“Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez: os 3 dados que é preciso saber para mergulhar na saga do livro

A obra mais famosa do escritor colombiano ganhador do prêmio Nobel de Literatura mergulha no realismo fantástico e traz uma narrativa única que faz sucesso até os dias de hoje.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 11 de dez. de 2024, 07:01 BRT
Diferentes capas do livro que já se tornou um clássico da literatura latino-americana: "Cem Anos de ...

Diferentes capas do livro que já se tornou um clássico da literatura latino-americana: "Cem Anos de Solidão", do autor colombiano Gabriel García Márquez, que foi lançado em 1967.

Foto de Divulgação

Diferentes capas do livro que já se tornou um clássico da literatura latino-americana: "Cem Anos de Solidão", do autor colombiano Gabriel García Márquez, que foi lançado em 1967.

Foto de Divulgação

Um dos romances da literatura latino-americana mais famosos em todo mundo, “Cem Anos de Solidão” é a obra símbolo da grande produção criativa do escritor colombiano Gabriel García Márquez por traduzir o seu  realismo fantástico e suas ideias sobre a região de maneira única e rica em detalhes. Tanto que pela primeira vez desde seu lançamento em 1967, ela terá uma adaptação sob a forma de série.

“O livro ‘Cem Anos de Solidão’ acompanha sete gerações da família Buendía na cidade fictícia de Macondo, e cada uma das histórias e dramas vivenciados pelos personagens remetem à evolução da história da América Latina”, afirma Laura Janina Hosiasson, mestre e doutora em Letras e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), no Brasil. 

Para entender porque o livro se tornou tão reverenciado mundialmente, acompanhe três pontos principais sobre a obra, uma trama cheia de fantasia e realidade profunda. Foi por sua publicação que García Márquez recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1982

(Sobre Cultura, leia também: Catedral de Notre Dame: os tesouros surpreendentes que foram encontrados depois do incêndio em Paris)

O escritor e jornalista Gabriel García Márquez é reconhecido mundialmente como um dos maiores autores e ...

O escritor e jornalista Gabriel García Márquez é reconhecido mundialmente como um dos maiores autores e recebeu, em 1982, o prêmio Nobel de Literatura.

Foto de Gorup de Besanez CC BY-SA 4.0

O escritor e jornalista Gabriel García Márquez é reconhecido mundialmente como um dos maiores autores e recebeu, em 1982, o prêmio Nobel de Literatura.

Foto de Gorup de Besanez CC BY-SA 4.0

“Cem Anos de Solidão” apresenta uma saga familiar criativa e eventos ligados à história da Colômbia


Reconhecida como a melhor obra de Gabriel García Márquez, o livro lançado em 1967 conta a história da cidade colombiana fictícia de Macondo e também a ascensão e queda de seus fundadores, a família Buendía, durante o período pós-colonial de 1820 a 1920

Em meio a um texto tomado por dobras temporais, os personagens herdam os nomes de sua família, revelando padrões que se duplicam e se repetem, segundo descreve a Encyclopaedia Britannica (plataforma de conhecimento e educação do Reino Unido) ao se referir sobre a obra.

poderoso personagem José Arcadio Buendía passa de intrépido e carismático fundador de Macondo a um louco à margem da cidade. Ao mesmo tempo, Macondo luta contra pragas de insôniaguerra e chuva. Embora alguns dos incidentes apresentados na narrativa se refiram a eventos reais da história da Colômbia, muitos outros aspectos de fantasia são exemplos de uma criatividade ímpar. 

Na trama, a utópica Macondo é construída no meio de um pântanoInicialmente próspera, a cidade atrai ciganos e vendedores ambulantes – entre eles o velho escritor Melquíades, uma espécie de substituto de García Márquez como voz narrativa

O personagens de “Cem Anos de Solidão” são curiosos e únicos


Entre os personagens principais de “Cem Anos de Solidão” estão os membros da família formada por José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán, que fazem parte da primeira geração dos Buendía. 

