz Henschel. “Queremos e precisamos aprender ainda muito mais” – especialmente sobre os leões, se procuramos salvá-los.

Os leões da savana da África são bem estudados, mas dos felinos da África Ocidental, desde o tamanho e a variedade do rebanho até a dieta e o comportamento de acasalamento, tudo aguarda documentação científica. A colocação de colares com GPS nos leões, que são financiados pela National Geographic Society, é essencial para coletar informações variadas sobre eles – é por isso que Everatt e a equipe esperaram durante a noite inteira que um leão se alimentasse da isca.

(Assista ao encontro espetacular com um leão de juba negra da Etiópia)

Enquanto o leão come, Mouhamadou Ndiaye, assistente de campo do Panthera, abaixa lentamente sua lanterna. No momento em que a luz encontra o felino, Everatt aperta o gatilho de sua arma de dardos. Há uma baforada e o leão adormece. Everatt dirige, sai e lança um graveto em uma perna. O leão não se mexe.

Eu estou silenciosamente pisando na estrada de areia quando Everatt ordena urgente: “Volte para o caminhão. Todo o rebanho está aqui.”

Este leão, uma fêmea, é jovem, o que significa que muito provavelmente os outros membros de sua família estejam por perto. Isto também significa que Everatt não vai colocar um colar nela: nos próximos meses ela crescerá rapidamente e o colar vai ficar muito pequeno. A equipe do Panthera conseguiu colocar os colares em oito machos até agora, mas apenas em uma fêmea, Florence. Enquanto a luz azul do amanhecer invade a floresta, Everatt injeta nela um antídoto e, assim que ela se levanta, começa a comer novamente.

Árvore genealógica do leão

Henschel e seus colegas do Panthera estão lutando tenazmente para garantir que as pequenas populações de leões da África Ocidental não “desapareçam”. A conservação não é o único objetivo. Enquanto trabalhava nas florestas da África Ocidental em busca de enclaves de leões, Henschel coletou amostras genéticas que estão ajudando a expandir nossa compreensão da árvore genealógica dos leões.

Em maio, Laura Bertola, pesquisadora da Universidade de Copenhague, e seus colegas publicaram um estudo descrevendo o sequenciamento genético dos leões em toda a África e em uma reserva no estado indiano de Gujarat.

A pesquisa mostra que os leões da África Ocidental estão mais intimamente relacionados aos felinos da Índia do que aos do sul da África. Também apresenta oficialmente uma nova divisão entre “leões do Norte” (Panthera leo leo) na Índia e África Ocidental, e “leões do Sul” (Panthera leo melanochaita) na África Austral.

“Nós não criamos uma nova subespécie”, diz Bertola. “Apenas redesenhamos os limites. Em vez de ter uma distinção África-Ásia, como era o caso anteriormente, agora temos essa distinção norte-sul, que está alinhada com a história evolutiva da espécie”.

Embora os leões do Sul possam acasalar com os do Norte, diz Henschel, seria um erro trazê-los para Niokolo-Koba para reabastecer a população: isso prejudicaria sua singularidade genética. Por isto, salvar os leões Niokolo-Koba se torna ainda mais urgente, explica.

“Eu tinha um mapa na parede”, diz Bertola. “Toda vez que [Henschel] reportava, havia, infelizmente, mais populações que eu poderia riscar do mapa. Então, esse mapa lentamente se enchia de cruzes vermelhas, porque a presença de leões não podia ser reconfirmada nessas áreas. Foi bem deprimente”.

'É como CSI'

Sentimos o cheiro da matança antes de vê-la. Everatt e Ndiaye estão atravessando um campo de grama da mesma cor do leão e à altura da coxa, e adentrando na floresta que é um caos silencioso de trepadeiras e acácias espinhosas. À medida que descemos em direção a um bebedouro escondido, o cheiro de podridão fica mais forte.

“Habitat de caça fácil para um leão”, sussurra Everatt. Olhando para seu GPS, ele para. As coordenadas indicam a localização de uma possível morte por um macho com rádio-colar recém colocado. Os dois pesquisadores se espalharam, abaixando as cabeças, na procura de pistas.

