Acostumadas ao isolamento, mulheres trans enfrentam outros desafios na pandemia

Fotógrafa acompanhou o cotidiano de um grupo de mulheres em busca de refúgio nos únicos dois abrigos para travestis e transexuais de São Paulo.

Fotos de Dan Agostini
Publicado 27 de dez. de 2020 08:00 BRT, Atualizado 25 de jun. de 2021 11:58 BRT
Celina, 19 anos, e Lourena, 21, moram em uma casa de acolhimento para mulheres trans em São Paulo ...

Celina, 19 anos, e Lourena, 21, moram em uma casa de acolhimento para mulheres trans em São Paulo e trabalham na Praça do Jaçanã, ponto de prostituição próximo de onde vivem. Celina trocou Fortaleza por São Paulo aos 16 anos com o sonho de ser modelo. Lourena saiu de casa pela primeira vez aos 19 depois de conflitos familiares relacionados à identidade de gênero. Antes, as duas trabalhavam em eventos e bares, mas durante a pandemia tiveram que recorrer à prostituição.

Foto de Dan Agostini

Nota do editor: A influenciadora Ygona Moura, uma das mulheres retratadas e entrevistadas para esta reportagem, morreu por complicações em decorrência da covid-19 em 27 de janeiro de 2021.

Janaína Molinari nasceu no interior de São Paulo e começou a usar drogas na adolescência. Aos 19, foi presa pela primeira vez. Lolla, nascida no litoral do mesmo estado, foi presa após uma falsa acusação de estupro feita por uma vizinha. Ygona Moura vive em conflito com a mãe, que, desde os 18, a expulsa de casa sempre que ela perde o emprego. Paola Montenegro, carioca, foi excluída da família e, depois disso, conseguiu trabalho cantando em bares no litoral do Espírito Santo. Camilla Moretty, 61, teve que fugir da fazenda que morava no interior de Minas Gerais devido a ameaças de um ex-namorado.

Essas pessoas de diferentes cidades e origens compartilham uma vida de enfrentamento à violência e ao preconceito como consequência de uma escolha: assumir a transexualidade. Histórias de um tipo de isolamento social que já existia antes de 2020 e que a pandemia da covid-19 explicitou e uniu fisicamente na Casa Florecer II – a segunda casa de um projeto da prefeitura de São Paulo que buscar acolher travestis e mulheres transexuais. É lá, no alto de um morro na Zona Norte da cidade, atrás de um alto muro azul, que 30 mulheres trans dividem banheiros e um cômodo com beliches e divisórias. É o abrigo que conseguiram em meio a uma crise sanitária, econômica e social sem precedentes que agravou situações de vida já bastante complicadas mesmo antes da chegada do vírus.

Paola Montenegro

“A minha história não começa quando eu nasci, mas quando me assumi trans. Não quero falar da família, eles esperaram eu ter 18 para me excluírem da vida deles”, conta Paola Montenegro, 20 anos. Ela diz que sempre se sentiu diferente e esperava os pais saírem para usar os vestidos da mãe escondida. “Eu só fui assumir após um carnaval porque onde eu morava tem um bloco das Piranhas: os homens se vestem de mulher e as mulheres, de homem", diz.

"Voltei do carnaval e decidi que não ia tirar mais a fantasia.”

Janaina Molinari é umas das 30 moradoras da Casa Florescer, que acolhe mulheres trans na cidade de São Paulo. A rotina na casa inclui estudos, alimentação, atividades físicas e artísticas e alguns momentos de descontração – elas contam que dançam, assistem filmes e conversam.

Foto de Dan Agostini

Erica posa para retrato na Casa Florescer antes de sair para trabalhar como profissional do sexo. No Brasil, estima-se que 90% das mulheres transexuais e travestis encontram na prostituição um meio de sobrevivência. Erica chegou a ser contratada para fazer pesquisas com público, mas trabalhou apenas por um dia devido ao início da pandemia.

Foto de Dan Agostini

Ygona Moura, uma das moradoras da Casa Florescer, tira uma selfie em um dia que estava “montada”. Ygona, assim como Lolla, utiliza as redes sociais para debater assuntos como transfobia e gordofobia com seus seguidores.

Foto de Dan Agostini

Expulsa de casa, Paola encontrou sua salvação investindo no que mais gosta, a música. Conquistou sua independência cantando em bares do litoral do Espírito Santo e trabalhando como jovem aprendiz em uma agência dos correios. Mas a quarentena foi avassaladora. “Eu tive que vender todos os meus aparelhos, tinha microfone, caixa de som, tudo caríssimo, vendi pela metade do preço e vim para cá só com a roupa. Não recebo nenhum auxílio do governo, então estou aqui à deriva”, conta. 

