Acima, um sapo anitomeya imitator, que é uma espécie venenosa típica do Peru.

Quais são as diferenças entre sapo, rã e perereca?

Apesar de todos estes animais pertencerem à mesma ordem, a Anura, eles possuem diferenças significativas de famílias e espécies que se traduzem em diferentes hábitos e aparências.

Acima, um sapo anitomeya imitator, que é uma espécie venenosa típica do Peru.

Foto de Kyle Summers
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 4 de set. de 2024, 12:00 BRT

maior ordem de anfíbios existentes na Terra é a Anura, da qual pertencem todas as diferentes famílias e espécies de sapos, rãs e pererecas. Com cerca de 7.300 espécies, os animais da ordem Anura estão presentes no mundo todo – menos na Antártida, já que esses anfíbios não conseguem sobreviver às temperaturas tão geladas desse continente, conforme relata a Encyclopaedia Britannica (plataforma de conhecimento e educação do Reino Unido).

Entre tantas espécies de anuros, o Brasil contabiliza 1.144 espécies – sendo, portanto, o país com a maior diversidade desse grupo de anfíbios do mundo, segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), um órgão que pertence ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

(Você pode se interessar por: Qual é o único país do mundo sem mosquitos?)

principal semelhança que une todas as espécies de anuros é que esses animais respiram pela pele e também pelo pulmão, e sugam água pela região inguinal (aquela abaixo da barriga), conforme explica Carlos Jared, que é diretor do Laboratório de Biologia Estrutural do Instituto Butantan (instituição governamental de São Paulo que, desde 1901, estuda animais, faz pesquisas científicas e produção de imunobiológicos). 

Apesar disso, há várias características que diferenciam os anfíbios anuros entre si. Conheça, a seguir, as principais diferenças entre os sapos, as rãs e as pererecas. 

O sapo Rhinella diptycha pertence ao grupo dos sapos cururus, uma espécie que habita o Brasil ...

O sapo Rhinella diptycha pertence ao grupo dos sapos cururus, uma espécie que habita o Brasil e vários outros países da América do Sul.


 

Foto de Carlos Jared

O sapo Rhinella diptycha pertence ao grupo dos sapos cururus, uma espécie que habita o Brasil e vários outros países da América do Sul.


 

Foto de Carlos Jared

As diferenças entre sapo, rã e perereca

  • As características dos sapos

Eles são membros da família Bufonidae que, em todo o mundo, possui cerca de 600 espécies dentre 52 gêneros, sendo que mais da metade dos bufonídeos são membros de um único gênero, Bufo, segundo a Animal Diversity Web (ADW), enciclopédia online mantida pelo Museu de Zoologia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. 

Os sapos são anfíbios terrestres, mas os machos e as fêmeas se encontram nas proximidades de lagoas ou outros locais úmidos para acasalarem. As fêmeas colocam ovos dentro da água e os girinos nadam até nascerem as patas, trocando então para o habitat terrestre. 

Entre os demais anuros, os sapos são os que possuem o corpo mais fortepatas traseiras curtas e robustas. Outra característica marcante desses animais é que eles costumam caminhar em vez de saltar e pular. De acordo com o Butantan, uma característica comum entre os sapos é a presença de duas grandes glândulas atrás da cabeça, chamadas de glândulas parotoides. É nelas que fica o veneno usado em quem tenta mordê-lo. 

Porém, não é preciso termedo de sapos” porque esses animais não têm como expelir o veneno sozinhos. É o próprio predador ou agressor que aciona a substância tóxica através da pressão da mordida, levando os jatos de veneno na boca. 

Os sapos possuem a pele seca e rugosa, mas precisam de hidratação para manter seu metabolismo e, por isso, é comum encontrá-los próximos de lagoas, poças d’água e tanques e máquinas de lavar roupa.

(Ainda sobre animais, leia também: Os chimpanzés não conseguem cozinhar, mas eles adorariam)

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Na foto vemos um exemplar de Leptodactylus labyrinthicus que não é da família das rãs, mas ...

Na foto vemos um exemplar de Leptodactylus labyrinthicus que não é da família das rãs, mas é chamada dessa forma erroneamente no Brasil. Eles são encontrados no Cerrado e na Caatinga do Brasil, bem como em outros países sul-americanos.

Foto de Carlos Jared

Na foto vemos um exemplar de Leptodactylus labyrinthicus que não é da família das rãs, mas é chamada dessa forma erroneamente no Brasil. Eles são encontrados no Cerrado e na Caatinga do Brasil, bem como em outros países sul-americanos.

