O retorno dos últimos cavalos selvagens registrado em fotos de National Geographic no Cazaquistão

Ami Vitale, fotojornalista de National Geographic, acompanhou os cavalos de Przewalski — antes declarados extintos na natureza — em uma jornada de 3.200 km de volta ao seu habitat ancestral no ao Cazaquistão.

Por Carol Huang, Fotos Ami Vitale
Publicado 21 de jan. de 2026, 09:58 BRT, Atualizado 21 de jan. de 2026, 12:09 BRT
Acima, alguns cavalos selvagens cavalgando livremente. Também conhecidos como cavalos de Przewalski, eles andavam livremente pela ...

Acima, alguns cavalos selvagens cavalgando livremente. Também conhecidos como cavalos de Przewalski, eles andavam livremente pela Ásia Central, mas em meados do século 20, a perda de habitat, a caça e a competição com o gado levaram-nos à extinção na natureza. Agora, graças a uma iniciativa ambiciosa, uma pequena população desses cavalos está sendo transportada de zoológicos e reservas naturais para repovoar a estepe do Cazaquistão. 

Foto de Ami Vitale

Conhecidos como “cavalos de Przewalski”, estes cavalos selvagens vagavam livremente pela Ásia Central durante séculos. Só que em meados do século 20, por conta da perda de habitat, da caça ilegal e do competição com o gado, eles foram levados à extinção na natureza

Agora, graças a uma iniciativa ambiciosa, uma pequena população desses cavalos está sendo transportada de zoológicos e reservas naturais para serem soltos na natureza e repovoar a estepe do Cazaquistão

projeto é intitulado Retorno dos Cavalos Selvagens e faz parte de um esforço multinacional para restabelecer uma população autossustentável de cavalos de Przewalski em seu habitat histórico, onde eles viviam livres anteriormente. A intenção é que até 2029 a fase inicial seja feita, os organizadores esperam ter de 40 a 45 cavalos vivendo independentemente na natureza.

Os cientistas acreditam que esses cavalos desempenham um papel ecológico fundamental na manutenção da biodiversidade das pastagens, pois eles pastam de forma a impedir a propagação de arbustos e promover a diversidade do habitat para outras espécies

esforço de reintrodução não é isento de riscos: os cavalos precisam enfrentar predadoresinvernos rigorosos e o desafio de se adaptar às condições selvagens após gerações em cativeiro. Mas os conservacionistas veem o projeto como cientificamente necessário e culturalmente relevante. 

Os cavalos de Przewalski receberam esse nome em homenagem ao explorador russo do século 19, Nikolai Przewalski, que foi o primeiro a apresentar a espécie à ciência europeia. Sua reintrodução e retorno à estepe do Cazaquistão não é apenas um marco para a conservação, mas uma espécie de reconhecimento histórico, uma reversão de um desaparecimento que antes parecia permanente.

O olhar da fotógrafa Ami Vitale na primeira viagem dos cavalos de Przewalski de retorno ao Cazaquistão

cineasta documentarista e fotógrafa Ami Vitale estava presente para documentar a viagem dos cavalos. Ela viajou com eles por mais de 3.200 km, primeiro voando em um avião de carga militar com escalas para reabastecimento na Turquia e no Azerbaijão. Após essa etapa, encarou mais oito horas de caminhão, eles chegaram à Reserva Natural Estadual Altyn Dala, no centro do Cazaquistão.

Tudo começou em uma manhã de segunda-feira em junho de 2025, enquanto o tráfego fluía em direção ao centro de Praga, na República Tcheca, um jovem cavalo chamado Wisky — um cavalo selvagem de Przewalski, que é uma das espécies de equídeos mais ameaçadas de extinção do mundo — chutou uma caixa de madeira na parte traseira de um caminhão e caiu na rodovia, surpreendendo os motoristas.

Depois de ser criado em cativeiro por um ano e meio no Zoológico de Praga, Wisky estava a caminho de um novo lar nas estepes do Cazaquistão, como parte do esforço histórico para restaurar os cavalos de Przewalski na natureza. E agora esse cavalo raro estava solto no meio do trânsito.

A equipe de conservação conseguiu cercar e sedar Wisky e levá-lo de volta ao zoológico em segurança. Mas outros sete cavalos de Przewalski criados em cativeiro — três vindos da República Tcheca e outros quatro da Hungria — continuaram naquele dia sua viagem em direção à liberdade.

