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Sem casa, sem esperança

Há gerações, membros da minoria muçulmana rohingya fogem da repressão violenta em Mianmar, um país budista. Nos campos de refugiados de Bangladesh, a vida continua sombria. Quarta-feira, 8 Novembro

Por Brook Larmer
Fotos de William Daniels

Dance!”, grita o ofi cial do Exército, balançando uma arma em direção à garota trêmula. Afifa, de apenas 14 anos, foi encurralada em um campo com dezenas de meninas e mulheres – todas do grupo muçulmano rohingya. Soldados invadiram a sua vila, no oeste de Mianmar, naquela manhã, em outubro passado. Os homens, temendo por suas vidas, correram floresta adentro para se esconder.

Após suportar uma revista invasiva, Afifa assiste aos soldados arrastarem duas mulheres para um arrozal antes de os outros se voltarem para ela. “Se você não dançar agora, vamos te matar”, adverte o homem. Segurando as lágrimas, Afifa obedece. Os militares batem palmas ritmadamente, e o oficial desliza o braço ao redor da cintura da menina. “Melhor assim, não é?”, diz ele, com um sorriso aberto.

O encontro relembrado por Afi fa marcou o início, em 2016, de uma onda de brutalidade contra os rohingyas, estimados em 1,1 milhão, e que vivem agora, precariamente, no estado de Rakhine, em Mianmar. Eles são uma das minorias mais perseguidas do mundo. São muçulmanos em uma nação dominada por budistas. Os rohingyas declaram-se indígenas, e muitos são descendentes de colonos que chegaram no século 19 e no início do 20. Em 1982, o governo militar despojou-os da sua cidadania. Eles são considerados imigrantes ilegais em Mianmar, bem como no país vizinho, Bangladesh, para onde fogem.

Cinco anos atrás, confrontos entre budistas e islamitas deixaram centenas de mortos. Com as suas mesquitas e vilas incendiadas, 120 mil rohingyas foram forçados a migrar para campos de refugiados em Mianmar. Em outubro de 2016, os militares birmaneses colocaram em ação uma campanha de terror de quatro meses que incluiu, de acordo com as Nações Unidas e organizações de direitos humanos, execuções, detenções em massa, destruição de vilas e estupro sistemático. A ofensiva do Exército, que começou após um ataque a postos fronteiriços por suspeitos militantes rohingyas e que deixou nove policiais mortos, desencadeou um êxodo de cerca de 74 mil pessoas para campos na fronteira com Bangladesh. 

Confira a reportagem completa: Sem casa, sem esperança na edição de outubro de 2017 da revista National Geographic Brasil.
Publicada por ContentStuff.