Esta gasolina é feita de carbono tirado do ar

Empresa canadense está fazendo um combustível que combina dióxido de carbono com hidrogênio líquido. Eles esperam que a economia fique do lado deles.quarta-feira, 13 de junho de 2018

Por Stephen Leahy
Este combustível foi feito de dióxido de carbono do ar, mais hidrogênio. Há a esperança de que ele possa ajudar na luta contra a mudança climática.

Imagine dirigir até seu posto de combustível local e poder escolher entre gasolina comum, premium e livre de carbono.

A empresa canadense  Carbon Engineering está fazendo combustível líquido tirando dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e combinando com hidrogênio da água. Isso é um avanço da engenharia em dois sentidos: uma maneira potencialmente barata de tirar CO2 da atmosfera para lutar contra a mudança climática e uma opção para produzir competitivamente gasolina, diesel ou combustível de avião que não joga mais CO2 na atmosfera.

“Isso não vai salvar o mundo dos impactos da mudança climática, mas será um grande passo no caminho para uma economia de baixo carbono”, disse David Keith, professor de física aplicada em Harvard e fundador da Carbon Engineering. Keith disse que capturar CO2 do ar e fazer combustível não se trata de um avanço, mas sim de um investimento de 30 milhões de dólares, oito anos de engenharia e “um milhão de pequenos detalhes” para acertar o processo.

Acertar o processo também significa manter os custos abaixo de 100 dólares para cada tonelada de CO2 removido da atmosfera. O design e custo de engenharia do projeto piloto que está em funcionamento desde 2015 em Squamish, Columbia Britânica, foi publicado na revista de energia peer-reviewed Joule. A empresa usou processos industriais existentes para aumentar a escala e reduzir custos.

“Nosso artigo mostra os custos e engenharia para uma planta em grande escala que poderia capturar um milhão de toneladas de CO2 por ano”, disse Keith.

Por que isso importa?

Até agora, acreditava-se que os custos de remoção do CO2, conhecido como “captura direto do ar”, fossem de pelo menos 600 dólares por tonelada. Isso era caro demais para ser útil na retirada de grandes quantidades de CO2 da atmosfera. Todo ano, o mundo queima combustíveis fósseis o suficiente para adicionar quase 40 bilhões de toneladas de CO2. No entanto, manter o aquecimento global abaixo de 2 graus Celsius (o alvo internacional para evitar os impactos mais perigosos) provavelmente vai exigir “emissões negativas” – alguma maneira de retirar CO2 da atmosfera e armazená-lo permanentemente, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O equipamento da Carbon Engineering tira o dióxido de carbono da atmosfera em uma planta teste na Columbia Britânica, no Canadá.

Mesmo a 100 dólares por tonelada, não existem muitos compradores de CO2. Então, a empresa decidiu fazer um combustível líquido neutro em carbono, disse Steve Oldham, CEO da Carbon Engineering. O CO2 capturado é combinado com hidrogênio, que é feito através da eletrólise da água. Como o processo requer muita eletricidade, a planta piloto em Squamish usa energia hidráulica renovável. O combustível sintético resultante pode ser misturado ou usado sozinho como gasolina, diesel ou combustível de avião. Quando é queimado, ele emite a mesma quantidade de CO2 que foi usada para fazê-lo, então é efetivamente neutro em carbono.

“Custa mais caro do que a gasolina por enquanto, mas em lugares com um preço de 200 dólares por tonelada de carbono, como o que é permitido na California’s Low Carbon Fuel Standard, somos competitivos”, disse Oldham em uma entrevista.

O preço do carbono é um custo aplicado em indústrias que emitem poluição de carbono. A Colúmbia Britânica tem um preço de carbono de 35 dólares por tonelada, e todo o Canadá terá um preço de 10 dólares em setembro, que subirá para 50 em 2022. Nenhum estado dos Estados Unidos aderiu ainda, mas o estado de Washington pode ser o primeiro a cobrar uma taxa de poluição de carbono de 15 dólares se uma nova votação for aprovada. Os Estados Unidos enfrentam um custo de poluição do ar que chega a pelo menos 360 bilhões de dólares anualmente, de acordo com um relatório de 2017.

“Estou animado com o projeto. Os números na Joule são bons”, disse Klaus Lackner, do Centro de Emissões Negativas de Carbono da Arizona State University, que foi pioneira no conceito de captura direta do ar nos anos 1990. A Carbon Engineering provou que isso pode ser feito a um baixo custo e que é um passo importante para a indústria, disse Lackner em uma entrevista.

O próximo passo é ter um número de grandes plantas produzindo centenas de milhares de barris de combustível livre de carbono, para baixar mais os custos, assim como os custos de energia solar e eólica baixaram ao longo das últimas décadas, com o aumento da escala. Com a queda dos preços, mais governos podem aderir à ideia de tirar CO2 do ar.

“Vamos precisar de uma indústria de um trilhão de dólares para [manter o aquecimento abaixo de dois graus Celsius]. Isso parece muito, mas, hoje, a indústria de aviação é maior”, disse Lackner.

A Carbon Engineering está construindo uma planta maior, utilizando energia renovável de baixo custo, que vai produzir 200 barris de combustível sintético por dia. Deve estar em operação em 2020, segundo Keith. A empresa também está em busca de licenciar sua tecnologia.

“Achamos que é muito escalável e teremos o mercado global”, diz Oldham. “Só precisamos de ar e água como matéria prima e um pouco de eletricidade.” E uma licença para sua tecnologia.

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