Dia contra o desperdício de alimentos: veja 5 dicas para evitar jogar comida fora

O Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos, data criada pela ONU em 29 de setembro, alerta sobre os impactos da perda de alimentos no mundo.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 29 de set. de 2022 12:18 BRT, Atualizado 29 de set. de 2022 17:43 BRT
Um funcionário de um cassino separa o comestível do não comestível para alimentar os restos de ...

Um funcionário de um cassino separa o comestível do não comestível para alimentar os restos de animais não ruminantes.

Foto de FINKE C/O EVERYBODY SOMEBODY INC, BRIAN

Os dados da Organização das Nações Unidas (ONU) assustam: cerca de 900 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas, a cada ano, no mundo. Desse montante, a organização informa que mais de 60% são de alimentos jogados fora nas residências, seja durante o preparo da comida ou por conta de sobras não-consumidas. 

De olho no Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos, lembrado em 29 de setembro, e com foco em entender como se combate o problema, a National Geographic conversou com duas especialistas para saber que medidas são possíveis de se tomar no dia a dia para diminuir o desperdício de comida em casa.

Os números do desperdício de alimentos 

De acordo com a ONU, quando alimentos são perdidos ou desperdiçados, todos os recursos que foram utilizados para a sua produção (água, terra, energia, trabalho e capital) também se perdem. 

Além disso, o descarte de comida em aterros sanitários – que é um dos principais destinos para as sobras de comida – é responsável por cerca de 8 a 10% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, informa o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).  

O problema está na casa dos milhões, segundo números do Pnuma. O Índice de Desperdício de Alimentos de 2021, realizado pelo programa, estima que 931 milhões de toneladas de alimentos no mundo, ou 17% do total de alimentos disponíveis aos consumidores em 2019, foram para o lixo das residências (61% do total), restaurantes e outros serviços alimentares (26%), e varejos como os supermercados (13%). Isso seria o equivalente a 321 mil estádios do Maracanã lotados de comida.  

O relatório da ONU também aponta para um paradoxo preocupante. Enquanto milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados, outros milhões – dessa vez de pessoas – passam fome ou estão em níveis preocupantes de insegurança alimentar. 

O relatório do Pnuma indica que 690 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2019, e que a pandemia de Covid-19 acentuou ainda mais o problema. No Brasil, uma investigação da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) constatou que a fome atingiu 33 milhões de brasileiros em 2022. 

(Veja mais: Falta comida nas favelas de São Paulo. Estas mulheres tentam resolver)

Para Sara Granados, assessora regional da América Latina da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) em questões de sustentabilidade e sistemas alimentares, essa contradição é culpa do sistema de consumo atual. “Estamos imersos em uma economia linear, onde temos uma acumulação sistêmica e, por mais que se evite o desperdício ou evite a geração de lixo, o próprio sistema te leva a consumir mais e mais rápido.”

A necessidade de adequar o consumo de alimentos da melhor forma possível, a fim de evitar o desperdício, pede ajustes dentro de casa. A seguir, especialistas sugerem uma lista de recomendações para reduzir o desperdício no dia a dia: 

1. Compre apenas o necessário

Uma das primeiras dicas para evitar o desperdício de comida em casa, de acordo com Sara Granados, da FAO, é a de não comprar mais alimentos do que você e sua família são capazes de consumir. 

“A chave é planejar a compra. Leve uma lista com exatamente o que precisa e evite ir muito além dela”, diz Granados. Outra dica é não ir às compras com fome. “Obviamente, você comprará mais do que precisa porque é levado pela força da fome. Se der, evite”, sugere a especialista da FAO. 

Ainda sobre as idas ao supermercado, Clementine O’Connor, diretora do Programa de Sistemas Alimentares Sustentáveis do Pnuma, diz que compras mais frequentes e curtas também são uma forma eficaz de diminuir o desperdício. “É preferível ir uma vez por semana, por exemplo, ao mercado e comprar o que será consumido naqueles dias, ao invés de uma compra mensal em que muitos alimentos podem estragar até serem usados”, diz.

2. Verifique a validade dos produtos 

Outra sugestão de O’Connor é ficar atento à validade dos produtos. “Sempre cheque a data dos alimentos ou as recomendações para o tempo de consumo do produto. Assim, se evita que eles estraguem em casa muito rapidamente.”

Ainda sobre a validade, Clementine O’Connor também diz que a data colocada pelo produtor do alimento é, muitas vezes, estimada. “É uma preocupação com a qualidade e o frescor, mas nem sempre o produto não pode ser consumido depois da validade. Armazene tudo corretamente e use os sentidos, como paladar e olfato, para checar se o alimento ainda está bom.”

Já Sara Granados pontua que, além de evitar o desperdício, também é possível economizar quando se fica atento à data de validade. 

“Muitos supermercados jogam fora produtos ainda bons para consumo por estarem próximos da validade. É possível verificar se, como consumidor, não é possível comprar esses produtos por preços mais baixos. Cooperativas de alimentos e alguns aplicativos já mediam essa relação entre mercados e consumidores”, afirma Granados. 

(Relacionado: Tecnologia inovadora mantém frutas frescas por mais tempo)

3. Aproveite o alimento inteiro

Segundo as especialistas, um dos motivos que geram mais desperdício em casa é não aproveitar os alimentos em sua totalidade. “Quando cozinhamos um peixe, por exemplo, só usamos 20% dele. O resto – como a cabeça ou o rabo –, vai para o lixo”, ressalta Granados. 

“Isso é mais uma questão de costume, pois essas partes podem ser usadas, sim. Isso acontece com muitos vegetais também. Não valorizamos a comida por completo”, relata a especialista da FAO. 

“Estamos imersos em uma economia linear, onde temos uma acumulação sistêmica e, por mais que se evite o desperdício ou evite a geração de lixo, o próprio sistema te leva a consumir mais e mais rápido.”

por Sara Granados
Assessora para a América Latina da FAO.

Para evitar desperdício ao cozinhar, Sara Granados recomenda buscar receitas que usem as partes menos convencionais da comida. Segundo ela, além de diversificar a dieta, isso ainda diminui a quantidade que vai para o lixo. 

(Veja também: Novos mundos na cozinha: um ensaio da mudança nos hábitos alimentares durante a pandemia)

4. Atenção ao tamanho das porções 

“É importante evitar sobras. Quanto mais sobra, maiores as chances de que elas estraguem na geladeira”, diz O’Connor. Portanto, a especialista do Pnuma recomenda medir as porções para cada refeição e levar em conta o processo de armazenamento e refrigeração dos alimentos para evitar que apodreçam. 

“Sempre considere quantas pessoas vão comer e tenha muito claro quantas porções precisa cozinhar. E, caso haja sobras, saiba o que fazer com elas. Se serão consumidas mais tarde no mesmo dia ou se é melhor congelar para que durem mais tempo”, recomenda Granados. 

5. Peça comida para levar 

Sara Granados também dá outra sugestão bem simples para evitar o desperdício ao comer em restaurantes: peça para levar a comida que sobrou no prato. “Não podemos ter aquele complexo que se você pedir para levar as sobras para casa está errado”, diz.

O’Connor complementa essa recomendação dizendo que os estabelecimentos, na maioria das vezes, prevêem o tamanho das porções e esperam que o cliente não deixe sobras. Ou seja, se ficar alguma coisa no prato, essa comida irá para o lixo. “Por isso, primeiro temos que evitar pedir mais comida do que conseguimos comer e, se sobrar, não há problema em pedir para levar.”

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