Um cavalo de Przewalski é solto em um grande recinto no Cazaquistão, dando seus primeiros passos ...

Um cavalo de Przewalski é solto em um grande recinto no Cazaquistão, dando seus primeiros passos de volta à estepe onde seus ancestrais outrora vagavam. Parte do projeto “Retorno dos Cavalos Selvagens”, essa cuidadosa reintrodução marca um passo crítico na restauração do último cavalo verdadeiramente selvagem do mundo ao seu lar histórico, após mais de 200 anos em cativeiro.

Foto de Ami Vitale

Os cavalos de Przewalski são a única espécie viva de cavalo que nunca foi domesticada. Eles já vagaram pelas estepes ventosas da Ásia Central, mas quando foram descritos em 1881 como uma espécie distinta, seu número já estava diminuindo devido à caça e à perda de habitat.

Em 1969, foram declarados extintos na natureza. Restavam menos de 200 no mundo, sendo que todos os indivíduos que ainda sobrevivem estão em zoológicos ou reservas e todos eles são descendentes de 13 cavalos de Przewalski capturados antes de 1948.

Em 1990, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) elaborou um plano para salvar a espécie. O plano previa a preservação da diversidade genética dos cavalos por meio de uma reprodução cuidadosa. O mesmo plano também previa a restauração da espécie em seu habitat original, com a criação de 5 a 10 populações autossustentáveis na natureza, com locais potenciais na Ásia Central identificados na MongóliaChinaUcrâniaCazaquistão e nas montanhas ao redor do Lago Baikal, na Sibéria, Rússia.

esforço de décadas para colocar esse projeto em ação começou no início da década de 1990, com a introdução de cavalos criados em cativeiro em áreas selvagens na China e na Mongólia. Em 2010, depois que um inverno rigoroso matou dois terços dos cavalos de Przewalski soltos no oeste da Mongólia

Foi então que o Zoológico de Praga lançou o projeto “O Retorno dos Cavalos Selvagens” para reabastecer a população de cavalos perdida. Usando aviões de carga da Força Aérea Tcheca, o zoológico coordenou vários transportes de cavalos de Przewalski criados em cativeiro para a Mongólia.

Atualmente, existem mais de 1 mil cavalos de Przewalski na China e na Mongólia. A partir dessa iniciativa de sucesso, agora o Zoológico de Praga está ampliando os esforços para restaurar a espécie em outra parte de seu território ancestral: as estepes do Cazaquistão

Para isso, eles estão colaborando com outro projeto inovador — a Iniciativa de Conservação Altyn Dala, que em 2006 iniciou uma missão para salvar outro animal ameaçado de extinção, que compartilha o território nativo dos cavalos: o antílope saiga, de nariz bulboso.

(Você pode se interessar: O que perdemos com a extinção dos animais)

Antes de trazer os primeiros cavalos para o Cazaquistão, os parceiros garantiram proteção legal para os animais, fazendo com que fossem reconhecidos como espécie ameaçada de extinção no Livro Vermelho do Cazaquistão. 

Em seguida, os parceiros lançaram um plano para introduzir 40 cavalos ao longo de um período de cinco anos em Altyn Dala. Os biólogos esperam que eles criem a base para uma população autossustentável.

No ano passado, as forças armadas tchecas entregaram os primeiros 7 cavalos criados em cativeiro de Praga e Berlim para a Iniciativa Altyn Dala. Os animais passaram um ano em currais fechados para aclimatação, a fim de garantir que pudessem sobreviver ao seu primeiro inverno na estepe, onde as temperaturas podem cair para -45º C.

mais populares

    veja mais

    mais populares

      veja mais
      Em uma rodovia nos arredores de Praga, Wisky, um jovem cavalo de Przewalski, chutou uma caixa ...

      Em uma rodovia nos arredores de Praga, Wisky, um jovem cavalo de Przewalski, chutou uma caixa e escapou no início de uma longa viagem para o Cazaquistão. Depois de sedar Wisky (que não se feriu durante a fuga) e levá-lo de volta ao zoológico para receber cuidados, sua equipe continuou a longa viagem até a Reserva Natural Estadual Altyn Dala, no Cazaquistão, onde outros sete cavalos foram soltos em suas pastagens ancestrais.

