História

Cavalos encontrados em Pompeia podem ter sido usados para fugir de erupção do Vesúvio

Animais descobertos recentemente em um estábulo de 2 mil anos parecem congelados em uma malsucedida tentativa de fuga do famoso vulcão italiano. terça-feira, 29 de maio de 2018

Por Kristin Romey
Depois que este cavalo morreu na erupção do Vesúvio, seu corpo ficou coberto de cinzas. Ao longo dos séculos, os restos mortais se decompuseram, deixando um vazio sob a camada de cinza endurecida que foram posteriormente preenchidos com gesso e exposto.

Um cavalo recentemente encontrado preso nas cinzas de uma vila suburbana de Pompeia foi apenas a ponta do iceberg equestre. Desde que a descoberta foi anunciada semana passada, arqueólogos revelaram que pelo menos três cavalos morreram no estábulo da vila durante a erupção vulcânica do Vesúvio, que reconhecidamente enterrou a antiga cidade romana.

Pelo menos dois dos animais foram aproveitados e possivelmente preparados para uma evacuação frenética quando foram atingidos pelos letais e piroclásticos fluxos que caíram sobre Pompeia e seus arredores após a meia-noite no verão de 79 d.C.

O impressionante e completo molde de gesso de um dos cavalos da vila é o primeiro desse tipo em Pompeia. Quando o vulcão entrou em erupção, muitos dos moradores e animais da cidade desmaiaram e morreram no local após serem atingidos por ondas de gás venenoso e cinzas. Assim, seus cadáveres em decomposição viraram assombrosos corpos ocos na camada de cinza endurecida.

No final do século 19, arqueólogos desenvolveram um método de injeção de gesso nesses corpos ocos para capturar mais detalhes sobre os mortos. Desde então, o método tem sido usado em humanos – e em um infame cão acorrentado —, mas isso foi somente a primeira tentativa em um grande mamífero.

A equipe também moldou duas pernas de outro cavalo descoberto nas proximidades, mas o resto desse corpo oco foi destruído por ladrões de túmulos, conhecidos localmente como tombaroli, que escavam as paredes da antiga vila para roubar artefatos que conseguem vender no mercado negro.

Os restos mortais e esqueléticos de um terceiro cavalo também foram quase completamente destruídos pelos tombaroli, conta à National Geographic a zooarqueóloga Chiara Corbino, que estudou os cavalos.

A evidência de um cabresto e rédea de couro decorada com ornamentos de metal foi encontrada ao redor da cabeça do cavalo.

As evidências do cabresto e das rédeas ao redor dos moldes dos dois primeiros cavalos sugerem que eles foram aproveitados por pessoas que tentavam fugir da erupção, diz Massimo Osanna, diretor-geral do Parque Arqueológico de Pompeia. Os restos do terceiro cavalo estão muito incompletos para determinar se ele também foi aproveitado no momento da morte, diz Corbino.

Operação Artemis

A vila, localizada em Civita Giuliana, uma área fora das muralhas da antiga Pompeia, foi originalmente descoberta no início do século 20, depois parcialmente escavada na década de 1950 e posteriormente fechada. Investigadores localizaram os túneis de tombaroli no verão passado e alertaram os arqueólogos do Parque Arqueológico de Pompeia, que escavaram a área até então desconhecida.

Desde então, autoridades italianas confirmaram à National Geographic que a descoberta é resultado de uma importante investigação criminal conhecida como Operazione Artemide (Operação Artemis), liderada pela quarta força militar nacional italiana, os Carabinieri. Essa operação de vários anos decolou em 2014, depois que ladrões roubaram uma representação afresco de Artemis, a deusa grega da caça, das paredes de uma antiga casa de Pompeia que atualmente está fechada ao público.

No início de 2015, a operação apreendeu mais de 140 suspeitos – tombaroli, traficantes ilegais de artes e até mesmo alguns membros da máfia – em incursões simultâneas em 22 províncias italianas. Equipes recuperaram cerca de 2 mil artefatos antigos, incluindo vasos, moedas e fragmentos arquitetônicos escavados ilegalmente.

De acordo com Osanna, a pesquisa na vila foi concluída por enquanto, mas os arqueólogos não descartam continuar as escavações no futuro, o que pode revelar momentos ainda mais trágicos congelados no tempo.

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