Conheça o fungo que pode se transformar em um predador carnívoro

Normalmente satisfeito em decompor folhas mortas, esse fungo monta uma armadilha elaborada para comer vermes quando precisa de alimento.

Por Sruthi Gurudev
Publicado 25 de jan. de 2024, 08:00 BRT
Em verde, vemos as células produzidas por esse fungo faminto que ajudam a atrair e prender ...

Em verde, vemos as células produzidas por esse fungo faminto que ajudam a atrair e prender os vermes nematoides. As linhas cinzas em forma de fio são chamadas de micélio – fios conectivos que formam um único fungo.

Foto de Yen-Ping Hsueh

Até onde um fungo pode ir para evitar a fome? No caso do Arthrobotrys oligospora, isso implica em se transformar em um predador impiedoso. Na maioria das circunstâncias, o A. oligospora é saprotrófico, o que significa que ele consome matéria orgânica em decomposição, como folhas mortas

Entretanto, os cientistas descobriram que a privação nutricional pode fazer com que os fungos sofram alterações moleculares, permitindo que se tornem carnívoros, atacando espécies de vermes desavisados chamados nematóides

Os fungos não podem perseguir suas presas da mesma maneira que outros predadores fazem, e um estudo publicado há pouco tempo descreveu como os fungos desenvolveram uma maneira mais complicada e sinistra de atacar.

Como um fungo ataca um verme?

Quando o A. oligospora detecta um nematoide próximo, ele usa feromônios para atrair os nematoides para seu micélio, a rede subterrânea de fios microscópicos que formam um fungo

De acordo com a pesquisa realizada pelo cientista Ping Hsueh, do Instituto de Biologia Molecular de Taiwan, Academia Sinica, o A. oligospora "provavelmente desenvolveu os meios de usar o mimetismo olfativo para atrair suas presas nematóides por meio dos neurônios olfativos em nematóides e espécies relacionadas". Isso significa que o fungo secreta sinais de alimento e feromônios sexuais para “seduzir” o verme em questão.

Os nematóides produzem pequenas moléculas chamadas ascarosídeos, que regulam seu comportamento e desenvolvimento. Acredita-se que fungos como o A. oligospora "escutam" e detectam os sinais feitos por esses ascarosídeos, que criam um padrão molecular que os fungos podem reconhecer. Como se acredita que a armadilha é um processo que consome muita energia, o A. oligospora só a faz quando a presa está próxima. 

Ele não é o único fungo que passa de decompositor inofensivo a predador. O cogumelo ostra produz substâncias químicas para paralisar suas presas nematóides em poucos minutos após o contato.

Hsueh afirma que "em nível molecular, queremos entender os mecanismos que permitem que os fungos façam isso. Mais especificamente, quais genes e proteínas os fungos produzem para detectar os nematóides e dar a eles a capacidade de capturá-los".

"Durante o primeiro estágio", explica Hsueh, "há um aumento na tradução de proteínas porque a armadilha precisa de muita proteína e DNA. Durante o segundo estágio, as proteínas são expressas, ou seja, são secretadas fora da célula. As armadilhas são muito pegajosas e funcionam como uma cola. Durante o último estágio, as enzimas dos fungos ajudarão a digerir o nematoide." 

Os nematóides vão contra-atacar?

No entanto, as técnicas de mímica e predação dos fungos podem receber resistência do verme primitivo. Hsueh descreve a capacidade da evolução dos nematóides de acompanhar a predação dos fungos como uma "corrida armamentista evolutiva". 

De acordo com um artigo de pesquisa da National Library of Medicine dos Estados Unidos, "para minimizar o risco de serem comidas, as presas muitas vezes desenvolveram comportamentos e estratégias específicas, como camuflagemevasãomimetismo e imobilidade tônica, para aumentar suas chances de sobrevivência

Por sua vez, os predadores também desenvolveram estratégias predatórias aprimoradas para garantir alimento suficiente para sobreviver e se reproduzir, dando origem a uma corrida armamentista evolutiva entre predador e presa."

A questão que permanece é se esses vermes podem ou não evoluir e se adaptar ao seu novo predador fúngico. Como se dará essa coevolução predador-presa? A resposta, no entanto, ainda está em aberto. Hsueh espera compreender o mecanismo, bem como as alterações em nível molecular que poderiam levar a uma mudança de comportamento no nematóide e, se tiver sorte, a sua fuga.

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