      Foto de Ami Vitale

      Ami Vitale, uma ex-fotojornalista de guerra e hoje cineasta documentarista e fotógrafa, acompanhou a viagem e documentou a libertação desses sete cavalos originais e a chegada de um novo grupo de cavalos (que deveria incluir Wisky, até sua fuga de última hora na rodovia). 

      Quando os primeiros sete cavalos retornaram à estepe, foi a primeira vez em quase 200 anos que a espécie vagou livremente no Cazaquistão Central. (Uma tentativa em 2003 de restaurar os cavalos na região sul do país falhou.)

      Enquanto isso, os cavalos recém-chegados — três de Praga e quatro do Parque Nacional Hortobagy, na Hungria — também passarão um ano em currais de aclimatação antes de serem soltos nas pastagens.

      “Em um campo onde a perda é frequentemente a norma, o retorno de uma espécie antes considerada extinta na natureza é uma conquista rara e frágil”, escreveu Vitale em um e-mail. “Na prática, a reintrodução na natureza envolve igualmente ciência, logística e confiança — confiança de que os animais criados em cativeiro podem se readaptar, que os ecossistemas podem se recuperar e que o que foi perdido ainda pode retornar.”

      Vitale conversou com exclusividade com a National Geographic sobre a fuga de Wisky e seu trabalho documentando o “Retorno dos Cavalos Selvagens” e outros projetos para proteger espécies ameaçadas de extinção e seus habitats.

      A entrevista a seguir foi condensada e editada para maior clareza. 

      “O retorno de uma espécie antes considerada extinta na natureza é uma conquista rara e frágil.”

      por Ami Vitale
      Fotógrafa

      National Geographic: Como você se envolveu com este projeto?


      Ami Vitale: Há alguns anos, o Zoológico de Praga entrou em contato comigo e me convidou. Tenho me interessado em encontrar histórias que não se concentrem apenas nos desafios deste planeta no que diz respeito ao meio ambiente, à vida selvagem e às questões de extinção. Quando leio muitos trabalhos sobre essas questões, fico com essas estatísticas enormes e avassaladoras, como “Perdemos 73% da vida selvagem mundial nos últimos 50 anos”. 

      Isso foi divulgado no ano passado e é assustador. Essas coisas ficam na minha cabeça e, no meu trabalho, sempre tentei descobrir: “O que todos nós podemos fazer a respeito? Como todos nós fazemos parte do problema, podemos fazer parte da solução?”.

      Isso me levou a um caminho incrível, no qual conheci pessoas extraordinárias que estão fazendo um trabalho incrível em todo o mundo. Tenho muita curiosidade sobre as criaturas deste planeta que estavam à beira da extinção, mas foram impedidas de se extinguir. Eu queria saber mais sobre isso. O cavalo de Przewalski sempre foi uma história que, quando comecei neste trabalho, era a que usávamos como referência. Eles são uma espécie icônica que as pessoas quase destruíram e depois realmente trouxeram de volta.

      Por coincidência, um dos veterinários e cientistas com quem trabalhei no grupo que salvaram os rinocerontes brancos do norte também está trabalhando com o cavalo de Przewalski. Então, eu sempre quis fazer parte disso. Não pude ir no primeiro ano, então vim este ano. Eles deveriam trazer oito [cavalos], mas Wisky fugiu, então ficaram sete. Em algum lugar da Internet está o vídeo real de quando isso aconteceu, quando Wisky chutou a parte de trás e saiu do caminhão em movimento.

      (Conteúdo relacionado: Quantas espécies estão ameaçadas de extinção no Brasil?)

      Então você estava no comboio e o caminhão do Wisky estava à sua frente?


      Estávamos todos nesse comboio e ele parou, e eu rapidamente percebi que algo estava errado e pulei para fora. A polícia parou todo o trânsito e então nós, toda a equipe, corremos para lá. Lembro-me de agarrar alguns membros da equipe de marketing e dizer: “Ok, todos nós temos que ficar bem próximos uns dos outros e levantar os braços, e se o cavalo pular em nossa direçãonão se mexam

      Apenas acenem com as mãos para cima e para baixo'. Meu medo era que Wisky pulasse para a outra faixa de tráfego que não havia sido parada. Então era isso que eu estava pensando, e a equipe foi absolutamente incrível. Essa foi a parte bonita, ver todos se unindo, independentemente de suas funções. Mas foi assustador. Em todas as viagens que fiz, algo inesperado acontece.

      Então vocês formaram uma espécie de cerco humano, esticando os braços?


