Conheça as equipes que se preparam para a vida em Marte

Uma fotógrafa nos mostra como é o treinamento para viver no planeta vermelho.segunda-feira, 7 de maio de 2018

Por Nadia Drake
Fotos de Cassandra Klos

Diferentemente, digamos, de treinar para ser um lutador profissional, treinar para ir para Marte requer uma verdadeira interrupção do sentimento de incredulidade. Mas isso não impediu diversas pessoas de participarem de simulações que recriam Marte na Terra, na tentativa de melhor compreender e nos preparar para os desafios de, um dia, enviar seres humanos para o planeta vermelho.

Frequentemente localizados em lugares remotos e arenosos, estes chamados locais análogos a Marte simulam situações feitas para nos aproximar da jornada que a humanidade fará ao planeta vizinho: há um atraso de comunicação de 20 minutos (ou seja, nada de telefonemas!), refeições que consistem de alimentos liofilizados ou plantações cuidadosamente cultivadas, recursos hídricos limitados e nunca, jamais saia do habitat sem vestir seu traje espacial, a atmosfera tóxica “marciana” acabará com você.

“Eu quero documentar como chegamos a Marte e por que fizemos tudo o que fizemos, além do que realmente significa existir em Marte, na Terra” disse Cassandra Klos, fotógrafa de Boston que vem documentando os locais onde acontecem as simulações. “Você tem uma missão e precisa concluí-la, e você não pode simplesmente abrir a comporta e ir lá fora.”

Além da inevitável dicotomia de realidade, Klos buscou produzir o tipo de imagem que faria se fosse a primeira fotógrafa em Marte.

“O que eu estaria interessada em ver quando as primeiras imagens de pessoas em Marte chegassem? Pessoas nas paisagens? A dimensão?” ela pergunta. “Eu adoraria mostrar a dinâmica entre a vastidão do terreno e a natureza claustrofóbica de onde estiveram para chegarem lá.”

Para Klos, compreender esta parte da jornada significou que ela mesma precisou vivenciar Marte na Terra.

Para isso, ela visitou as instalações do HI-SEAS, no qual participantes vivem por até um ano dentro de um domo geodésico localizado nas encostas do Mauna Loa, no Havaí. Este experimento isola equipes de seis pessoas em um ambiente vulcânico não muito diferente do que pode ser encontrado em Marte (exceto pela gravidade da Terra e o ar respirável). Ele foi elaborado primeiramente para estudar a psicologia e dinâmicas de grupo que ocorrem durante o isolamento de uma viagem ao espaço.

Ela também visitou o Análogo de Pesquisas para Exploração Humana, localizado no Centro Espacial Lyndon Johnson, no Texas, que desafia equipes de quatro pessoas a viajarem pelo espaço simulado por 30 dias. Além disso, ela também fotografou uma competição em que estudantes universitários construíram rovers (pequenos veículos) e os soltaram em terrenos marcianos simulados.

A própria Klos também participou de uma simulação de Marte, localizada em uma região árida do deserto de Utah, próximo a Hanksville. Na Estação Desértica de Pesquisa de Marte, os objetivos do experimento são vagamente similares aos do HI-SEAS, mas as equipes participam por apenas duas semanas de cada vez. Mais de mil “desertonautas” passaram pelo simulador. Em sua primeira estadia em Marte, Klos foi a artista residente, e em sua segunda viagem, a comandante do grupo.

Futuramente, Klos deverá fotografar um experimento europeu subterrâneo, ou uma nova simulação que está sendo organizada no Chile. Tudo isso faz parte de seu desejo de documentar o caminho que a humanidade está traçando até o planeta vermelho.

“Acredito que este projeto não seja totalmente concluído até que pessoas estejam realmente em Marte, o que pode não acontecer durante a minha vida” ela disse. “Não tem problema se meu trabalho se tornar obsoleto de repente, porque temos imagens reais de pessoas em Marte.”

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