Como o mundo pode acabar com a poluição por plástico?

Um relatório publicado em maio de 2023 pelas Nações Unidas oferece alternativas e mostra que é possível seguir rumo a um futuro mais livre de plásticos.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 5 de jun. de 2023, 11:18 BRT
Pessoas coletam resíduos, incluindo calêndulas e lixo plástico, do Rio Ganges.

Pessoas coletam resíduos, incluindo calêndulas e lixo plástico, do Rio Ganges.

Foto de John Stanmeyer

A poluição causada por plásticos é um problema de escala global. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) adverte que a humanidade produz mais de 430 milhões de toneladas de plástico por ano. Desse total, dois terços são produtos descartáveis. Mas através de uma mudança sistêmica, seria possível abordar esse problema desde a raiz.

Qual é a magnitude do uso excessivo do plástico?

O escritório da ONU para o meio ambiente explica que, embora seja um material flexível, econômico e durável, o plástico possui diversos efeitos nocivos atrelados a seu uso. 

Trata-se de um material que pode levar centenas de anos para se decompor, de modo que, após ser descartado, se acumula no meio ambiente até atingir um ponto crítico: sufoca a fauna marinha, deteriora o solo, envenena as águas subterrâneas, contribui para as mudanças climáticas e pode afetar a saúde humana.

Diante desse cenário, em 2023, o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado anualmente em 5 de junho por iniciativa das Nações Unidas, se concentrará no desafio sob o tema "Soluções para a poluição plástica".

Como enfrentar o problema da poluição por plásticos

Enfrentar esse problema requer uma mudança sistêmica. Isso, segundo o Pnuma,  significa passar da economia linear atual, que se concentra em produzir, usar e descartar o material, para uma economia circular, na qual o plástico produzido mantenha seu valor pelo maior tempo possível.

Nesse sentido, o relatório intitulado "Fechando a torneira: como o mundo pode acabar com a poluição por plásticos e criar uma economia circular", lançado em maio de 2023 pelo escritório da ONU, explora soluções e menciona práticas concretas para reduzir o problema em 80% até 2040.

O relatório busca promover mudanças em três áreas-chave: reutilização, reciclagem e reorientação-diversificação, além de reduzir o consumo.

De acordo com o programa das Nações Unidas, as soluções de reutilização para esse material já contam com avanços tecnológicos suficientes. No entanto, ainda é necessário maior investimento para que as soluções sejam acessíveis em escala global. 

Entre as opções de reutilização estão um maior investimento em garrafas recarregáveis, sacolas reutilizáveis, dispensadores a granel no comércio varejista, programas de devolução de embalagens, entre outros.

Uma pessoa fica na chuva do lado de fora de uma instalação de segregação de plástico entre itens de plástico separados
plástico

Foto de Sara Hylton

Quanto à reciclagem, para que ela seja mais abrangente é necessário que se torne uma atividade econômica mais estável e rentável, adverte o Pnuma. Isso demonstra a necessidade de mudanças, tais como: 

  • A eliminação de corantes, pigmentos e aditivos que interferem na economia da reciclagem; 
  • A homogeneização dos tipos e formatos de plástico;
  • A proibição e/ou eliminação de polímeros de difícil reciclagem no design do produto;
  • A padronização e a melhoria da rotulagem em favor de uma classificação mais eficiente dos resíduos.

Além disso, acrescenta a entidade, é necessário eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, que atualmente permitem que os plásticos virgens sejam mais baratos que os reciclados, e melhorar os sistemas de coleta de resíduos.

A reorientação-diversificação refere-se à transição do mercado para alternativas sustentáveis ao plástico. Segundo a organização, isso requer uma mudança apoiada por estudos de avaliação, além de modificações na demanda dos consumidores, nas estruturas regulatórias e nos custos.

Como exemplo, o relatório menciona que alguns descartáveis, como embrulhos plásticos ou sachês, poderiam ser feitos com materiais alternativos, como papel, compostáveis ou plástico reciclado. Isso, de acordo com o Pnuma, pode resultar em uma redução de 17% na poluição por plásticos, além de representar uma oportunidade para a inovação e o desenvolvimento econômico. 

Além de reduzir a poluição, a implementação das propostas do Pnuma permitiria reduzir pela metade a produção de plásticos de uso único e criar cerca de  700 mil empregos no mundo. 

"As soluções já estão disponíveis, uma mudança abrangente nos sistemas e setores relevantes apoiada pelos instrumentos regulatórios necessários gerará uma série de benefícios econômicos e reduzirá os danos à saúde humana, ao meio ambiente e ao clima", conclui o escritório da ONU.

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