      Sim, todos nós corremos imediatamente. Não se deve correr diretamente em direção a elesCorra para o lado. Nunca corra diretamente em direção a eles, porque isso só vai fazê-los fugir. Então, todos nós chegamos de direções diferentes, mas não diretamente em direção a ele, para que ele não pulasse para fugir de nós. É assim que se trabalha com animais, para que eles não pensem que você está os confrontando.

      O resto aconteceu muito rápido. O veterinário principal sabia que teria que sedar Wisky no meio da rodovia. E precisávamos colocar o cavalo de volta na baia — outra baia, na verdade, porque ele tinha escapado daquela. Então, eles o sedaram e tiveram que ficar sentados na beira da estrada com ele sedado. 

      Enquanto isso, todos nós tivemos que continuar e colocar os outros cavalos no jato militar para cumprir todos os prazos. Wisky, ao que parece, estava totalmente bem. Voltei para vê-lo depois que voltamos, e Wisky está prosperando [e ainda sob os cuidados do Zoológico de Praga] e totalmente ileso.

      Você sabe se eles vão tentar libertar Wisky pela segunda vez? 


      Pelo que sei, ele não irá ao Cazaquistão no futuro.

      Então vocês deixaram o Wisky em Praga e embarcaram em um avião de carga militar com o resto dos cavalos. Como foi isso?


      Estava muito frio [no avião de carga]. Estávamos todos com nossas roupas de inverno, bem agasalhados. E é super barulhento e muito lento. Você fica congelando e sentado em assentos dobráveis. Foi uma longa viagemParamos em Istambul para reabastecer e depois paramos no Azerbaijão. Os veterinários foram incríveis. Eles ficaram acordados o tempo todo, observando e alimentando os animais.

      Chegamos ao Cazaquistão e tivemos que seguir de carro. E foi incrível ver aquela paisagem. Eu nunca tinha estado nas estepes antes. Não há árvores. Você não vê toda a vida imediatamente. Mas você acorda de manhã e é só uma cacofonia de pássaros. Não é silencioso. Há muita vida ao seu redor. Até os insetos.

      Fiquei sentada lá por pelo menos uma hora enquanto o sol nascia, e esse pequeno filhote de saiga nem percebeu que eu estava lá. Ele vem correndo, na frente dos cavalos de Przewalski. Eu estava deitado completamente no chão e escondido.

      Adoro a imagem do filhote de antílope saiga correndo ao seu lado. Essa foi sua primeira manhã?


      Sim. Há um enorme recinto, e eu estou deitada de barriga para baixo, e fiquei lá por cerca de uma hora, e então o sol está nascendo, e você pode ver a luz passando pelas crinas [dos cavalos]... Então, esse pequeno e fofo bebê de antílope saiga não me viu e simplesmente veio correndo, e você vê aqueles cavalos ali.

      Foi muito emocionante pensar: “Meu Deus, elas [essas duas espécies] provavelmente não coexistem há séculos”, e ver que essa paisagem vai se restaurar, com todas essas espécies. E então pensar em quais outras espécies serão beneficiadas com o retorno delas. Foi divertido pensar no que poderia acontecer com o retorno dessas criaturas

      O que voltará? Essas são as minhas perguntas. Essas criaturas inspiram admiração e me fazem questionar e despertam a curiosidade, e é isso que tudo isso faz por mim pessoalmente. E espero que faça o mesmo por outras pessoas também.

       O Dr. Roman Vodička, veterinário-chefe do Zoológico de Praga, aproximou-se de Wisky com um dardo tranquilizante ...

       O Dr. Roman Vodička, veterinário-chefe do Zoológico de Praga, aproximou-se de Wisky com um dardo tranquilizante depois que o cavalo de Przewalski fugiu para a rodovia. Um tiro foi suficiente para subjugá-lo. A decisão foi imediata: Wisky não continuaria. Ele foi redirecionado para o zoológico para monitoramento e recuperação.

      Foto de Ami Vitale

      Você diz que coisas inesperadas acontecem o tempo todo nas expedições…


      Às vezes, quando você atinge um animal com um dardo anestésico, ele não fica completamente sedado imediatamente. Você está trabalhando em áreas selvagens e se houver água por perto, eles às vezes correm direto para um rio ou fonte de água, e então você tem que ir rapidamente e puxá-los para fora, porque a droga começa a fazer efeito e eles desmaiam na água.