“Adoro essa parte – é como CSI”, comenta Everatt enquanto vasculha a vegetação rasteira. Parece uma cena de crime, mas onde o assassino ainda está solto – e pode estar perto.

Ndiaye chama a equipe. Ele encontrou fezes, uma possível pista de onde a presa foi devorada. Ele marca o local com o GPS e coloca uma amostra em um frasco plástico para posterior análise genética. O time se empolga novamente.

“Ele está vendo as sutilezas”, diz Everatt sobre Ndiaye, que não tinha experiência em rastrear ou estudar leões antes de ingressar na equipe. “O futuro da conservação e da ecologia na África dependerá completamente destas voltarem às mãos dos africanos.”

Ali perto, os pesquisadores encontram partes de uma mandíbula e a coroa de um crânio com um pedaço de chifre. Isso ajuda a resolver o mistério: o animal era uma jovem palanca vermelha. “Ali é o local da morte, mas foi aqui que ele comeu a cabeça”, comenta Everatt.

“Tudo faz parte de uma melhor compreensão dos leões da África Ocidental”, diz Everatt. “Uma das questões é o uso do habitat nesta escala muito detalhada – na escala de matar e comer alguma coisa.” Os rádio-colares com GPS permitem que os pesquisadores monitorem para onde os leões vão, como eles interagem, o que comem. “Você realmente acaba conhecendo os indivíduos”, conta. Tão pouco se sabe sobre esses felinos que construir um conhecimento básico será crucial para descobrir a melhor forma de protegê-los.

Patrulha contra a caça ilegal

A marca de pneus de bicicleta serpenteia pela estrada arenosa e pela floresta. Esta pista estranha é sinal de caçador ilegal, diz o sargento Mamadou Sall. Ele é o líder de um grupo de oito guardas florestais armados do serviço do parque nacional que reúne seus homens e, pelas próximas três horas, seguimos a trilha por terreno acidentado durante 17 quilômetros em direção à estrada nacional e às aldeias que formam a fronteira norte do parque.

Estamos no meio do mato, na região centro-norte do parque, dizimada por décadas de caça ilegal e incêndios; quase toda a vegetação rasteira foi queimada. Logo, as marcas de pneus se unem a outras. Chegando a um trecho plano, nos deparamos com pequenos acampamentos vazios. São principalmente círculos de pedras ao redor de fogueiras, mas alguns têm racks de secagem para processar carne selvagem.

Para os leões, a caça ilegal transformou partes de Niokolo-Koba em uma “zona de guerra”, diz Henschel. Vários esforços ao redor do perímetro visam conscientizar as comunidades locais sobre a importância do parque, mas até agora os incêndios e a caça irregular não pararam. Normalmente, os caçadores furtivos querem animais maiores, como antílopes, as presas que os leões precisam para sobreviver. “Síndrome do parque vazio” foi o diagnóstico de Bertola das áreas externas de Niokolo-Koba na sua visita em 2014.

“É muito difícil banir alguém que obtém sua comida do mato”, diz Sall. A caça é subsistência e comércio ao mesmo tempo, feita principalmente por senegaleses, mas também por pessoas do país vizinho, Guiné. Eles usam espingardas e rifles de assalto, não armadilhas ou veneno. Se bem que isso torna a matança menos indiscriminada, acaba sendo mais arriscada para os guardas, que ocasionalmente são atingidos, conta.

O Panthera apoia os guardas florestais desde 2016 e agora financia três equipes anti-caça ilegal e seus caminhões. Um total de seis patrulhas financiadas permanentemente com seus próprios veículos seria suficiente para proteger todo o parque, esclarece Henschel.

No final da patrulha, eu tinha bebido mais de três litros de água e o time não encontrou nenhum caçador furtivo. Geralmente é assim que passam seus dias – como Everatt diz, até mesmo a vigia irregular se torna, até certo ponto, um impedimento.

