Como Veneza foi construída: o segredo mais bem guardado

A cidade italiana flutuante defendeu sua independência por meio de espadas e tratados políticos, os quais a tornaram uma parada importante para o comércio em alto-mar.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 10 de ago. de 2023, 17:24 BRT
Vista panorâmica do famoso Canal Grande e da Basílica de Santa Maria della Salute ao pôr-do-sol, ...

Vista panorâmica do famoso Canal Grande e da Basílica de Santa Maria della Salute ao pôr-do-sol, ambos em Veneza, Itália.

Foto de SHUTTERSTOCK

Situada no coração de um lago no noroeste da Itália, Veneza é conhecida por seus longos canais de água que atravessam a cidade como ruas, tal como se ela estivesse flutuando em pleno mar. 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a posição marítima estratégica de Veneza a tornou uma das cidades mais importantes da Rota da Seda desde sua fundação, no século 5 d.C., e ela está listada como Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1987. 

Veneza está à beira de um lago composto por um total de 118 ilhotas, como conta a Unesco, as quais são interligadas por pontes e passagens. Sua posição estratégica no Mar Adriático, no passado ao alcance do Império Bizantino e dos comerciantes do Oriente, permitiu que a cidade se tornasse um centro comercial da parte oeste da Europa, recebendo mercadorias do leste por mar e distribuindo-as para o crescente mercado em terras européias durante os séculos 9 e 11 d.C. 

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A história de Veneza e sua rota comercial na Europa 

A história de Veneza remonta ao século 5, quando os venezianos se estabeleceram lá para escapar das invasões bárbaras da Itália. Naquela época, de acordo com a Unesco, os refugiados criaram assentamentos precários nas ilhas arenosas de Torcello, Jesolo e Malamocco. Com o passar do tempo, eles foram se tornando lares permanentes até a região se tornar não somente uma potência marítima, mas também uma das mais importantes fortalezas arquitetônicas da história humana. 

Por volta do ano 1000 d.C., Veneza controlava a costa da Dalmácia e, no ano de 1112, um mercado foi fundado no porto de Sidon, dando início a uma série de tratados de leis comerciais ao longo da costa do Mar Adriático controlada pelo Império Bizantino.

Os Cavalos e o Campanário da Basílica de San Marco, Veneza.

Foto de Lynn Johnson

No entanto, a Unesco explica que, nesta época, os governantes de Veneza buscavam independência do império para se desenvolver como uma cidade-estado. Essa autonomia foi determinada por dois eventos históricos.

Em primeiro lugar, a defesa de seu território durante o século 11 contra a chegada de piratas que ameaçavam o comércio marítimo ao longo da costa da Dalmácia. Suas missões militares permitiram que os venezianos conquistassem grandes áreas da costa, proporcionando, de acordo com a Unesco, um maior grau de estabilidade comercial e posicionando a república no centro do cenário comercial do Mediterrâneo. 

Mais tarde, os venezianos, agora totalmente independentes do Império Bizantino, aliaram-se às Cruzadas para capturar Constantinopla em 1204, onde fica a atual Turquia. A organização da ONU diz que o saque e a destruição da batalha foram recompensados com um cobiçado espólio que incluía os cavalos de bronze de São Marcos – um conjunto de estátuas esculpidas em bronze. 

Veneza, uma parada obrigatória na Rota da Seda

No final do século 13, a República de Veneza era uma das cidades mais prósperas da Europa, o centro de um império comercial offshore incomparável que se estendia desde as margens do Mediterrâneo oriental até as Ilhas Jônicas e de Creta. 

Seus vínculos políticos eram tais que os venezianos alcançavam até os impérios mongol e persa, bem como a Armênia, a Ásia Menor e o Cáucaso, cobrindo assim um longo trecho da Rota da Seda no Oriente Médio. 

Uma inundação cobre a Piazza San Marco, Veneza (1972).

Foto de Albert Moldvay

O nível de influência veneziana no comércio da região era tão grande que, em 1221, foi feito um tratado com o Império Mongol para tornar a cidade o local oficial de um mercado para a troca de produtos de luxo, como sal, grãos, porcelana, pérolas, pedras preciosas, corantes, minerais, penas e peles, especiarias e, é claro, tecidos, seda e algodão do Egito, da Ásia Menor e do Extremo Oriente. 

Veneza, cidade Patrimônio Mundial da Unesco

Em 1987, a entidade da ONU encarregada de distinguir locais como patrimônio natural, cultural e histórico do mundo determinou que Veneza e sua lagoa fossem incluídas na lista de Patrimônio Mundial da Unesco. Isso não apenas por seu valor histórico na região, mas também por ser uma obra-prima arquitetônica, na qual monumentos esculpidos pelos maiores artistas de todos os tempos podem ser encontrados em todas as suas ruas. Entre as obras estão peças de autoria dos pintores Giorgio da Castelfranco, Ticiano, Paolo Veronese e Tintoretto, informa a ONU. 

A construção de Veneza tendo as ilhas como base é "uma conquista artística única", de acordo com os critérios da Unesco, dando a aparência de uma cidade flutuando sobre a água. Seus artistas foram pioneiros na arte da percepção do espaço, e do jogo de luz e sombra em tela e pedra. A arquitetura medieval veneziana é testemunha de um estágio significativo na história da civilização humana, conclui a ONU.

Entre os nomes de venezianos notáveis da história também está o de Marco Polo, que ficou famoso por suas expedições para o leste a partir de sua cidade natal. Ele é lembrado devido à importância de suas viagens para colocar a Ásia Central, a Índia e a China no mapa comercial local, abrindo assim o caminho para uma nova rota comercial.

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