Crise climática: “ações urgentes” são necessárias para garantir futuro habitável na Terra, alerta IPCC

Em documento publicado na segunda-feira (20), especialistas indicam que se as emissões de gases de efeito estufa não forem limitadas, os impactos podem piorar, principalmente nas regiões das Américas Central e do Sul.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 21 de mar. de 2023, 11:11 BRT
Metano, um potente gás de efeito estufa, está borbulhando do solo descongelado abaixo de um lago ...

Metano, um potente gás de efeito estufa, está borbulhando do solo descongelado abaixo de um lago em
Fairbanks, Alasca (EUA).

Foto de Katie Orlinsky

O mais recente posicionamento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) adverte que o ritmo e escala das medidas tomadas atualmente para barrar as mudanças climáticas são insuficientes. O alerta foi divulgado nesta segunda-feira, 20 de março, em um novo Relatório Síntese do ciclo de avaliações sobre o aquecimento global provocado pela ação humana do IPCC. 

O documento não traz novos estudos, mas sim um resumo final do conteúdo dos seis últimos relatórios elaborados pelo painel. “A integração de uma ação climática efetiva e equitativa não apenas reduzirá as perdas e danos à natureza e às pessoas, mas também trará maiores benefícios", afirmou Hoesung Lee, presidente do IPCC, em comunicado divulgado para a imprensa. Em outras palavras, ainda é possível para a humanidade adaptar-se às mudanças climáticas – mas o prazo é curto.

Segundo o relatório, existem diversas opções viáveis e eficazes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa atualmente disponíveis. Entretanto, é necessário urgência. “O relatório destaca que é urgente tomar medidas mais ambiciosas e que, se agirmos agora, ainda é possível garantir um futuro sustentável e habitável para todos”, afirmou o presidente. 

As alterações climáticas já estão acontecendo

O IPCC reforça que os principais causadores do aquecimento global são as atividades humanas, principalmente as que emitem gases de efeito estufa (GEE). O painel destaca que a temperatura da superfície global aumentou mais rapidamente desde 1970 do que em qualquer outro período nos últimos 2 mil anos. 

Como exemplo, o painel aponta que em 2019 as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO2) eram mais altas do que em qualquer outro momento do planeta em pelo menos 2 milhões de anos. Já as concentrações de metano e óxido nitroso, outros GEE importantes, foram mais altas do que em qualquer outro período em pelo menos 800 mil anos.

A queima de combustíveis fósseis e o uso desigual e insustentável da energia e da terra são os principais culpados apontados pelo documento, que alerta que o aquecimento global já atingiu 1,1°C acima dos níveis pré-industriais. 

Mudanças climáticas piores nas Américas Central e do Sul, onde está o Brasil

Esse cenário, de acordo com o painel, já resulta no aumento de eventos climáticos e meteorológicos extremos em todas as regiões do mundo. Isso, por sua vez, leva a efeitos adversos e generalizados que causam perdas e danos relacionados à natureza e à humanidade.

No relatório publicado na segunda-feira, os especialistas também apontam que se as emissões de gases de efeito estufa não forem limitadas, elas podem piorar e ter um impacto particular sobre as Américas Central e do Sul.

Os dados apontam, especificamente, que entre 3,3 e 3,6 bilhões de pessoas vivem em contextos altamente vulneráveis às consequências climáticas, como a elevação do nível do mar, ondas de calor, chuvas intensas, secas e ciclones tropicais. 

Além das perdas humanas diretas, estes eventos extremos também expõem milhões de pessoas a uma grave insegurança alimentar e reduz a segurança da água. O IPCC reforça que as comunidades mais afetadas são as que historicamente menos contribuíram para a mudança climática. 

Vapor e fumaça sobem de torres de resfriamento e chaminés em uma usina de energia, Juliette, Geórgia (EUA).

Foto de Robb Kendrick

Crise climática: perda de fauna se aproxima da irreversibilidade e novas enfermidades devem surgir

Já em relação aos danos ambientais, o painel indica uma perda global de espécies e que impactos em alguns ecossistemas estão se aproximando da irreversibilidade. É o caso do derretimento das geleiras e o descongelamento do permafrost em ecossistemas de montanha e ártico.

Fora isso, a crise climática também influencia no surgimento de doenças impactadas pelo clima, como as transmitidas por alimentos e água contaminados ou por vetores. Aumento de casos de transtornos mentais relacionados com o aumento da temperatura, traumas de eventos extremos e perda de meios de subsistência e cultura também são consequências preocupantes que já podem ser observadas. 

O relatório síntese também volta a alertar que as mudanças climáticas afetam a economia de nações e a subsistência de muitas pessoas através da destruição de infraestrutura, perdas humanas e diminuição da renda média. Além disso, diz o IPCC, eventos extremos também geram milhões de refugiados do clima, que são obrigados a migrar em busca de um cenário melhor.

Medidas urgentes são necessárias para garantir um futuro habitável 

Nesse contexto, o relatório síntese ressalta que reduções drásticas e rápidas nas emissões de gases de efeito estufa são necessárias em todos os setores socioeconômicos para controlar o aquecimento global. Os modelos que preveem um aumento de 1,5ºC a 2ºC na temperatura média global acima dos níveis pré-industriais envolvem atingir a neutralidade de carbono até 2050 e 2070, respectivamente.

Neste contexto, o IPCC alerta que alcançar um desenvolvimento resiliente ao clima torna-se cada vez mais difícil à medida que a temperatura global sobe. Por isso, as decisões tomadas nos próximos anos serão essenciais para determinar o futuro das próximas gerações.

"Uma ação climática eficaz é possível através de compromisso político, governança multinível bem alinhada, estruturas institucionais, leis, políticas e estratégias, e melhor acesso ao financiamento e à tecnologia”, diz o relatório das Nações Unidas. 

Por exemplo, o painel menciona como medidas eficazes e necessárias: mais acesso à fontes de energia limpa; melhoria das culturas, gerenciamento e armazenamento de água, conservação da umidade do solo, irrigação, agroflorestação, adaptação baseada na comunidade, diversificação agrícola, abordagens de gerenciamento sustentável da terra, uso de princípios e práticas agroecológicos, e outras abordagens que trabalham com processos naturais. 

Apesar de ressaltar a urgência com que as ações devem ser tomadas, a agência ambiental reconhece e algumas das principais barreiras à medidas de combate à crise climática, como: recursos limitados; falta de compromisso político, do setor privado e público; mobilização insuficiente de fundos (inclusive para pesquisa); fraco conhecimento sobre o clima; pesquisa limitada ou lenta, fraca aceitação da ciência e um fraco senso de urgência.

"As decisões e ações tomadas nesta década terão repercussões agora e nos próximos milhares de anos", conclui o relatório do IPCC.

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