A jovem Paola é, infelizmente, exceção entre as moradoras cujas vidas à deriva acabam encontrando porto no tráfico de drogas e na prostituição – trabalho que não parou nem mesmo durante a quarentena.

Matuzza Sankofa

“A educação e o acesso ao mercado de trabalho são negados à população trans desde sempre. Os únicos espaços que acolhem essas pessoas são o da prostituição e drogas. Não existem outras possibilidades que não essas”, explica a redutora de danos e consultora de diretos humanos para a população LGBTQIAP+ Matuzza Sankofa, 28 anos.

Lolla Francis testa som e imagem antes de começar uma live na casa Florescer. A conta @juntoscomalolla no Instagram tem pouco mais de 13 mil seguidores. Nela, Lolla compartilha um pouco da sua vida e realiza lives sobre transexualidade e transfobia.

Foto de Dan Agostini

Lolla Francis se prepara para um evento online ao qual foi convidada em um dos poucos cômodos isolados da Casa Florescer II, onde o barulho do dormitório é menor,

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Matuzza também viveu na adolescência esse roteiro comum às pessoas transsexuais. Aos 14, foi expulsa de casa por se identificar como mulher. Viveu nas ruas, usou drogas, foi presa, mas sua vida ganhou outros rumos quando encontrou trabalho em um projeto de redução de danos e serviço de auxílio a pessoas transexuais em Belo Horizonte (MG). A partir dessa experiência, em 2018, fundou a associação cultural Casa Chama, em São Paulo, um espaço de pesquisa, discussão e ação para pessoas LGBTQIAP+. “Infelizmente, para algumas ‘corpas’ específicas, a ausência do estado é violenta, mas a presença dele também. As pessoas trans e usuárias de drogas não tem acesso a saúde, educação e trabalho, e quando o Estado se mostra presente é pela força policial, pelo punitivismo e o encarceramento”, explica Matuzza.

Janaína Molinari

Matuzza encontrou Janaína Molinari, 29 anos, vivendo em uma barraca na calçada no centro de São Paulo e a encaminhou para a Casa Florescer. Nascida em Hortolândia (SP), Janaína conhece bem o poder punitivo do Estado. Desde os 15, quando se identificou como transexual, sofre com bullying e preconceito. Por meio de um namorado, começou a usar e vender drogas. “Eu usava como válvula de escape, da raiva que eu sentia das pessoas que não me aceitavam e para me dar forças também”, diz. Aos 19, Janaína foi presa pela primeira vez, por tráfico. Desde então, sua vida é uma sucessão de intervalos entre o cárcere e a luta pela sobrevivência nas ruas.

“Na prisão, você é obrigado a se vestir de homem. Isso me deprimiu, eu não comia; já sou magra, fiquei quase invisível”, diz ela. Quando saiu da cadeia, Janaína teve ajuda da mãe – que a aceita, apesar de não gostar das roupas femininas que a filha usa – e foi trabalhar como garçonete. Estava livre, mas agora sob confinamento social, pois o uso de vestimentas masculinas no emprego era obrigatório. “Depois, consegui outro trabalho, onde aguentei mais um ano, mas a política era a mesma: roupas de homem”, conta Janaína. “Até que um dia explodi e fui embora. No fim, voltei a me envolver com drogas e terminei me prostituindo; tinha 25 anos.”

Geisa, 34 anos, descansa no dormitório da casa Florescer. Geisa começou a se prostituir aos 17 anos para fazer a transição de gênero. Depois disso, trabalhou como atriz pornô por cinco anos até juntar dinheiro para colocar silicone.

Foto de Dan Agostini

Camilla, 61, estuda pelo celular dentro do dormitório da casa. Devido à pandemia, suas aulas passaram a ser online – algo que se mostrou desafiador para uma senhora que passou quase toda a vida em uma fazenda.

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Após um relacionamento no qual foi aprisionada pelo namorado, que usava crack, Janaína conseguiu sair de casa, mas, sem ajuda de amigos nem família, terminou indo para a Sé, no centro da cidade. Era janeiro de 2020, ela morava em uma barraca na calçada e se mantinha vendendo balas no trânsito. Quando a pandemia chegou ao Brasil e as pessoas começaram a se isolar, Janaína foi para a porta de um supermercado pedir comida.

“Entrei em depressão porque meu companheiro na época sumiu, e por isso voltei a beber muito”, diz ela. “Foi nesse momento que a Matuzza me encontrou. Eu não aguentava mais, então ela me ajudou a conseguir esse lugar na Casa Florescer.”

Janaína agora faz parte do projeto TRANSgressoras ou Como recuperar o fôlego gritando – contemplado na 4a edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia, da prefeitura de São Paulo –, da CiA dXs TeRrOrIsTaS, coletivo artístico fundado pelo ativista Murilo Gaulês que dá benefício financeiro e acompanha histórias de transexuais que passaram pelo sistema carcerário.