Foto de Carlos Jared
  • Os principais dados sobre as rãs

maior família de rãs que existe no mundo é a Ranidae, cujas espécies ocorrem quase exclusivamente no Hemisfério Norte. Há duas subfamílias de rãs, contendo cerca de 35 gêneros e mais de 600 espécies. Os ranídeos não são encontrados naturalmente na América do Sul, na maior parte da Austrália, na Índia e na maioria das ilhas oceânicas, de acordo com a ADW.

Como no Brasil não há este tipo de anfíbio na natureza, as rãs servidas como alimento em restaurantes ou em casa são da espécie Aquarana catesbeiana, mais conhecidas como rã-touro. Elas vêm de criadouros de rãs, ou seja, fora da natureza. Esses animais são originários dos Estados Unidos e do Canadá, explica o site do Instituto Butantan.

Apesar de não serem encontradas no Brasil naturalmente, o nome desse animal se popularizou graças aos portugueses que, ao encontrarem anfíbios anuros parecidos com as rãs em território brasileiro, também os chamavam assim. 

“Os portugueses introduziram o termo ‘rã’ no Brasil para um animal que não é a rã de verdade, mas é semelhante. As 'nossas rãs', também chamadas de jias ou caçotespertencem à família Leptodactylidae, cujas espécies são comuns nas Américas do Sul e Central”, afirma Carlos Jared no site do Butantan

Além de serem encontrados só em alguns locais do mundo, outra diferença entre as rãs e os sapos é que as rãs são animais semiaquáticos. Quando se deparam com alguma ameaça em terra, elas saltam para a água, onde permanecem nadando. Como as rãs passam mais tempo na água ou geralmente ficam mais perto dela quando estão em terra, sua pele é úmida e com aspecto mais viscoso e brilhante

As patas de sapos, rãs e pererecas também são outro ponto diferencial entre os anfíbios anuros. As rãs têm patas longas e fortes, elas são exímias saltadoras. Mas para saltarem com grande amplitude e rapidez, as rãs gastam muita energia. 

(Para saber mais sobre os anfíbiosO veneno do sapo bufo – como age o potente alucinógeno produzido por esse anfíbio)
 

Pererecas
Uma perereca Nesorohyla Kanaima em cima de uma árvore, na Guiana, mostra seus grandes olhos pretos.

Uma perereca Nesorohyla Kanaima em cima de uma árvore, na Guiana, mostra seus grandes olhos pretos.

Foto de Renan Ozturk
A perereca Itapotihyla langsdorffii é uma espécie facilmente encontrada no Brasil, principalmente na Mata Atlântica.

A perereca Itapotihyla langsdorffii é uma espécie facilmente encontrada no Brasil, principalmente na Mata Atlântica.

Foto de Carlos Jared
À esquerda: No alto:

Uma perereca Nesorohyla Kanaima em cima de uma árvore, na Guiana, mostra seus grandes olhos pretos.

Foto de Renan Ozturk
À direita: Acima:

A perereca Itapotihyla langsdorffii é uma espécie facilmente encontrada no Brasil, principalmente na Mata Atlântica.

Foto de Carlos Jared
  • O que caracteriza as pererecas:

As pererecas são anuros da família Hylidae e têm características bem próprias que as diferenciam dos sapos e rãs, como por exemplo o fato de normalmente serem bem menores e mais leves que esses outros anfíbios. 

Conforme a ADW, a família dos hilídeos tem aproximadamente 38 gêneros e mais de 700 espécies, estando presentes praticamente no mundo todo. Algo bem único das pererecas é que elas se diferenciam dos demais anuros por terem uma espécie discos adesivos na ponta dos dedossemelhantes a ventosas

As pererecas são animais arborícolas, sendo encontradas comumente em árvores de locais úmidos, perto de riachos e córregos. Elas possuem patas longas e mais finas que permitem a elas dar grandes saltos e, ainda, escalar árvores e paredes (auxiliadas pelas pontas dos dedos adesivas). 

De acordo com o Butantanno Brasil existem mais de 350 espécies de pererecas, sendo a da espécie Boana raniceps uma das mais comuns. O nome dado aos anfíbios da família Hylidae no Brasil tem origem na palavra indígena pere'reg (“ir aos saltos”), da língua tupi.

* O texto foi feito por Juliane Albuquerque, Editora Assistente de National Geographic Brasil.

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