Como os cachorros entendem a linguagem humana?

Estudos científicos analisaram a atividade cerebral dos cães e indicam que eles não só entendem palavras como podem identificar idiomas diferentes. Saiba como esse processo funciona.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 31 de mar. de 2023, 16:36 BRT
Uma mulher e sua esposa brincam com seus cães em sua fazenda.

Uma mulher e sua esposa brincam com seus cães em sua fazenda.

Foto de Kendrick Brinson

Será que os cachorros entendem o que os seres humanos falam? Pergunte isso a qualquer um que tenha um peludo em casa e a resposta será “sim, sem sombra de dúvidas”. Mas o que a ciência diz sobre a habilidade canina de entender palavras? 

Um estudo de imagem cerebral realizado por pesquisadores húngaros do Departamento de Etologia da Universidade Eötvös Loránd (na Hungria), em 2021, descobriu que os cães podem reconhecer regularidades complexas na fala humana. De acordo com o trabalho, publicado na revista científica Current Biology, os cães extraem palavras da fala contínua usando cálculos e regiões cerebrais semelhantes ao que acontece com bebês humanos. 

Segundo o estudo, para saber onde uma palavra termina e outra começa, os bebês fazem cálculos complexos para acompanhar o padrão das sílabas: sílabas que geralmente aparecem juntas são provavelmente palavras, e aquelas que não aparecem provavelmente não são. O cérebro dos cachorros parece funcionar de forma parecida. 

A partir de exames que analisam a atividade elétrica cerebral espontânea, os pesquisadores identificaram diferenças nas ondas cerebrais dos cães para palavras frequentes em comparação com palavras raras. Além disso, o estudo também observou diferenças de ondas cerebrais para sílabas que sempre ocorrem juntas em comparação com sílabas usadas em conjunto mais ocasionalmente. Isso indica que cães acompanham não apenas padrões simples de linguagem mas também padrões mais complexos. 

De acordo com o trabalho, essa foi a primeira demonstração da capacidade de usar estatísticas complexas (a probabilidade de sílabas aparecerem juntas) para aprender sobre limites de palavras em fala contínua em um mamífero não-humano.

Cachorros também notam a diferença entre línguas

Outro estudo de pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd (Hungria), este de 2022, observou que os cérebros dos cães podem não só detectar a fala, mas também mostram diferentes padrões de atividade para uma linguagem familiar e para uma desconhecida. 

O estudo, publicado na revista científica NeuroImage, submeteu 18 cães treinados para ficarem imóveis a um scanner cerebral enquanto ouviam trechos do livro “O Pequeno Príncipe” em espanhol e em húngaro. Todos os cães conheciam apenas uma das duas línguas a partir de interações com seus donos, assim foi possível comparar as reações a uma linguagem altamente familiar com uma completamente desconhecida.

O resultado do trabalho identificou padrões de atividade específicos da linguagem na região do córtex auditivo secundário. Isso, segundo os pesquisadores, indica que os cachorros foram capazes de distinguir entre espanhol e húngaro. Curiosamente, quanto mais velho era o cachorro, melhor seu cérebro distinguia entre os dois idiomas.

Essa foi a primeira demonstração de que um cérebro não-humano pode diferenciar duas línguas.

Entretanto, os pesquisadores de ambos os trabalhos científicos ainda não entendem como esses mecanismos cerebrais para o aprendizado de palavras surgiram em cães. Uma das hipóteses é que eles refletem as habilidades desenvolvidas ao viver em um ambiente rico em linguagem, mas mais pesquisas são necessárias para saber, exatamente, como o cão entende a fala humana. 

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