Seres humanos e cavalos têm uma relação próxima há séculos. Na foto, vemos um homem montando ...

Cavalos podem sentir o cheiro do medo dos humanos, segundo um novo estudo

Mais sensíveis ao olfato do que se imaginava, os equinos percebem quando uma pessoa está com medo pelo odor do suor humano. E isso pode fazer com que eles mudem seu comportamento.

Seres humanos e cavalos têm uma relação próxima há séculos. Na foto, vemos um homem montando em um cavalo no Egito.

Foto de Myousry6666 CC BY-SA 4.0
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 12 de mar. de 2026, 11:41 BRT

Belos e fortes, os cavalos se apresentam como animais imponentes, mas muitas pessoas nem imaginam que eles também possuem uma grande sensibilidade. Sim, os cavalos possuem um nível de percepção bem específico, como comprova um estudo científico recente, publicado em janeiro de 2026 na revista “PLOS One”. A investigação mostra que os cavalos são capazes de sentir o cheiro do medo humano e isso altera seu próprio comportamento. 

A pesquisa, conduzida pela Dra. Plotine Jardat (pesquisadora PhD em comportamento e bem-estar equino) e sua equipe no Instituto Francês de Equitação, foi além de estudos anteriores que já mostravam que os cavalos respondem a expressões faciais e tom de voz, focando especificamente no olfato. A seguir, National Geographic Brasil detalha como o estudo foi conduzidoquais as descobertas feitas sobre mais um comportamento impressionante dos equínos.

Acima, um exemplar de cavalo árabe (Equus ferus caballus) na Polônia.

Acima, um exemplar de cavalo árabe (Equus ferus caballus) na Polônia. 

Foto de James L. Stanfield

Como foi feita a pesquisa sobre a relação dos cavalos com o medo humano?

novo estudo encontrou evidências de que os cavalos não apenas detectam, mas também reagem a odores emocionais humanos. Um grupo de pessoas voluntárias participou da pesquisa em duas etapas: Primeiro, usaram compressas de algodão nas axilas enquanto assistiam a cenas de filmes alegres, como o número musical de “Cantando na Chuva”, por exemplo, e a música "We Go Together" do filme “Grease”. O objetivo era gerar um suor associado à alegria

Depois, com novas compressas, eles assistiram a 20 minutos do filme de terror “A Entidade” para induzir o medo e coletar o suor derivado desta sensação. Os pesquisadores também coletaram odores de controle sem nenhuma associação emocional. Feito isso, os cavalos participantes do estudo foram expostos a esses odores corporais humanos (de alegria, de medo e o último, que não tinha emoções definidas) por meio de compressas grampeadas dentro de focinheiras especiais usadas pelos cavalos durante os testes. 

A seguir entrou a segunda parte da pesquisa, focada em testes comportamentais. Eles mediram a frequência com que um cavalo de teste interagia com o pesquisador, de acordo com o que ele cheirava, tanto enquanto era escovado quanto enquanto a mesma pessoa permanecia ligeiramente afastado do animal. Os cavalos que cheiraram as amostras de medo interagiram e tocaram menos na pessoa do que os do grupo de controle ou os que cheiraram as amostras de suor derivado de “momentos de alegria”.

Eles também testaram a reação dos cavalos à sustos e a novos objetos. Eles abriram um guarda-chuva repentinamente perto de um balde com comida para testar o susto. E também apresentaram aos cavalos uma escultura feita de materiais desconhecidos para eles (composta de linóleo, plástico e barbante) e observaram seu comportamento.

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      Uma manada de cavalos (Equus ferus caballus) corre pela água em Cerro Colorado, no Uruguai.

      Uma manada de cavalos (Equus ferus caballus) corre pela água em Cerro Colorado, no Uruguai.

      Foto de James L. Stanfield

      Como os cavalos reagiram e quais foram as descobertas do novo estudo?

      A investigação mostrou que os cavalos apresentaram mudanças comportamentais e fisiológicas distintas quando expostos a odores humanos relacionados ao medo. Eles pareceram mais alertasreativos a eventos súbitos e menos propensos a se aproximar e tocar as pessoas próximas a eles.

      Além disso, ao longo do estudo, os cavalos também apresentaram aumento na frequência cardíaca máxima, o que indica estresse, durante a exposição ao odor de medo dos humanos. Um ponto importante ressaltado na pesquisa é que essas respostas ocorreram sem qualquer sinal visual ou vocal de medo demonstrado por humanos, só o odor coletado.

      Uma manada de cavalos árabes levanta poeira enquanto se desloca por uma estrada de terra na ...

      Uma manada de cavalos árabes levanta poeira enquanto se desloca por uma estrada de terra na Polônia.

      Foto de James L. Stanfield

      Os resultados do estudo da Dra.  Plotine Jardat e de sua equipe mostraram diferenças claras no comportamento dos cavalos que sentiram o cheiro do suor de medo em comparação com os outros grupos. Entre eles, destacam-se:

      • Mais medo e estresse: os cavalos expostos ao "suor do medo" demonstraram significativamente mais sinais de medo.
         
      • Menos interação com humanos: eles tocaram menos no pesquisador que interagia com eles, tanto durante a escovação quanto quando a pessoa estava parada por perto.
         
      • Maior reatividade a sustos: ao abrir o guarda-chuva repentinamente perto deles, esses cavalos tiveram sustos mais intensos e suas frequências cardíacas aumentaram mais.
         
      • Comportamento de esquiva: em relação ao objeto novo, os cavalos do grupo do "cheiro do medo" tocaram nele com menos frequência e passaram mais tempo observando-o à distância, um comportamento típico de cautela.

      A principal conclusão do estudo é que os cavalos são capazes de detectar o estado emocional de medo nos seres humanos apenas pelo odor, sem a necessidade de pistas visuais ou auditivas. Eles não encontraram ainda uma resposta definitiva sobre a origem dessa capacidade. Ela pode ser resultado da longa história de domesticação dos cavalos ou uma característica sensível inata presente em muitos mamíferos.

      Para quem lida com cavalos, a recomendação prática de Plotine Jardat é valiosa: "Se o seu cavalo não coopera em um exercício proposto, talvez seja melhor tentar em outro dia, quando você se sentir diferente". Em outras palavras, o estado emocional do ser humano pode influenciar diretamente o comportamento do animal, mesmo que a pessoa tente escondê-lo.

      Chegar relaxado e de bom humor pode favorecer uma melhor interação com o cavalo, enquanto que, se você estiver com medoo cavalo pode sentir esse medo e, como resposta, reagir de forma mais intensa a uma situação potencialmente perigosa”, afirmou a pesquisadora francesa no estudo publicado na revista “PLOS One”. Portanto, talvez seja melhor não se aproximar de um cavalo logo após assistir a um filme de terror.

      *Texto feito por Juliane Albuquerque, Editora Assistente de National Geographic Brasil.

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