Ao retornarmos ao centro mais patrulhado de Niokolo-Koba, os efeitos positivos dos guardas florestais são visíveis: a vegetação rasteira é robusta, há mais animais. Uma semana lá, vejo cinco leões, ginetas, civetas e duas espécies de mangusto, bem como oito espécies de antílopes, desde robustas palancas-vermelhas a delicados oribis.

(Você pode se interessar por: Este leão de três patas é um símbolo de esperança)

Além disso, enquanto dirigimos com a equipe pela floresta densa e passamos por poços de água em busca de locais possíveis ​​​​para montar isca para pegar outro leão, também vi crocodilos, javalis, babuínos da Guiné, macacos, e 14 espécies de pássaros, incluindo o africano abutre de cabeça branca à beira da extinção; sua presença após uma década de ausência sugere uma recuperação parcial do parque.

Everatt compara a diferença entre o perímetro e o centro do parque para fazer uma viagem no tempo: as áreas externas ainda lembram o lugar vazio que Bertola viu há oito anos, e o centro mostra como se veria um futuro mais positivo.

Assunto sério

"Onde?"

"Lá."

"Onde?"

"Lá!" Ndiaye diz, apontando. Florence e duas fêmeas jovens, provavelmente suas filhas, estão acampadas atrás de uma tela de grama seca à sombra de um grande ramo de folhas de palmeira, bem na minha frente. Kris acha que um jovem macho, seu filho, pode estar por perto.

Everatt e Ndiaye rastrearam o pequeno bando usando o rádio-colar de Flo. Estacionamos perto e pegamos nossos binóculos. Os leões estão cochilando, e, ocasionalmente, se sentam para ver como os observamos. À medida que a tarde vai caindo, os leões bocejam alternadamente, revelando seus enormes caninos. Esticam suas pernas e patas poderosas, eles logo estarão prontos para caçar o jantar.

“Isso é um assunto sério”, reflete Everatt, jogado no teto do caminhão. Grandes felinos descansando juntos debaixo de uma árvore apresentam uma imagem de cartão postal da savana africana, mas alguns pesquisadores levantaram a hipótese de que os leões da África Ocidental não formam bandos, então ver esse grupo no parque é “nova informação”, diz ele.

Até o momento, Everatt e Henschel identificaram seis ou sete bandos pequenos, dois bandos maiores e alguns machos solteiros. Durante a campanha de rádio-colares deste ano, eles também encontraram e colocaram colares em dois membros de uma coalizão de três machos jovens. Uma coalizão, que ajuda os machos mais jovens a conquistar território e parceiros, nunca foi documentada na África Ocidental, e pode ser outro sinal de recuperação em Niokolo-Koba, aponta Everatt.

Para repovoar o parque com até 240 leões, Henschel diz que é necessário mais financiamento para expandir o programa de pesquisa do Panthera e reforçar as patrulhas contra a caça furtiva. A abertura do Niokolodge, um acampamento de ecoturismo no centro do parque, sinaliza o início do turismo de alto nível. “Um caçador pode ganhar muito dinheiro com um leão morto”, diz Henschel, “mas por enquanto, um leão vivo não se paga. Ainda não." Mas os visitantes que esperam encontrar um leão e outros animais começaram a passar tempo – e gastar dinheiro – no parque.

Por enquanto, Flo e suas filhas, relaxadas na sombra, são a prova de que a recuperação pode acontecer. “Estou esperançoso. Acho que é muito possível”, comemora Everatt. “Quero dizer, levará 20 anos, mas para nós, é um esforço de longo prazo."

John Wendle escreveu outros artigos para a National Geographic sobre leopardos-das-neves siberianos, mudanças climáticas em Svalbard e contrabando de artefatos no Afeganistão, entre outros tópicos. Você pode ver mais de seu trabalho em www.johnwendle.com.

A National Geographic Society apoia a seção Observar a Vida Selvagem (Wildlife Watch), nosso projeto de reportagem investigativa focado no crime e na exploração da vida selvagem. Leia mais histórias de  Observar a vida Selvagem  aqui e envie dicas, comentários e ideias de histórias para NGP.WildlifeWatch@natgeo.com. Saiba mais sobre a missão sem fins lucrativos da National Geographic Society em natgeo.com/impact.

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