Eventos astronômicos de agosto de 2022: chuva de meteoros Perseidas e a última Superlua do ano

Estrelas cadentes e a Superlua de Esturião marcam os fenômenos astronômicos do mês.

Saturno fotografado pela sonda Cassini.

Foto de NASA
Por National Geographic Brasil
Publicado 2 de ago. de 2022 13:40 BRT, Atualizado 8 de ago. de 2022 12:18 BRT

O mês de agosto é tradicionalmente um bom momento para acompanhar os eventos que ocorrem no céu. Em outras palavras, é tempo de “céu de brigadeiro, como falamos no Brasil”, diz Las Casas, astrofísico, divulgador científico e professor aposentado de astronomia na Universidade Federal de Minas Gerais. Trata-se de uma boa oportunidade para quem ama ver os astros celestes em seu melhor ângulo. 

Na lista de eventos astronômicos para acompanhar estão a última Superlua do ano; os planetas Saturno e Mercúrio em suas melhores posições para observação; e uma chuva de meteoros que promete ser a maior de 2022. 

Superlua de Esturjão: a terceira e a última de 2022 

Em agosto haverá mais uma Superlua, a terceira e última deste ano. Sua fase cheia começa, segundo informações da Nasa, na noite de quinta-feira, dia 11, e ficará assim pelos próximos três dias. No dia 12, a Lua cheia se aproxima do seu perigeu (ponto mais próximo entre o satélite e a Terra), parecendo maior e mais brilhante no céu e, por isso, sendo chamada de Superlua. 

Nos meses de junho e julho passado, a Lua também coincidiu sua fase cheia com o ponto mais próximo de sua órbita – eventos conhecidos como a Superlua de Morango e Superlua dos Cervos, respectivamente. 

No caso da lua cheia de agosto, ela também possui um nome especial. De acordo com o Old Farmer's Almanac, um periódico anual americano publicado desde 1792 contendo informações como previsões meteorológicas anedóticas, horários de plantio, calendários astronômicos e astrológicos, receitas e outras amenidades de interesse rural, essa é a Lua do Esturjão.

O nome para o evento teria vindo de povos nativos e colonos norte-americanos, visto que o esturjão gigante – peixe encontrado no nordeste da América do Norte – era mais facilmente capturado nessa época do ano. 

Mas esse nome não é regra. Outras partes do mundo conhecem esse evento também como Lua das Amoras, Lua Voadora, Lua do Salmão e até como Lua dos Fantasmas. “Na China, ela é chamada de Lua dos Fantasmas porque marca a época de um evento tradicional em que se oferecem alimentos para espíritos famintos. Era uma forma de agradecer aos antepassados e às colheitas do ano”, informa Fernanda Urrutia, astrônoma do laboratório NoirLab, renomado centro de investigação astronômica dos Estados Unidos, e que integra a Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia (Aura). 

Quando ver a chuva de meteoros Perseidas

Neste mês, em especial, também acontecerá a chuva de meteoros Perseidas, que atinge seu pico no dia 13 de agosto. Segundo explica a astrônoma, é comum que o céu de agosto seja tomado por “estrelas cadentes”. Isso porque é nesse momento do ano que a Terra passa próxima à nuvem de poeira e pedras liberada pelo cometa Swift-Tuttle. “Durante sua trajetória o cometa deixa um rastro de detritos que são atraídos pela gravidade terrestre”, diz Fernanda Urrutia.

Um meteoro atravessa o céu durante a chuva anual de meteoros Perseidas, em agosto de 2021. Foto feita em Spruce Knob, West Virginia, EUA.

Foto de NASA/Bill Ingalls

Já o nome, Perseidas é atribuído ao evento por conta da constelação de Perseu, de onde as "estrelas cadentes" parecem se originar (tecnicamente, isso é chamado de radiante). 

De acordo com a Sociedade Americana de Meteoros, as Perseidas acontecem de julho até o início de setembro, então há muitas chances de vê-las. Mas o período de 11 a 13 de agosto será quando elas estarão mais poderosas, sendo possível observar até 100 meteoros por hora.

Entretanto, segundo Urrutia, em 2022 a observação pode não ser tão espetacular quanto em anos anteriores. “O ruim é que a chuva chega acompanhada da Superlua, que ofusca o brilho dos meteoros em queda. Ainda será possível ver vários, mas não tanto quanto se tivéssemos em lua nova, por exemplo.”

Mesmo com a lua cheia concorrendo com o evento, Renato Las Casas comenta que a Perseidas deve ser a chuva de meteoros mais marcante do ano. “Não será um grande fenômeno, mas pode ser a chuva de estrelas cadentes mais intensa de 2022”, diz o especialista.

Para acompanhar Saturno em oposição 

Outro acompanhante da lua cheia, em agosto, será o planeta Saturno, que chega em sua forma mais brilhante para o ano. Em 14 de agosto, o planeta e seus anéis nascem no horizonte, do lado oposto ao pôr-do-sol (por isso se diz que ele estará em oposição), e em um dos pontos mais próximos da Terra. “É o melhor momento para ver o planeta porque, estando contra o Sol, Saturno aparece muito luminoso no céu terrestre”, explica Urrutia.

Apesar de ser possível vê-lo à olho nu, o astrofísico Renato Las Casas recomenda preparar um telescópio, para quem puder. “Até um equipamento simples irá ajudar a ver Saturno e todos os seus anéis com clareza. É uma experiência incrível que recomendo para todo mundo que ama astronomia.”

Nessa noite, Saturno parecerá a estrela mais brilhante no céu, segundo Urrutia. “Para distinguí-lo de uma estrela comum, tenha em mente que estrelas ‘piscam’, e os planetas não. Sua luz parece fixa no céu”, explica a astrônoma.

Mercúrio em alongamento máximo

No fim do mês, Mercúrio também se coloca no melhor lugar para ser observado da Terra. O primeiro planeta do Sistema Solar estará em um ponto de sua órbita em que ele aparecerá no ângulo máximo em relação ao Sol na direção leste, ou seja, o mais longe do astro rei possível nessa direção. 

Segundo explica o professor Las Casas, isso fará com que seja muito mais fácil vê-lo do que o normal. “Mercúrio é difícil de observar a olho nu por sua proximidade com o Sol, que o ofusca”, explica. “Quando ele está nesse ponto, seu brilho fica mais marcante”, afirma.

A melhor hora para observá-lo será após o pôr-do-sol, rente à linha do horizonte. “Quando o Sol for apagando, Mercúrio será a primeira ‘estrela’ que vai aparecer no céu”, diz o professor. “Para vê-lo melhor, vá para um lugar alto em que se possa ver bem a linha do horizonte.”

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