Dinossauros

Predador voador primitivo e gigante encontrado na Transilvânia

Sai pra lá, Drácula: novo fóssil de um réptil voador entra na lista da estranha população de pterossauros que habitava a Romênia. Terça-feira, 8 Maio

Por John Pickrell

O fóssil de uma mandíbula encontrado na Romênia é o maior osso de pterossauro desse tipo já descoberto, o que indica que uma espécie gigante, com aproximadamente 8 metros de envergadura de asas, sobrevoava os céus do que hoje é a Transilvânia.

No final do período Cretáceo, quando o nível dos mares era mais alto, o predador vivia em uma ilha no arquipélago. Isso foi um pouco antes da extinção em massa há 66 milhões de anos, que matou todos os pterossauros e os outros dinossauros não voadores.

Tudo indica que o animal era um pterossauro robusto, pesado, com pescoço curto e cabeça grande. Provavelmente era um onívoro que comia ovos de outros dinossauros, pequenos crocodilos, tartarugas e grandes peixes encontrados nos ambientes ribeirinhos onde viviam.

“Não é o maior pterossauro já encontrado, mas é a maior mandíbula (maxilar inferior) descoberta até hoje; reconstruída, ela tem de 1 a 3 metros”, diz o paleontólogo Mátyás Vremir da Sociedade do Museu da Transilvânia, autor do novo estudo que descreve a descoberta na publicação Lethaia.

“Isso aponta para um pterossauro bem grande – com provavelmente entre 8 e 9 metros de envergadura.” 

A criatura é o terceiro tipo de pterossauro gigante encontrado até agora na região, o que faz da Transilvânia o lugar com maior concentração de répteis gigantes voadores no mundo. Isso inclui uma descoberta de 2009 apelidada de Drácula pelos pesquisadores, que hoje tem o título de maior pterossauro que já existiu.

Essas e outras descobertas de pterossauros que estão aparecendo pela Romênia estão ajudando os paleontólogos a entender melhor como esses maravilhosos estranhos com asas se encaixavam nos ecossistemas pré-históricos.

“Depois de mais de um século de coleta de fósseis na Transilvânia, até 16 anos atrás não se sabia nada sobre pterossauros, exceto por alguns fragmentos”, diz Vremir. “Nos últimos 10 anos, as coisas mudaram e mais de 50 fósseis foram coletados em vários locais.”

Proporções incomuns

O imenso osso de mandíbula – a única parte do animal encontrada até agora – foi originalmente escavada na região de Hateg em 1978, mas na época não foi reconhecido como sendo de um pterossauro. Vremir e Gareth Dyke, paleontólogo da Universidade de Debrecen na Hungria co-autor do estudo, visitavam a coleção de fósseis de Bucareste em 2011 e fizeram a conexão.

Um dos maiores pterossauros do mundo, o Hatzegopteryx, também vem da região de Hateg. Ele era alto como uma girafa e sua envergadura poderia chegar a 11 metros. Devido às semelhanças entre o novo fóssil e a mandíbula de um pterossauro da Hungria chamado Bakonydraco, Vremir e seus colegas acreditam que a espécie ainda sem nome pode ter tido a cabeça um pouco maior e mais robusta que a do Hatzegopteryx, apesar de, em geral, ser um animal um pouco menor.

Todas essas espécies de pterossauro fazem parte de um grupo de gigantes com proporções estranhas chamado Azhdarchidae. Eles andavam em quatro patas e caçavam suas presas no chão.

O animal era basicamente “cabeça e pescoço gigantescos com asas”, diz Michael Habib, especialista em pterossauros da Universidade do Sul da Califórnia. Um típico Azhdarchidae, como o Quetzalcoatlus da América do Norte, tinha uma cabeça cerca de 3,5 vezes maior que o próprio tronco.

“Alguns eram mais longos e esguios, enquanto outros eram brutos e robustos e provavelmente pegavam as presas maiores”, Habib diz. “Estamos extrapolando bastante pois não há material fóssil suficiente. Mas, supondo que o novo animal se encaixe entre os mais robustos, ele talvez fosse mais propenso a comer animais maiores que os Azhdarchidae.”

Vida na ilha

Essa última descoberta é parte de um projeto maior que analisa todos os pterossauros encontrados recentemente nas rochas cretáceas da Transilvânia, e o que elas revelam sobre esta antiga ilha paradisíaca, disse Vremir.

“Parece haver uma concentração de gigantes no final do período Cretáceo. Provavelmente algumas espécies de pterossauros conviveram ao mesmo tempo, todas muito grandes”, diz Habib. “Talvez as condições fossem muito boas para eles.”

Quando esses gigantes chegaram numa ilha no arquipélago que hoje é a Transilvânia, eles eram os maiores predadores na região. Assim, estavam seguros, tinham presas à vontade e muitos lugares para nidificar.

Talvez tenha sido assim que o pterossauro apelidado de Drácula tenha atingido seu tamanho descomunal, quase no limite do possível para ser capaz de voar.

Ainda que nenhuma descrição cientifica da espécie tenha sido publicada, uma reconstituição em tamanho real da criatura – à mostra no Museu de Dinossauros Altmühltal,na Alemanha – sugere que o animal tinha 3,5 metros de altura e 11,8 metros de envergadura. Além disso, o formato de alguns ossos, como os dos ombros e das asas, indica que ele não poderia voar.

Isso não significa necessariamente que os membros dessa espécie não voavam, diz Habib. Talvez eles saíam dos ovos capazes de voar (ou quase). Depois, atingiam um peso e tamanho que eliminava os riscos de serem pegos por predadores.

“Estou bastante convicto de que o gigante de Sebes não podia voar”, diz Vremir. “Uma boa analogia seria com o elefante-pássaro de Madagascar, afinal, a Transilvânia também era uma ilha [durante o período Cretáceo].”

O pterossauro gigante da Romênia “parece um pouco diferente e mais estranho do que os outros que conhecemos,”, concorda Dave Hone, paleontólogo na Universidade Queen Mary em Londres. “Ilhas são famosas por suas excentricidades. Temos vários dinossauros esquisitos de Hateg e uma falta de grandes carnívoros, logo, os pterossauros eram como substitutos dos tiranossauros.”