Lolla Francis

Lolla Francis, 36, também moradora da Casa Florescer, viu sua vida mudar depois de aparecer na grande mídia. Presa após falsa acusação de estupro feita por uma vizinha, ela ficou detida devido a outro processo, por roubo. “Tinha processo do meu passado, a pena era de oito meses e o promotor aumentou para 3 anos”, conta Lolla. “Fiquei em regime fechado dois anos por algo que não fiz; o exame de DNA provou minha inocência.” Ainda na cadeia, uma entrevista para o médico Dráuzio Varela, exibida no Fantástico, comoveu o país. “Ninguém está feliz por ter sido preso, mas minha saída me trouxe muitas coisas boas. A solidariedade das pessoas me mostrou o caminho para vencer na vida. A gente não precisa do reconhecimento dos outros, a gente precisa se reconhecer.”

Geisa arruma os cabelos no banheiro da casa Florescer. Durante o dia, as meninas aproveitam o tempo livre para pintar os cabelos, fazer unhas e maquiagem. Muitas também utilizam o tempo para estudar.

Foto de Dan Agostini

Vitória, 19 anos, posa para retrato enquanto se arruma para sair com as amigas que fez na casa Florescer. 

Foto de Dan Agostini

Claudia, 52, descansa na sala de convivência da Casa Florescer II, onde vive desde que o local foi inaugurado, em novembro de 2019. Para Claudia, a ameaça de contaminação por covid-19 não supera o temor que foi viver o início da epidemia de Aids, nos anos 1980.

Foto de Dan Agostini

Mas Lolla sentia mais dificuldade em assumir sua real identidade fora da cadeia do que dentro. Vivendo na casa de parentes, ela não podia se vestir com roupas de mulher e encontrou uma fonte de renda ao se fantasiar de palhaço para vender água em semáforos. Depois que a reportagem do Fantástico foi ao ar, uma rede de auxílio se formou para ajudá-la.

Hoje, Lolla se expressa como quer. Ela é influencer no Instagram, onde interage com fãs e conta sobre seu cotidiano – o perfil tem mais de 13 mil seguidores. Durante a quarentena na Casa Florescer, o dia a dia consiste nos eventos online aos quais é convidada e lives. “A vontade de ser ativista surgiu na cadeia; quero fazer pelo mundo o que não fizeram por mim”, diz.

Ygona Moura

Também é na vida online que a vizinha de cômodo Ygona Moura, 23 anos, pretende encontrar novos rumos. A jovem conta que perdeu o emprego devido a pandemia, fato que desencadeou humilhações por parte da mãe. “Me assumi gay aos 16 anos e sinto que sou muito julgado nas entrevistas de trabalho por ser negro, trans e gordo. É complicado”, diz. “Em casa, minha mãe diz que aceita minha opção sexual, mas já me negou até prato de comida só porque eu estava sem trabalho.”

Janaina prepara aplicação de hormônio feminino enquanto Erica se arruma para trabalhar. A burocracia que envolve documentos e consultas com endocrinologistas, além do número limitado de vagas para tratamentos de feminização em unidades de saúde pública, são alguns dos motivos que levam mulheres transexuais e travestis ao uso de hormônios e injeção de silicone industrial sem acompanhamento médico.

Foto de Dan Agostini

Celina aplica hormônio feminino em Stefany em um dos banheiros da Casa Florescer II. A aplicação de hormônio sem acompanhamento médico pode acarretar em trombose, embolia pulmonar e problemas de circulação.

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Ygona se identificou como mulher trans aos 20 anos, a mesma idade na qual descobriu a prostituição. “Ganhei minha primeira peruca, me montei e não parei mais. Foi um meio de aprender e me valorizar também, nunca acreditei que chamaria a atenção dos homens”, diz. No entanto, pouco antes da crise provocada pelo novo vírus chegar, ela estava formalmente empregada e havia se reconciliado com a mãe. “Visitava minha mãe nos finais de semana, estava tudo bem. Foi quando o desemprego me atingiu novamente e eu voltei para casa dela. Foi a pior coisa que eu fiz.”  

Novamente humilhada pela mãe e sem trabalho, Ygona entrou em depressão. “Tive uma crise muito forte e só pensava em suicídio. Então eu decidi contar tudo isso no meu Instagram, e todas as mensagens que recebi me motivavam a seguir. Senti que tenho um futuro com a internet e isso me motivou muito a não desistir da minha vida”, diz ela. Ygona tem como objetivo conseguir ganhar dinheiro através do canal no Youtube. “Quero ser influencer, meus seguidores me cobram muitos vídeos.”

