A sustentabilidade faz parte da tradição deste vilarejo na Índia

Uma planta versátil que cresce abundantemente em grande parte do país tornou-se a maior aliada na busca pela redução do consumo de plástico descartável.

Publicado 29 de jan de 2020 08:15 BRST, Atualizado 5 de nov de 2020 04:22 BRST
Robin Naiding, chefe do vilarejo de Baga Dima, no estado de Assam, nordeste da Índia, segurando ...
Robin Naiding, chefe do vilarejo de Baga Dima, no estado de Assam, nordeste da Índia, segurando sua produção: canudos de bambu. Ele quer que os canudos reutilizáveis e biodegradáveis substituam os de plástico, pois “prejudicam a saúde das pessoas”.
Foto de Paul Salopek

BAGA DIMA, ASSAM, ÍNDIA Robin Naiding, o calmo gaonbura, ou chefe, de Baga Dima, um vilarejo localizado em meio às montanhas do nordeste da Índia, não sabe ao certo por que tantas pessoas gostam de apreciar suas bebidas através de um pequeno tubo de plástico. Mas, depois de constatar isso e ficar sabendo que há uma crise de consciência global sobre o uso de plástico nesse tipo de produto, Naiding tem o prazer de contribuir para a resolução do problema.

“Um empresário de Calcutá veio até nós no ano passado e nos pediu para fabricar canudos de bambu”, disse Naiding. “Ele contou que as pessoas importantes nos hotéis não gostam mais de beber com canudos de plástico. Elas querem beber com canudo de bambu porque é o plástico original.” Ele fez uma pausa, como se ponderasse a improbabilidade dessa explicação. “Eles também me disseram que o plástico prejudica a saúde das pessoas”, acrescentou.

Naiding e sua família são pioneiros em um novo segmento ecológico que está nascendo em Assam, estado indiano rico em florestas, que faz fronteira com Bangladesh e Butão. Com a Índia ingressando em um movimento ambiental global para restringir o uso de plásticos não recicláveis, e com os restaurantes indianos cada vez mais esgotando seus estoques de canudos de plástico — um vilão plástico descartável despejado nos rios e oceanos do mundo a uma taxa de cerca de oito milhões de toneladas por ano — se inicia uma busca por alternativas menos poluentes.

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Naiding e cerca de dez parentes e amigos cortam os pés de bambu próximos e serram os caules, deixando-os com cerca de 18 centímetros. Depois de lixar e ferver — às vezes com vinagre e açafrão para ajudar a esterilizar e colorir a celulose da planta — os canudos de bambu são embalados e transportados de caminhão até o aeroporto mais próximo, a três horas de carro em estradas apavorantes. O bambu colhido volta a crescer ainda mais espesso após o corte, disse Naiding.

“É uma boa alternativa”, acrescente ele, que também cultiva arroz, jaca e lichia.

Os pedidos feitos a Naiding variam de mil a 10 mil canudos. Ele ganha cerca de 1,5 centavo de dólar por peça. (Em sites que comercializam alimentos e bebidas, os canudos de bambu na Índia (são vendidos por mais de 10 vezes esse preço.) A produção do vilarejo é menos do que microscópica comparada aos impressionantes 500 milhões de canudos de plástico ainda produzidos todos os anos apenas nos Estados Unidos. Mas Naiding espera que a ideia seja aceita.

Localizada no topo de uma montanha em meio a florestas que estão sendo rapidamente convertidas em campos de cultivo, Baga Dima seguiu o exemplo do governo federal da Índia e impôs suas próprias restrições aos plásticos descartáveis. Mas até mesmo em regiões isoladas, — e até mesmo em nível nacional — cumprir essas restrições não tem sido fácil.

Cadeiras de plástico substituíram os modelos de bambu na casa de Naiding. E, como em muitas comunidades rurais da Índia, as trilhas do vilarejo estavam repletas de embalagens de biscoitos, sachês abertos de xampu e sacolas plásticas — itens que começaram a ser vistos por ali apenas uma geração atrás.

“Tudo nas lojas agora vem em plástico e é difícil fazer com que as pessoas parem de usá-lo”, admitiu Naiding. “Talvez o mesmo aconteça com os canudos de plástico.”

Naiding e cerca de dez parentes e amigos cortam os pés de bambu próximos e serram os caules, deixando-os com cerca de 18 centímetros. Depois de lixar e ferver — às vezes com vinagre e açafrão para ajudar a esterilizar e colorir a celulose da planta — os canudos de bambu são embalados e transportados de caminhão até o aeroporto mais próximo, a três horas de carro em estradas apavorantes. O bambu colhido volta a crescer ainda mais espesso após o corte, disse Naiding.

“É uma boa alternativa”, acrescente ele, que também cultiva arroz, jaca e lichia.

Os pedidos feitos a Naiding variam de mil a 10 mil canudos. Ele ganha cerca de 1,5 centavo de dólar por peça. (Em sites que comercializam alimentos e bebidas, os canudos de bambu na Índia (são vendidos por mais de 10 vezes esse preço.) A produção do vilarejo é menos do que microscópica comparada aos impressionantes 500 milhões de canudos de plástico ainda produzidos todos os anos apenas nos Estados Unidos. Mas Naiding espera que a ideia seja aceita.

Localizada no topo de uma montanha em meio a florestas que estão sendo rapidamente convertidas em campos de cultivo, Baga Dima seguiu o exemplo do governo federal da Índia e impôs suas próprias restrições aos plásticos descartáveis. Mas até mesmo em regiões isoladas, — e até mesmo em nível nacional — cumprir essas restrições não tem sido fácil.

Cadeiras de plástico substituíram os modelos de bambu na casa de Naiding. E, como em muitas comunidades rurais da Índia, as trilhas do vilarejo estavam repletas de embalagens de biscoitos, sachês abertos de xampu e sacolas plásticas — itens que começaram a ser vistos por ali apenas uma geração atrás.

“Tudo nas lojas agora vem em plástico e é difícil fazer com que as pessoas parem de usá-lo”, admitiu Naiding. “Talvez o mesmo aconteça com os canudos de plástico.”

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