Fiéis voltam às ruas de Belém para o Círio de Nazaré
Reportagem acompanhou as homenagens a N. Sra. na capital do Pará. Apesar da programação oficial reduzida devido à pandemia, centenas de milhares de devotos retornaram às ruas em 2021.

De Belém, Pará | Mesmo com restrições impostas pela pandemia, as ruas de Belém, no Pará, lotaram no último final de semana (8, 9 e 10/10). Os fiéis de Nossa Senhora de Nazaré saíram em massa para homenagear a santa e cumprir os rituais de devoção que acontecem durante todo outubro. “Desde que começou essa pandemia não foi fácil para ninguém”, conta a devota Brenda Vitória de Oliveira Carvalho. “Então eu decidi vir de joelhos porque eu sou muito grata a Deus por tudo.”
Assim como Brenda, várias pessoas caminham anualmente cerca de quatro quilômetros, entre a Basílica e a Igreja da Sé, agradecendo à santa e pagando promessas. Normalmente a imagem peregrina acompanha os devotos, mas, pelo segundo ano consecutivo, ela não saiu às ruas em procissão. Os fiéis sim – a Cruz Vermelha estima que 500 mil pessoas estiveram no centro de Belém em 10 de outubro. Número cinco vezes maior que o ano passado.
“Vai Luan, não desiste, falta pouco”, gritam os amigos de Luan Henrique Bastos de Carvalho, que prometeu à santa ir de joelhos da Basílica até o mercado Ver-o-Peso. A dor de Luan durante o trajeto é visível. Aos gritos de incentivo dos amigos, Luan acena negativamente com a cabeça enquanto um bombeiro lhe auxilia, carregando o fiel pelo braço. “Quem não tem pecado que atire a primeira pedra. Nós somos pecadores, o que importa é a sua fé”, afirma Gustavo, morador do mercado que explica o simbolismo da cor branca, roupa de quase todos que estão pelas ruas na data. “A imagem [da santa] foi encontrada em uma Samaumeira rodeada por lírios.” A escultura de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada em um igarapé no final do século 18. A procissão, uma das maiores do mundo, acontece desde então.
O Círio é o Natal dos paraenses. Diversas festas acorrem ao mesmo tempo – celebrações sagradas e profanas que festejam a santa. “Estranho, eu sei, juntar o santo e o pecador num mesmo céu, puro e profano, dor e riso, livre e réu”, canta Fafá de Belém, interpretando uma das músicas símbolo da festa, escrita pelo padre Fábio de Melo.
Mas é que Nazinha, um dos nomes da mãe de Jesus, é também “mãe de todos; não é só do católico, do espirita, do umbandista; eu conheço evangélicos que tem fé nela”, conta Ya Gedeunsú, mãe do Terreiro T.E.U.C.Y, que todos os anos presta homenagens à santa tocando tambores às margens da BR-316, em Ananindeua, onde Nossa Senhora de Nazaré passa em romaria rodoviária entre as cidades de Marituba e Belém.
Este ano, a santa realmente não transitou como de costume. A imagem fez apenas um translado rápido de quatro horas pelas ruas e sobrevoou os céus de helicóptero. Nada comparável às 12 procissões da qual ela participa tradicionalmente e do domingo de Círio, onde ela é puxada por cordas e romeiros pelas principais ruas de Belém.
“O que fica perpetuando sobre Maria é o que realmente vale a pena”, diz Ya Gedeunsú, “ela é um caminho de amor.”

Torcedor do Paysandu segura imagem de N. Sra. de Nazaré durante o Círio em Belém, Pará. Confira a reportagem completa.
Torcedor do Paysandu segura imagem de N. Sra. de Nazaré durante o Círio em Belém, Pará. Confira a reportagem completa.

Homem segura imagem de Nossa Senhora durante as celebrações do Círio de Nazaré em Belém.
Homem segura imagem de Nossa Senhora durante as celebrações do Círio de Nazaré em Belém.

Senhora segura um terço durante as procissões do Círio de Nazaré em Belém.
Senhora segura um terço durante as procissões do Círio de Nazaré em Belém.

Comerciante manuseia folhas de jambu, ingrediente essencial da culinária paraense. Comidas como a maniçoba e o pato no tucupi são parte das celebrações do Círio de Nazaré.
Comerciante manuseia folhas de jambu, ingrediente essencial da culinária paraense. Comidas como a maniçoba e o pato no tucupi são parte das celebrações do Círio de Nazaré.

Imagem de N. Sra. de Nazaré pouco antes de entrar na Basílica Santuário de Nazaré, em Belém, Pará, depois da única procissão oficial realizada este ano de 2021. Antes da pandemia, ocorriam pelo menos 12.
Imagem de N. Sra. de Nazaré pouco antes de entrar na Basílica Santuário de Nazaré, em Belém, Pará, depois da única procissão oficial realizada este ano de 2021. Antes da pandemia, ocorriam pelo menos 12.

Detalhes de flores e esculturas que adornam a berlinda de vidro onde a imagem de N. Sra. de Nazaré é carregada durante as procissões do Círio em Belém.
Detalhes de flores e esculturas que adornam a berlinda de vidro onde a imagem de N. Sra. de Nazaré é carregada durante as procissões do Círio em Belém.

Comerciante vende objetos para serem ofertados a N. Sra. de Nazaré durante o Círio em Belém.
Comerciante vende objetos para serem ofertados a N. Sra. de Nazaré durante o Círio em Belém.

Imagens de Nossa Senhora à venda em Belém durante o Círio de Nazaré.
Imagens de Nossa Senhora à venda em Belém durante o Círio de Nazaré.

Itens são vendidos a fieis em frente ao mercado Ver-o-Peso, em Belém. O mercado é um ponto importante do Círio de Nazaré, destino de muitos promesseiros.
Itens são vendidos a fieis em frente ao mercado Ver-o-Peso, em Belém. O mercado é um ponto importante do Círio de Nazaré, destino de muitos promesseiros.










