História

Quase todos os dinossauros tinham penas, sugere descoberta na Sibéria

Fósseis jurássicos indicam que as plumas estavam presentes em toda a família.

Por Dan Vergano
Esta ilustração do Kulindadromeus zabaikalicus, um dinossauro emplumado recém-descoberto, mostra o animal em seu ambiente natural.

Quase todos os dinossauros provavelmente eram cobertos de penas, é o que sugerem os fósseis siberianos de um dinossauro emplumado de duas pernas datado de cerca de 160 milhões de anos atrás.

Nas últimas duas décadas, descobertas na China produziram pelo menos cinco espécies de dinossauros emplumados. Mas todos eles pertenciam ao grupo dos terópodes de dinossauros "raptores", ancestrais de pássaros modernos.

Agora, em uma descoberta relatada por uma equipe internacional na revista Science (em inglês), a nova espécie de dinossauro encontrada, Kulindadromeus zabaikalicus (KOO-lin-dah-DRO-mee-us ZAH-bike-kal-ik-kuss), indica que as penas estavam em todos da família. Isso porque o corredor de duas pernas recentemente desenterrado de 1,5 m de comprimento era um dinossauro "ornitísquio" de bico, pertencente a um grupo ancestralmente distinto das descobertas de terópodes passadas.

"Provavelmente isso significa que o ancestral comum de todos os dinossauros tinha penas", diz o autor principal do estudo, Pascal Godefroit, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais em Bruxelas. "As penas não são uma característica apenas dos pássaros, mas de todos os dinossauros". 

Os fósseis, que incluíam seis crânios e muitos outros ossos, ampliam bastante o número de famílias de dinossauros com penas – macias, em tiras e finas neste caso – indicando que as plumas evoluíram das escamas que cobriam répteis mais antigos, provavelmente como isolamento. Além de suas penas, o Kulindadromeus também tinha escamas, especialmente arqueadas que apareciam em linhas em sua longa cauda.

"É realmente fantástico que dinossauros com “penugens” sejam encontrados fora da China", diz o paleontólogo Jakob Vinther, da Universidade de Bristol, do Reino Unido, que não estava na equipe de descoberta. "O material e os espécimes são nada menos que fantásticos; sua idade e número elevado são raramente esperados."

O Kulindadromeus acrescenta uma nova dimensão à compreensão da evolução das penas, diz Vinther, apontando para o fato de que os três tipos de penas encontradas como impressões com os fósseis são diferentes das vistas em dinossauros emplumados ou pássaros modernos.

O que exatamente todas essas penas diferentes fazem? "Eu não sei, ninguém sabe ao certo", diz Godefroit. "Esses animais não podiam voar, isso é tudo o que podemos dizer."

Espiadas Jurássicas

Durante o período jurássico, o Kulindadromeus viveu perto do que é agora o rio de Kulinda, na Sibéria, ostentando tufos emplumados em seus pés e cotovelos, bem como penas mais aerodinâmicas em sua parte traseira. Suas canelas tinham penas "em formato de fita," um tipo nunca visto antes.

Pelo menos seis crânios da espécie, juntamente com centenas de ossos, se transformaram em um leito fóssil que uma vez foi um fundo do lago e é agora uma encosta siberiana. A maioria dos fósseis era juvenil, o que sugere que eles morreram em eventos únicos, não em uma catástrofe em massa, de acordo com Godefroit.

O nome do dinossauro significa essencialmente "Dinossauro corredor no Rio Kulinda". Zabaikalsky Krai é a região da Sibéria onde ele foi descoberto (o que explica seu nome de espécie, zabaikalicus).

"Havia lagos e havia vulcões lá, muitos vulcões", diz Godefroit. Os dinossauros comedores de plantas provavelmente morreram e caíram no fundo do lago, onde as erupções logo depois os cobriram de cinzas finas. Isso foi o que preservou as impressões de plumas com os ossos fósseis.

"Não sabemos quão grande é esse leito fóssil, e é provável que encontremos mais quando voltarmos", diz Godefroit.

Conexão das Penas

As escamas no Kulindadromeus assemelham-se à pele escamosa vista de algumas aves, diz o estudo, que igualmente argumenta para uma raiz genética profunda que conecta dinossauros aos pássaros.

Duas descobertas (em inglês) mais adiantadas do dinossauro ornistísquios (em inglês), ambas da China, tinham insinuado que pelos parecidos com penas tinham coberto os dinossauros, observa o paleontólogo Stephen Brusatte (em inglês), da Universidade de Edimburgo, Reino Unido.

"Mas os novos fósseis siberianos são o melhor exemplo de que alguns dinossauros ornitísquios [de bico] tinham penas. Então, não eram apenas os terópodes que tinham coberturas suaves", diz Brusatte.

"Isso significa que agora podemos estar muito confiantes de que as penas não foram só uma característica de aves e seus parentes mais próximos, mas evoluíram muito mais na história dos dinossauros", acrescenta. "Eu acho que o antepassado comum dos dinossauros provavelmente tinha penas, e que todos os dinossauros tinham algum tipo de pena, assim como todos os mamíferos têm algum tipo de pelo."

Mesmo assim, Godefroit sugere que os maiores dinossauros provavelmente tinham o menor número de penas, já que não precisariam delas para isolamento. "Assim como os elefantes na África não precisam de pelos", diz ele.

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