Camilla Moretty

Enquanto algumas tentam a vida na web, outras, como Camilla Moretty, 61,vem de uma realidade bastante distante das tecnologias. Ela conta que sempre foi acolhida em casa, mas um relacionamento abusivo a expulsou da fazenda onde morava no interior de Minas Gerais. “Tinha 59 anos e precisei fugir do meu ex-marido, que ameaçou a mim e a minha família. Quando cheguei no terminal Tietê, roubaram tudo que eu tinha, então a polícia me encaminhou para um abrigo”, conta. Apesar de sofrer homofobia em albergues masculinos, Camilla encontrou ajuda de assistentes sociais, voltou a estudar, fez um curso de gastronomia e, em novembro de 2019, ela, orgulhosa, cortou a fita na inauguração oficial da Casa Florescer II.

Peruca seca ao sol na Casa Florescer. A casa é uma das duas da cidade de São Paulo que acolhe até 30 transsexuais e travestis mulheres – não há estrutura semelhante para trans homens.

Foto de Dan Agostini

Vitoria, 19, utiliza a lavanderia da casa Florescer. Apesar das mulheres dividirem todos os cômodos, inclusive quartos, o espaço conta com armários individuais. 

Foto de Dan Agostini

Sonhadora, Camilla teve que aprender a lidar com a tecnologia. “Estava acostumada a colher café, arroz, batata; passei a vida na fazenda. Quando cheguei aqui, não sabia nem ligar um computador.” Hoje ela faz parte do projeto de reinserção social Transcidadania, no qual os beneficiários recebem auxílio financeiro sob condição de realizar algumas atividades, como estudar e realizar cursos de profissionalização – Camilla faz aulas online na Escola de Jovens e Adultos. Em São Paulo, ela começou a fazer tratamento hormonal e seu maior desejo agora é a operação para troca de sexo. “Estou na fila para operação, só assim vou me olhar e me sentir eu.”  

Erika Hilton

O esforço em busca de sonhos como o de Camilla hoje encontram reflexo nos 50.508 votos recebidos por Erika Hilton, a primeira vereadora mulher transexual eleita na megalópole paulistana. Erika se considera a prova viva da diferença que o apoio da família faz para quebrar o ciclo de marginalização das pessoas que decidem assumir identidades sexuais divergentes do considerado tradicional. Erika também foi expulsa de casa e teve de recorrer à prostituição para sobreviver, mas voltou a sonhar ao se reaproximar da família. “Foi quando reatei com a minha família, voltei a ter um lar, amor de mãe, de vó e de irmãs, um teto para me abrigar do frio e da chuva, sem ter que me submeter a nenhum relacionamento tóxico, nem recorrer a prostituição como única maneira de matar a fome que eu tive perspectiva de futuro”, contou Erika em entrevista à reportagem.

Essa perspectiva a permitiu quebrar o espaço da marginalização dos corpos trans e fazer história na política brasileira. “Agora, enquanto legisladora sendo a mulher mais votada, vou mostrar que nós podemos estar em outros lugares, limpando o imagético da sociedade a respeito do nosso corpo e da nossa identidade. Esse já é um grande feito.” Feito que mal teve tempo de comemorar devido a “assustadora procura da imprensa para entrevistas”. A parlamentar afirma que as prioridades em seu primeiro ano de mandato serão ampliar projetos para a comunidade LGBTQI+ e a população de rua.

Camilla Moretty aproveita o quintal de sua nova casa, para onde se mudou depois de passar um ano na Casa Florescer. Por enquanto, ela se sustenta com auxílios recebidos por participar de iniciativas sociais, mas segue em busca de um emprego. Ela acredita que a pandemia e sua idade, 61 anos, dificulta a procura.

Foto de Dan Agostini

Kimberly volta para a Casa Florescer de metrô depois de visitar o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais. Kimberly sonha em colocar próteses de silicone nos seios e aguarda uma vaga para realizar a cirurgia, mas o ambulatório – que realiza diversos procedimentos para transição de gênero, incluindo a cirurgia de redesignação sexual – não abre vagas desde 2015.

Foto de Dan Agostini

Por ora, as casas Florescer I e II são os únicos locais públicos em São Paulo para acolher mulheres transexuais – são 60 vagas. No entanto, não há nenhum albergue público para homens transexuais. O Brasil é líder mundial em violência contra pessoas LGBTQI+ e há mais de 700 presidiárias transexuais mulheres apenas em São Paulo.

Enquanto esta reportagem era produzida, a vida dessas mulheres continuou mudando. Janaína voltou à prisão quando, ao tentar fazer um boletim de ocorrência em uma delegacia, a polícia averiguou que uma nova decisão sobre um antigo processo por tráfico de drogas havia sido proferida. Em compensação, nesse mesmo período, Lolla e Camilla, também participantes do projeto TRANSgressoras, conseguiram alugar suas próprias casas e, aos poucos, estão reconstruindo as suas vidas.

 

Este trabalho foi apoiado pelo Fundo de Emergência Covid-19 para jornalistas, da National Geographic Society.

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