Fotografia

Veja fotos da ilha mais densamente povoada do mundo

Há duas horas de barco de Cartagena, na Colômbia, 45 famílias vivem em uma área equivalente a dois campos de futebol.Monday, November 13

Por Heather Brady
Fotos de Charlie Cordero
Menina corre pelas casas coloridas da ilha mais densamente povoada do mundo, Santa Cruz Del Islote, na Colômbia.

Quando o fotógrafo Charlie Cordero ouviu pela primeira vez sobre Santa Cruz Del Islote, uma pequena e densamente povoada ilha a duas horas de barco de Cartagena, na Colômbia, ficou fascinado.

Pessoas que encontram maneiras de viver em condições ambientais desfavoráveis sempre chamaram sua atenção, e Santa Cruz Del Islote se sobressaiu imediatamente. Na ilha, a água, a comida e a eletricidade são limitados, mas 45 famílias ainda vivem em 97 casas construídas nos 12 mil metros quadrados de área. Isso é mais que 8 vezes a densidade populacional da cidade de São Paulo.

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"Sabíamos apenas que a ilha era pouco conhecida e distante, e que seus habitantes não tinham interesse em deixá-la". Ele conta que queria descobrir “como um número relativamente grande de pessoas viviam em um espaço tão pequeno e remoto”. Além disso, queria aprender sobre suas vidas, seus costumes e suas tradições. "Eu sabia que era um lugar que merecia ser [conhecido]", diz ele.

As primeiras imagens do projeto, publicado com uma entrevista na edição de agosto do New York Times, mostraram as pequenas habitações dos residentes da ilha. Cordero diz que a história sobre como a ilha ficou tão densamente povoada parece um conto de fadas.

"Há 150 anos, Santa Cruz del Islote era uma ilha pequena e desabitada com menos de um hectare de terra, perdida no meio do Mar do Caribe. Os pescadores que trabalham nesta área de Cartagena e Tolú usavam o local para descansar durante a pesca e se proteger de tempestades", diz ele.

Santa Cruz del Islote é uma ilhota localizada em frente ao golfo do Morrosquillo, em Bolívar, na Colômbia. A ilha tem aproximadamente um hectare de comprimento, o que equivale a dois campos de futebol.

A ilha está localizada em uma área com abundância de corais oceânicos perfeitos para a pesca, por isso atraiu pessoas. A cada casamento ou filho, as famílias construíam novas casas, uma ao lado da outra.

“Os primeiros colonos – avós e bisavós da atual geração – buscavam, na terra e no mar, materiais para construir suas casas. Conchas, cocos, troncos de árvores das ilhas vizinhas, areia, e até mesmo lixo foram usados ​​para construir [na terra]", diz Cordero.

Mais e mais pessoas começaram a povoar a ilha, trazendo primos, irmãos e amigos. Elas vinham pescar e trabalhar.

"Um dia, a maré trouxe uma cruz de cimento. Os primeiros colonos a pegaram e a colocaram no centro da ilha. [Na época] a ilha não tinha nome, mas a partir desse dia passou a se chamar Santa Cruz del Islote”, diz ele.

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Apesar do crescimento estável da população, a vida na ilha é difícil. Embora os frutos do mar sejam abundantes, todos os outros produtos alimentares e domésticos devem ser trazidos em barcos. Não há como produzir água potável na ilha. A marinha da Colômbia costumava levar água, mas há meses não aparecem – os ilhéus capturam água da chuva em barris para beber e tomar banho. A escola vai até o décimo ano, depois disso, alunos que queiram continuar os estudos devem buscar escolas fora da ilha, ou até mesmo deixar suas casas. Muitos meninos escolhem ficar com suas famílias e viver da pesca.

O objetivo de Cordero é terminar o projeto de fotografia até o final do ano. Ele diz que ainda há momentos-chave a serem capturados, como a forma como a ilha celebra o Natal e os aniversários, e como os moradores lidam com enterros.

Santa Cruz del Islote não tem espaço para um cemitério – as pessoas são enterradas em ilhas vizinhas. “Eu acho que a vida na ilha continuará me surpreendendo mais e mais. É um lugar que parece pertencer a um livro de Gabriel García Márquez", diz Cordero.

Veja mais do trabalho de Charlie Cordero em seu siteinstagram.

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