Eles tiveram três filhosJosé Arcadio, um rapaz forte e trabalhador; Aureliano, que contrasta com o irmão mais velho sendo alguém mais calmo e muito introvertido; e Amaranta, que se torna dona-de-casa de uma família de classe média do século 19. Depois junta-se à família Rebeca, que se torna filha adotiva do casal.

Um dos diversos fatos fantasiosos e criativos deste livro é que todas as gerações subsequentes são acompanhadas pela matriarca Úrsula Iguarán, que viveu cerca de 120 anos e observa o “padrão curioso” dos descendentes da família que recebem os mesmo nomes. 

Isso significa que todos os José Arcadio que vão nascendo se tornam impulsivos, extrovertidos e trabalhadores, enquanto que os Aurelianos são calmos, estudiosos e tímidos

Além da grande família, outros personagens de destaque no livro são Melquíades, o escritor cigano que é o narrador; Pilar Ternera, que se torna amante de Aureliano, e José Arcadio da primeira geração. Também se destacam Pietro Crespi, homem disputado por Rebeca e Amaranta; e Maurício Babilônia, um aprendiz que vem de uma família de mecânicos.

(Conteúdo relacionado: Machado de Assis: 5 curiosidades sobre o escritor e seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”)

mais populares

veja mais
Na foto, a imagem da estátua em homenagem à Gabriel García Márquez localizada na praça da ...

Na foto, a imagem da estátua em homenagem à Gabriel García Márquez localizada na praça da cidade (Aracataca, na Colômbia) onde o autor viveu em sua infância e influenciou a criação da fictícia Macondo do livro "Cem Anos de Solidão".

Foto de Guillermo Ramos Flamerich CC BY-SA 4.0

Na foto, a imagem da estátua em homenagem à Gabriel García Márquez localizada na praça da cidade (Aracataca, na Colômbia) onde o autor viveu em sua infância e influenciou a criação da fictícia Macondo do livro "Cem Anos de Solidão".

Foto de Guillermo Ramos Flamerich CC BY-SA 4.0

A relação entre ficção e realidade em “Cem Anos de Solidão” 


Em “Cem Anos de Solidão”, além da história cheia de fantasiaeventos sobrenaturais é também possível observar uma alegoria social e política mais ampla e profunda feita por García Márquez. 

“Trata-se de uma exemplificação do chamado realismo mágico. Talvez seu principal exemplo sociopolítico apresentado no livro seja a inclusão do massacre pelo exército de milhares de trabalhadores de plantações em greve”, como comenta a Britannica – em uma relação do autor ao que aconteceu anos antes e em crítica às diversas ditaduras vigentes na América Latina na época do lançamento do livro. 

massacre em questão ocorreu realmente em 1928, em Ciénaga, vila vizinha à cidade da infância de García Márquez, Aracataca. Por conta da greve de funcionários de uma indústria norte-americana de bananas, o governo colombiano enviou o exército ao local e matou diversos trabalhadores.

De acordo com um texto publicado no “Jornal da USP”, publicação da Universidade de São Paulo, e intitulado “Pesquisa aborda imagens da América Latina em García Márquez”, no romance, a cidade de Macondo é personagem essencial, já que serve de metáfora para tratar da solidão dos personagens, além da representação do notável isolamento político, econômico e social em que os países latino-americanos sempre estiveram em relação o restante do mundo.

Já em seu artigo, a professora de Letras da USP Laura Janina Hosiasson reforça a temática: “Macondo é a síntese e o espelho das urbes latino-americanas. A diminuta vila idílica irá se transformando em burgo, em localidade conectada com o restante do mundo através da construção de estradas, recebendo migrações e imigrações, em sociedade colonizada e explorada política e economicamente, até o dilúvio final que a faz sucumbir à força da natureza”, afirma.

* O texto foi feito por Juliane Albuquerque, Editora Assistente de National Geographic Brasil.

mais populares

veja mais
loading