História

Espiões bíblicos revelados em mosaico de 1,5 mil anos

Uma antiga representação dos espiões de Moisés em Canaã foi descoberta em uma sinagoga “inigualável” em Israel. Quarta-feira, 11 Julho

Por Kristin Romey

A Arca de Noé, a divisão do Mar Vermelho e até, talvez, uma visita de Alexandre, o Grande. Desde 2012, estas coloridas imagens emergem lentamente enquanto arqueólogos escavam o detalhado piso em mosaico de uma sinagoga de 1,5 mil anos na região da Baixa Galileia, em Israel.

Os últimos a roubarem a cena? Os espiões de Moisés. 

O mosaico, que retrata dois homens carregando uma verga repleta de uvas, foi recentemente descoberto durante as investigações ainda em andamento em Huqoq, local de escavação da sinagoga, conforme uma declaração emitida essa semana pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Uma inscrição em hebraico acima dos homens diz “dois homens sobre uma verga”, referência à passagem bíblica Números 13:23.

No Livro dos Números, Moisés envia olheiros para a região de Canaã após o êxodo do Egito. Os espiões retornam com contos de terras abundantes em leite e mel, com cachos de uvas tão grandes que necessitam de dois homens para carregá-los. No entanto, a maioria dos espiões não estava certo se poderiam conquistar Canaã e acabam perdidos no deserto por 40 anos.

A descoberta “inigualável” em Huqoq contradiz a ideia que os povoados judeus na Galileia tenham sofrido com a crescente influência do Cristianismo na região, diz a arqueóloga Jodi Magness, diretora das escavações em Huqoq. A arte encontrada na sinagoga não é apenas de excepcional qualidade, mas também destaca uma rica cultura visual em uma época em que as imagens foram supostamente banidas da arte judaica.

Os mosaicos de Huqoq, escavados com apoio da National Geographic Society, continham até mesmo uma cena que não era bíblica, que Magness acredita representar a lendária visita de Alexandre, o Grande à região.

“Isso ajuda a aprimorar o que sabemos sobre o judaísmo na antiguidade tardia, além de mostrar como é vibrante, dinâmico e diverso”, ela diz.

Embora as escavações em Huqoq devam continuar em 2019, Magness evita especular o que ainda podem encontrar: “Não posso dizer o que esperamos encontrar, uma vez que tudo o que encontramos foi inesperado.”