História

7 grandes descobertas arqueológicas de 2015

De tesouros naufragados a enterros cerimoniais de linces, é hora de olhar para trás com as maiores descobertas do ano.

Por Kristin Romey

2015 foi um ano em que a arqueologia estampou manchetes no mundo todo, mas infelizmente, a maior parte das vezes foi pela mesma e terrível razão. Este foi o ano em que o ISIS (Estado Islâmico) lançou sua fúria destrutiva completa em locais antigos e em monumentos culturais pela Síria e pelo Iraque.

Mas esse também foi o ano em que os arqueólogos triunfaram em seu campo. Entrando profundamente nas florestas tropicais da América Central em busca de novas civilizações ou alterando nossa compreensão do comportamento humano ao reavaliar conteúdos de antigos arquivos de museus, os pesquisadores fizeram de 2015 um ano espetacular para a arqueologia.

Câmaras escondidas na tumba do rei Tut

O que parece o roteiro de um filme de sucesso é na verdade uma descoberta feita pela tela de um computador: duas prováveis câmaras escondidas na tumba de Tutancâmon, o faraó egípcio, fechada por milênios, ignoradas por Howard Carter enquanto escavava o local no Vale dos Reis, nos anos 1920. O egiptólogo Nicholas Reeves viu o que pareciam ser portas para as câmaras quando examinou varreduras a laser da tumba. A varredura de radar inicial e a termografia sugerem a presença de espaços vazios que suportam a teoria de Reeves. Ele acredita que a câmara funerária da ilustre rainha Nefertiti esteja por trás de uma das paredes.

Fredrik Hiebert, membro arqueólogo da National Geographic Society, conta que pesquisadores planejam investigar as câmaras, possivelmente perfurando pequenos buracos nas paredes e inserindo uma câmera de fibra ótica para examinar seu conteúdo. "A evidência sobre as câmaras seladas é realmente convincente," diz Hiebert. “Estão todos tentando descobrir o que há nelas. Ainda há muito sobre o Vale dos Reis que não sabemos. ”

Civilização perdida descoberta em Honduras

Pesquisadores invadiram a floresta tropical de Honduras para confirmar o que equipamentos de sensoriamento aéreo remoto (LIDAR) já sugeriram: os restos de uma cultura praticamente desconhecida que prosperou na região oriental de La Mosquitia há mil anos.

Arqueólogos começaram a examinar apenas uma das várias cidades identificadas, repletas de praças, esculturas elaboradas e uma pirâmide. O presidente hondurenho prometeu proteger a área de madeireiros e saqueadores ilegais, e os pesquisadores planejam retornar nos próximos anos, embora quase metade da equipe ter sido derrubada por leishmaniose durante a expedição de 2015.

Homo naledi: um "estranho galho na árvore genealógica"

Paleoantropólogos, especialistas em história da evolução humana, amam uma boa discussão e 2015 lhes ofereceu o Homo naledi. Os restos mortais de mais de 15 indivíduos foram inicialmente descobertos por espeleólogos recreativos na África do Sul em 2013, mas dois anos depois que Lee Berger, um paleoantropólogo da Universidade do Witwatersrand em Johanesburgo, África do Sul, tornou oficial: estamos diante de uma nova espécie do gênero homo.

O Homo naledi é inesperado, no sentido de que, de muitas formas, ele não faz sentido. Por que um hominini com cérebro tão pequeno tem um corpo tão grande? Como explicamos a confluência de características muito típicas dos primatas mais primitivas do que aquelas encontradas em australopitecos famosos como Lucy e elementos muito mais modernos? Como os restos mortais foram parar em um complicado sistema de cavernas? Eles foram deliberadamente colocados lá de forma ritualística algo que até agora era um comportamento reconhecido apenas em humanos modernos e Neandertais? E a maior pergunta: qual a idade destes fósseis?

O que sabemos é que podemos esperar anos de pesquisa e análises para descobrir exatamente como o Homo naledi se encaixa na nossa árvore genealógica.

Arqueólogos identificam corpos dos líderes perdidos de Jamestown, EUA

Em 2010, arqueólogos que estudavam uma série de quatro enterros masculinos em Jamestown, Virgínia, usaram a localização do restos mortais para identificar a primeira grande igreja inglesa na América do Norte. O local é onde Pocahontas se casou com John Rolfe em 1614. Os restos humanos foram encontrados no que se suspeitava ser a área da capela-mor da igreja, onde era o altar e onde membros da elite do primeiro assentamento britânico na América teriam sido enterrados.

Quando os corpos foram descobertos, pesquisadores podiam apenas tentar adivinhar quem eles eram, com base no estado civil dos homens e em sua data de morte: Reverendo Robert Hunt, o primeiro capelão de Fort James; Sir Ferdinando Wainman, mestre da ordenança de Fort James; Capitão Peter Winne, sargento-mor do forte; e Capitão Gabriel Archer, membro do primeiro conselho de governo da colônia.

Eles acertaram em três dos quatro casos. Em 2015, usando análises químicas e genealógicas, arqueólogos determinaram que os restos mortais pertenciam ao Capitão Archer, Sir Wainman, Reverendo Hunt e ao Capitão William West, parente de Wainman.

”Estes indivíduos foram muito críticos para a fundação dos Estados Unidos como conhecemos hoje,” diz o antropólogo forense Douglas Owsley, que liderou a equipe que identificou os homens. ”Estamos verdadeiramente interessados em suas vidas e suas histórias.

Enterro cerimonial de lince em Hopewell Mounds, EUA

Durante décadas depois de sua escavação de um túmulo da era Hopewell, esses ossos ficaram armazenados no Museu Estadual de Illinois em Springfield, em uma caixa etiquetada como “enterro do filhote de cachorro.” Mas foi apenas quando a zooarqueóloga Angela Perri examinou o crânio que ela percebeu estar olhando para algo diferente: o único enterro decorado conhecido para um felino selvagem nos registros arqueológicos.

O jovem lince foi enterrado cerca de 2 mil anos atrás na maior das 14 tumbas da era Hopewell, que ficava perto do Rio Illinois, a cerca de 80 quilômetros do norte de St. Louis. Ele foi enterrado junto com os restos mortais de 22 pessoas, sepultadas em um círculo em volta da tumba central com os restos mortais de uma criança.

Quando os arqueólogos descobriram este local no início dos anos 80, eles ficaram surpresos ao encontrar os restos mortais de um pequeno animal com o que parecia ser uma coleira feita com conchas e dentes de ursos. As pessoas da cultura Hopewell enterravam cães, mas eles só o faziam em suas vilas os túmulos eram reservados para humanos.

Por que queremos apertar adoráveis filhotes de lince?

Então, como explicar o enterro deliberado de um felino selvagem? De acordo com Perri, o jovem lince (provavelmente entre 4 e 7 meses de idade) não foi sacrificado, mas deliberadamente colocado em seu túmulo com sua coleira ornamental e suas patas colocadas juntas. Perri argumenta que o enterro é evidência da domesticação felina, mas outros pesquisadores, que apontam que animais nunca eram deliberadamente enterrados nos túmulos Hopewell, sugerem que o enterro do lince pode ter um significado cosmológico.

Raro túmulo intacto de guerreiro rico descoberto na Grécia

A especulação frenética no começo de 2015 sobre um túmulo grego que pode seria ser o local de descanso de Alexandre, o Grande provou ser apenas isso especulação. Mas a descoberta de uma tumba intacta de um guerreiro no sudoeste do Peloponeso mostrou ser não apenas a maior descoberta arqueológica do ano para a Grécia, mas também a maior descoberta em décadas.

O homem guerreiro foi descoberto em Pylos, local que apresenta restos de um palácio micênico construído por volta de 1300 a.C. O guerreiro foi enterrado cerca de dois séculos antes, em um túmulo cercado por 1,4 mil objetos, incluindo uma espada de bronze com punho de marfim.

Os arqueólogos ficaram surpresos com o número de objetos tradicionalmente ”femininos” enterrados com o guerreiro, incluindo pentes, contas e um espelho. “A descoberta de joias tão preciosas com um homem guerreiro-líder desafia a crença comum de que joias eram enterradas apenas com mulheres ricas”, afirma Sharon Stocker, arqueóloga da Universidade de Cincinnati que trabalhou nas escavações.

Tesouro em galeão espanhol pode ser o maior de todos os tempos

Ele é tido como possivelmente ”o mais valioso náufrago de todos os tempos” um galeão espanhol do início do século XVIII repleto com pedras e metais preciosos que valem cerca de um bilhão de dólares. Mas é a guerra legal que se criou ao redor do direito de propriedade do náufrago que pode fazer desta descoberta algo especialmente interessante.

O presidente da Colômbia recentemente tweetou que seu país teria localizado San Jose, um navio espanhol afundado pelos ingleses em 1708, perto da costa de Cartagena. No entanto, a empresa americana privada Sea Search Armada alega ter encontrado o náufrago há mais de 30 anos. E em seguida temos também a Espanha, que possivelmente irá reivindicar o navio e os restos mortais de quase 600 pessoas da tripulação.” A Espanha tem tido bastante sucesso no tribunal quando o assunto é a recuperação de seus navios de guerra, independente de quem os encontre”, diz Hiebert. ”Eu ficaria surpreso se eles não começassem uma briga por conta do San Jose.”

Publicado em 28 de dezembro de 2015.

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