      Já participei de expedições transportando girafas através de rios em uma barcaça. Resgatamos nove girafas de Rothschild por causa da chuva intensa, elas estavam em uma península que se transformou em uma ilha, e então o filhote de girafa ficou preso em uma parte pantanosa e foi mordido por uma cobra venenosa. 

      Eles tiveram que transportar essas girafas em uma jangada, como eles chamavam. Fizemos essa reportagem para a NatGeo. Eu [estive em um avião] transportando 24 leões da África do Sul para Moçambique — onde eles haviam desaparecido de seu habitat por causa de uma guerra civil — trazendo-os de volta em um jato particular. Eles começaram a acordar no meio do voo

      Éramos apenas eu, o piloto e o veterinário, e você fica cutucando ele [o veterinário], tipo: “Você poderia sedá-lo, por favor?” E transportar um rinoceronte negro chamado Eric, do Zoológico de San Diego até a Tanzânia. Isso levou 48 horas e vários voos. São animais selvagens, então é um trabalho muito difícil... As coisas dão errado. No entanto, até então, nunca tinha visto um animal cair de um veículo ou chutar para sair dele.

      Quando você percebe o quanto isso envolve (dinheiro, esforço, mão de obra, tempo), me pergunto se algumas pessoas pensam: “Por que fazer isso?”


      Todas as espécies que se extinguem, em última análise, vão voltar e causar impacto na humanidade. Quer você compreenda isso ou não, é assim que acontece. Talvez não durante a sua vida, mas será para a vida neste planeta, para os seus filhos. 

      Ao longo da minha vida, vi paisagens perderem espécies e começarem a se deteriorar. E elas se tornam cada vez mais inabitáveisTambém vi o contrário, a beleza de como a natureza começa a se recuperar rapidamente quando lhe damos uma pequena chance. É incrível.

      Há algo profundamente comovente em estar lá fora e acreditar que a Terra pode se curar, e que as criaturas podem se regenerar e voltar... Se ouvirmos e observarmos, perceberemos que o futuro ainda está por ser escrito. Podemos escolher ser cuidadores, ter esse poder de restaurar, reconectar e proteger, isso também é simbólico do que temos a perder. 

      Acho que o maior desafio com todas essas coisas é fazer com que pessoas de diferentes países e culturas, com políticas totalmente diferentes, sistemas de crenças diferentes, se unam para tornar tudo isso possível. Para mim, essa é a principal lição de todas essas histórias: os seres humanos precisam se dar bem para imaginar o futuro que queremos. É possível. Acho que as pessoas caem em desespero quando veem os impactos que causamos. Mas vejo como, na verdade, o que vem a seguir está realmente em nossas mãos.

      Você já disse em outras entrevistas que podemos causar impacto com cada escolha que fazemos.


      Com certeza. Acho que precisamos nos envolver mais, de todas as maneiras possíveis. Você não precisa estar envolvido nessa história. Você pode estar em Nova York e ver tanta coisa selvagem ao seu redor que talvez nem perceba. 

      Parte da magia é simplesmente desacelerar e observar. Estou sentada aqui na varanda da minha casa [em Montana, nos Estados Unidos] e há dezenas de abelhas e borboletas polinizando as flores. Nossa, se apenas prestarmos atenção ao que está à nossa frente e percebermos que fazemos parte disso tudo, tudo fará mais sentido. 

      É quase um milagre que eles consigam trazer esse cavalo de volta da extinção [na natureza] e agora levá-lo de volta para onde ele originalmente existia… Essa paisagem vai se curar com a volta deles.

      Quando você traz de volta essas espécies-chave vai haver muita regeneração acontecendo. Eu adoro me aprofundar nesse assunto. Mas depois gosto de voltar a pensar em todos nós, não importa onde estejamos. 

      Imagine se, sim, os cientistas dizem que estamos testemunhando a Sexta Extinção, mas imagine se todos nós prestássemos um pouco mais de atenção e nos envolvêssemos em um projeto em nosso próprio quintal. Ou mesmo apenas nos conscientizássemos mais das coisas que fazemos que prejudicam a vida selvagem.

      mais populares

        veja mais
        loading

        Descubra Nat Geo

        • Animais
        • Meio ambiente
        • História
        • Ciência
        • Viagem
        • Fotografia
        • Espaço
        • Saúde

        Sobre nós

        Inscrição

        • Assine a newsletter
        • Disney+

        Siga-nos

        Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2026 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados