História

Recém-descoberto tiranossauro em miniatura revela como o T-Rex ficou tão grande

O predador desengonçado preenche uma lacuna importante no entendimento de como o tiranossauro veio a dominar o período Cretáceo.Thursday, March 21, 2019

Por Michael Greshko
Representação artística do Moros intrepidus.

O Tyrannosaurus rex  pode ter sido o “rei lagarto tirano,” mas antes que o poderoso T-Rex colocasse os pés onde atualmente é a América do Norte, seus antepassados não tinham um estilo de vida da realeza: eram pequenos, desengonçados e rápidos, adaptados à vida às sombras de carnívoros bem maiores.

Atualmente, um fóssil encontrado em Utah, nos EUA, está ajudando os paleontólogos a entenderem melhor como os tiranossauros dessa região passaram de mendigos a príncipes ecológicos. Pesando pouco mais de 77 kg e medindo menos de 1m50, a espécie recém-batizada de Moros intrepidus é um dos menores dinossauros deste tipo do período Cretáceo, ou seja, entre 66 milhões e 145 milhões de anos atrás.

Com 96 milhões de anos de existência, o Moros também é o esqueleto de tiranossauro do Cretáceo mais antigo encontrado nessa região, batendo o recorde anterior em 15 milhões de anos. 

“O Moros nos ajuda a entender quem, o que, por que, onde, quando e como se deu a ascensão dos tiranossauros a papéis de predadores no continente norte-americano,” diz a paleontóloga Lindsay Zanno, do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, cuja equipe relata a descoberta do fóssil no periódico Communications Biology.

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Portanto, não é de se estranhar que o nome do gênero desse dinossauro seja Moros: a personificação grega da fatalidade iminente.

Osso da sorte

No início do Cretáceo, os tiranossauros não chegavam aos pés dos titãs que imaginamos na atualidade. Eles eram pequenos predadores briguentos que caçavam ao lado de dinossauros carnívoros muito maiores, chamados  alossauros. Há cerca de 80 milhões de anos, os alossauros da América do Norte desapareceram e os tiranossauros ficaram cerca de 10 vezes maiores — preenchendo o nicho deixado pelos alossauros de forma espetacular.

No entanto, permanece o mistério de como os tiranossauros norte-americanos ficaram tão grandes, já que existe uma enorme lacuna no registro fóssil de meados do Cretáceo no continente. Com exceção de alguns dentes isolados, paleontólogos não tinham provas ósseas dos tiranossauros norte-americanos entre cerca de 150 e 80 milhões de anos atrás.

Sendo assim, pesquisadores, incluindo Zanno, continuaram a escavar formações rochosas de meados do Cretáceo. Em 2013, Zanno encontrou algo mais valioso que ouro: enquanto andava na Formação de Cedar Mountain, em Utah, ela viu inesperadamente ossos de extremidades saindo de uma encosta.

“Fizemos buscas nessa área por 10 anos e esses são os únicos ossos desse animal que descobrimos,” conta ela. “A equipe passa um tempão procurando e é preciso muita sorte.”

Dinossauro explorador

Os ossos do pé do Moros são tão finos que ele parece mais desengonçado até mesmo que os exemplares jovens de tiranossauros posteriores e maiores. Porém, o Moros não era um bebê: um estudo minucioso das seções transversais dos ossos revela que o dinossauro tinha pelo menos seis ou sete anos de idade quando morreu, ou seja, era quase um adulto.

O pequenino fóssil sugere que os tiranossauros da América do Norte continuaram pequenos até, no mínimo, o surgimento do Moros, o que significa que os tiranossauros alcançaram seu tamanho monstruoso e cinematográfico em apenas 16 milhões de anos — um sprint evolucionário. Talvez convenientemente, a pata traseira do Moros apresenta algumas das características adaptadas à corrida observadas posteriormente em tiranossauros maiores.

“O Moros é importante por ser a primeira pista dos tiranossauros que acabaram se tornando grandes,” explica Thomas Carr, um paleontólogo da Carthage College e especialista em tiranossauros que não participou do estudo.

E tem mais, o Moros se parece bastante com os tiranossauros que viveram na Ásia no início do período Cretáceo. A descoberta sugere que os antepassados dos Moros atravessaram uma “ponte” de terra que ligava a Ásia à América do Norte, como parte de um intercâmbio entre os dois continentes que já foi documentado em outros grupos de dinossauros. Para fazer jus à sua jornada, os pesquisadores nomearam a espécie do Moros com o adjetivo intrepidus.

Agora que sua equipe descobriu o Moros, Zanno está ansiosa para descrever seu lar pantanoso. As mesmas rochas que continham o Moros também abrigavam o enorme alossauro Siats e diversos dinossauros herbívoros, incluindo alguns que se acreditam ter vivido em tocas. Ela também está trabalhando com os pesquisadores para estudar a flora fossilizada da área.

“Com sorte,” diz ela, “teremos muitas descobertas que revelarão esse ecossistema perdido do Cretáceo”.

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