Barragem de mineradora se rompe em Brumadinho, MG

Há 84 mortes confirmadas e mais de 275 pessoas desaparecidas após o desastre.

Friday, January 25, 2019,
Por Redação National Geographic
Foto tirada por equipe de Bombeiros de Minas Gerais
Área atingida por lama de resíduos de mineração após rompimento de barragem em Brumadinho, nesta sexta-feira, 25.
Foto de Corpo de Bombeiros / Divulgação

No início da tarde da última sexta-feira, 25, a Barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, da Vale do Rio Doce, rompeu-se, liberando uma onda de lama em região próxima ao km 50 da rodovia MG-040, na região de Brumadinho (MG). O Corpo de Bombeiros havia confirmado 84 mortes até esta a manhã de quarta-feira, 30, mas o número tem aumentado diariamente.

Segundo boletim da Defesa Civil de Minas Gerais, 276 pessoas continuavam desaparecidas até a atualização desta nota. De acordo com informações da Folha de S. Paulo, foram liberados 13 milhões de m³ de rejeitos no meio ambiente após o rompimento da barragem. Foi declarado estado de calamidade pública na região, o que deverá agilizar a obtenção de recursos públicos.

(Relacionado: "É preciso banir as barragens de rejeitos de minério no Brasil, dizem ambientalistas")

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirma que os envolvidos na tragédia serão punidos exemplarmente. "Todas as medidas judiciais já foram tomadas", disse Zema. Em entrevista à Globo News, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que a prioridade agora é com as famílias atingidas pela tragédia. "Estamos fazendo todo o esforço para ajudar o Governo de Minas”, declarou ele.

Em nota oficial, a companhia Vale lamenta o ocorrido e informa que a causa do rompimento ainda é desconhecida. “A prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais”, comenta a assessoria de imprensa no comunicado.

Assista ao vídeo da coletiva de imprensa dada pelo diretor da Vale:

Durante coletiva de imprensa, Fábio Schvartsman, presidente da Vale, disse que a tragédia pegou a todos de surpresa, já que a barragem estava fora de operação havia 3 anos. "Foi uma única barragem que rompeu. Uma segunda barragem transbordou", observou ele.

A barragem ficava próxima ao Rio Paraopeba, afluente do Rio São Francisco que abastece um terço da região metropolitana de Belo Horizonte. A lama tóxica é formada por rejeitos de minério, que são impurezas sem valor, restos de minério, sílica e aminas (compostos derivados da amônia usados para separar o ferro).

A tragédia ocorre três anos após rompimento em barragem da Samarco, empresa também controlada pela Vale, em Mariana, considerado a maior tragédia ambiental do país.  Em maio do ano passado, a National Geographic reportou os graves impactos psicológicos das vítimas do rompimento em Depressão, medo e preconceito: a saúde mental das vítimas de Mariana.

Veja imagens da tragédia de usuários de internet em reportagem da Rede Minas:

Nota atualizada quarta-feira, 30 de janeiro, às 10h50.

Continuar a Ler