Por que esta lagosta rara parece ser feita de algodão doce azul?

Os tons pastel do animal podem ser o resultado de uma mutação genética ou de uma dieta incomum.Monday, June 25

EM NOVEMBRO, o pescador de lagostas canadense Robin Russell estava retirando suas armadilhas da água quando encontrou uma espécie de unicórnio: entre as lagostas laranjas e marrons havia uma lagosta pastel, ostentando uma concha azul bebê, rosa e lilás.

Inicialmente sem saber o que fazer com o bicho multicolorido, Russell acabou decidindo doar a lagosta - apelidada de "Lucky" - ao Huntsman Marine Science Center, em Saint Andrews, New Brunswick. Mas, recentemente, a postagem no Instagram de Russell, com a coloração incomum de Lucky, ressurgiu e está gerando muitas discussões on-line.

Embora não haja estatísticas sobre seus números, a lagosta é certamente um achado raro. Criaturas de cor semelhante só aparecem uma vez a cada quatro ou cinco anos, diz Michael Tlusty, professor de sustentabilidade e soluções alimentares da Universidade de Massachusetts, Boston.

A coloração da lagosta ocorre graças a um pigmento chamado astaxantina. É um antioxidante que se acredita ser biologicamente importante. "Os humanos chamam isso de 'superalimento'", observa Tlusty, acrescentando: "mas eu não acredito em 'superalimentos'".

Um pescador de lagosta teve uma surpresa colorida ao tirar sua armadilha da água na Ilha Grand Manan em New Brunswick, Canadá.

O pigmento muda de cor dependendo de onde está. Na pele, o pigmento fica solto e livre, mantendo uma cor vermelha brilhante. Mas dentro da casca, as proteínas ligam a astaxantina. “Essas proteínas agarram e torcem os pigmentos, e ficam azuis”, explica Tlusty. Na camada externa da casca, as proteínas se dobram novamente, passando a apresentar uma cor amarela.

Ao misturar vermelho, azul e amarelo, temos a coloração castanha lamacenta das lagostas na natureza. (Na verdade, elas não são vermelhas e só adquirem esta cor ao serem cozidas, o que afeta as proteínas que ligam o pigmento, fazendo com que ele volte ao vermelho.)

Quanto à ‘lagosta unicórnio’, é provável que ela tenha baixo teor de pigmentação. Embora seja um arco-íris de tons pastel, eles são todos muito fracos, diz Tlusty. A razão por trás dessa falta de cor, no entanto, não é clara. A excentricidade pode ser o resultado de uma mutação genética ou de sua dependência de uma fonte de alimento de baixo pigmento.

Pegadinha de pigmentos

Na verdade, Tlusty já havia criado lagostas brancas involuntariamente no passado. Ele passou 20 anos trabalhando no New England Aquarium fazendo pesquisas com lagosta, criando filhotes de lagostas para seu estudo. Na tentativa de economizar dinheiro, Tlusty optou por alimentar as lagostas com comida barata e sem astálin.

As lagostas ficaram perfeitamente saudáveis, mas brancas como fantasmas. "Muitos animais comem isso e incorporam essa cor em sua pigmentação", diz Tlusty. "Os flamingos fazem isso, o salmão faz isso, e as lagostas também fazem isso." Mas se qualquer uma dessas criaturas optar por uma dieta livre de pigmentos, ela ficará branca.

É possível que Lucky tenha se alimentado da isca que os pescadores jogaram no mar, diz Tlusty, em vez de uma dieta mais comum que inclui criaturas ricas em astaxantina, como caranguejos e camarões.

Uma mutação genética também pode estar afetando as proteínas que se ligam aos pigmentos, criando o tom de algodão doce. Essas mutações podem produzir algumas cores malucas - brilhantes lagostas azuis ou amarelas, marcas pontilhadas ou até mesmo lagostas de duas cores.

Uma maneira de descobrir esse mistério colorido é observar o que acontece com o Lucky à medida que ele cresce. Se a razão por trás de sua cor incomum é a dieta, comer alimentos ricos em pigmentos pode fazer com que fique laranja-amarronzada da próxima vez que mudar.

Mas se a coloração de arco-íris tiver sido causada por uma mutação, a comida não mudará a cor da lagosta - e esse animal de cor maluca continuará sendo um unicórnio.

Continuar a Ler